Quem parou de acompanhar Pokémon na época de Ash e Pikachu pode voltar em 2026 e sentir que abriu a porta para outra série. A sensação faz sentido: a franquia comemora 30 anos desde o lançamento de Pokémon Red e Pokémon Green no Japão, em 27 de fevereiro de 1996, mas o anime mudou de eixo depois de encerrar a longa jornada de Ash. A nova fase, Pokémon: Horizontes, foi apresentada oficialmente como uma nova história protagonizada por Liko e Rain.
A boa notícia é que não é preciso rever décadas de episódios para entender o ponto de partida. O essencial é saber o que terminou com Ash, quem ocupa o centro da narrativa agora e quais elementos clássicos continuam reconhecíveis.
Primeiro: os 30 anos são da franquia, não do anime
Em 2026, a Nintendo celebra os 30 anos de Pokémon tomando como marco os jogos originais lançados no Japão em 1996. O anime veio depois e, por isso, não completa 30 anos no mesmo momento.
Essa distinção ajuda a entender a pauta: o aniversário funciona como uma oportunidade de olhar para a maior mudança recente da animação. Durante 25 temporadas, Ash Ketchum e Pikachu foram o principal ponto de continuidade da série de TV. No fim de Pokémon Ultimate Journeys, Ash chega ao título de Campeão Mundial e sua trajetória é encerrada em uma coleção especial de 12 episódios, Pokémon: To Be a Pokémon Master, que reúne reencontros e uma despedida de sua fase como protagonista.
Uma linha do tempo curta: de Ash a Horizontes
- Era Ash: por 25 temporadas, a série acompanha Ash, Pikachu e diferentes companheiros em viagens, ligas, batalhas e descobertas por várias regiões.
- Fechamento da jornada: em 2023, o material internacional de Ultimate Journeys apresenta a coleção de 12 episódios To Be a Pokémon Master como conclusão das aventuras de Ash e Pikachu.
- Nova história: Pokémon Horizons: The Series passa a ser divulgada como uma aventura protagonizada por Liko e Roy; na localização brasileira oficial, Roy é chamado Rain.
- Fase atual: em 2026, a comunicação internacional já divulga a terceira temporada de Horizons, enquanto a página brasileira oficial destaca Pokémon: Horizontes — Temporada 2 — A Busca por Laqua. Numerações, partes e disponibilidade podem variar conforme região e serviço.
Quem são Liko e Rain?
Segundo o site oficial de Pokémon: Horizontes, Liko é uma garota da região de Paldea e estudante da Academia Índigo. Sua parceira inicial é Sprigatito, e um pingente misterioso recebido da avó ajuda a colocá-la no centro da nova aventura.
Rain vive em uma ilha remota de Kanto, sonha em se tornar Treinador e viaja com Fuecoco. Ele também carrega uma Poké Bola Ancestral ligada aos mistérios que movem a história. Em inglês, o personagem é chamado Roy; em espanhol, Rod. Essa diferença de localização explica por que fãs que pesquisam conteúdo internacional podem encontrar nomes diferentes para o mesmo coprotagonista.
O que mudou de verdade em relação à era Ash
1. O centro da série deixou de ser um único herói de longa duração
Ash funcionava como a âncora permanente: colegas, regiões e objetivos mudavam, mas ele e Pikachu mantinham a continuidade. Horizontes começa com um novo núcleo e distribui o protagonismo principalmente entre Liko e Rain, com maior peso para o grupo que viaja com eles.
2. A trama é mais serializada desde o começo
O anime clássico frequentemente alternava objetivos de jornada com episódios mais autônomos. Horizontes também tem aventuras episódicas, mas apresenta desde cedo mistérios recorrentes: o pingente de Liko, a Poké Bola Ancestral de Rain, os Trovonautas e os Desbravadores. O resultado é uma sensação maior de história contínua, com pistas e conflitos que avançam ao longo de vários episódios.
3. A viagem não depende de uma única fórmula de ginásios e liga
Liko e Rain circulam por diferentes regiões acompanhados dos Trovonautas, grupo que viaja em um dirigível e investiga mistérios do mundo Pokémon. Isso permite que a série combine exploração, treinamento, batalhas e uma trama de aventura sem repetir exatamente a estrutura de uma campanha tradicional de ginásios.
4. Pikachu continua presente, mas com outra função
Quem sente falta do Pokémon mais reconhecível da franquia não encontra um mundo sem Pikachu. Horizontes apresenta o Capitão Pikachu, que viaja ao lado de Friede e integra os Trovonautas. A presença preserva um elo visual e afetivo com a identidade da franquia, sem recolocar Ash no centro da história.
5. A série não exige que o espectador “resolva” a continuidade antiga
A comunicação oficial chama Horizontes de uma nova história de Pokémon. Para quem retorna, isso é mais importante do que discutir cada detalhe de cronologia: a nova série apresenta seus personagens, grupos, objetivos e mistérios por conta própria. Conhecer Ash melhora a dimensão nostálgica, mas não é pré-requisito para entender Liko e Rain.
O que continua familiar para quem cresceu com Ash
A troca de protagonistas não elimina os pilares de Pokémon. Ainda existem parceria entre Treinador e Pokémon, descoberta de novas espécies, batalhas, evolução de habilidades, humor, viagens por regiões conhecidas e novas, além do tema recorrente de aprender a conviver e crescer junto dos parceiros.
Também há personagens e elementos que funcionam como pontes com a memória do público, como Pikachu em uma nova função e referências a regiões já conhecidas. O equilíbrio mudou: menos dependência da biografia acumulada de Ash e mais investimento em um novo mistério central.
Por onde começar se você voltou agora?
O ponto de entrada mais simples é o primeiro episódio de Pokémon: Horizontes. Começar do início da nova série evita spoilers, apresenta naturalmente Liko, Rain, Sprigatito, Fuecoco, Friede, Capitão Pikachu, Trovonautas e Desbravadores e não exige uma maratona das temporadas anteriores.
Se a nostalgia por Ash for parte importante do retorno, há uma segunda rota: assistir antes aos especiais finais de Pokémon: To Be a Pokémon Master. Eles funcionam como encerramento emocional da era anterior, mas não são uma introdução obrigatória para Horizontes.
Precisa saber o que aconteceu com Ash para entender Horizontes?
Não. Basta saber que sua fase como protagonista foi encerrada depois de uma longa trajetória que culminou no título de Campeão Mundial. Horizontes não começa pedindo conhecimento enciclopédico da era anterior; seu ponto de partida é Liko, Rain e os mistérios que cercam os dois.
Em resumo: não é “Ash de novo com nomes novos”
A mudança de Pokémon para Pokémon: Horizontes é mais profunda do que trocar o protagonista. A série passa de uma continuidade centrada por décadas em Ash e Pikachu para uma aventura com novo elenco, protagonismo compartilhado, grupos recorrentes e um mistério serializado que conecta as viagens.
Para quem voltou por causa dos 30 anos da franquia, a melhor forma de encarar a fase atual é tratá-la como um novo ponto de entrada. Ash continua sendo parte fundamental da história do anime, mas Liko e Rain foram construídos para que a próxima viagem possa começar sem dever de casa.
Fontes principais: site oficial de Pokémon: Horizontes; Pokémon — conclusão de Ultimate Journeys e To Be a Pokémon Master; Pokémon — atualização de Horizons em 2026; Nintendo — 30 anos de Pokémon em 2026.





