No calendário da Igreja universal, o Domingo da Palavra de Deus é celebrado no 3º Domingo do Tempo Comum, normalmente em janeiro. No Brasil, porém, a CNBB mantém uma ênfase especial no último domingo de setembro. Isso não significa que o país tenha simplesmente ignorado a data universal ou criado uma comemoração paralela sem autorização. A própria CNBB informa que a Santa Sé autorizou a preservação da tradição brasileira ligada ao Mês da Bíblia.
A resposta curta: janeiro continua existindo, mas setembro ganhou a ênfase brasileira
O Papa Francisco instituiu o Domingo da Palavra de Deus por meio da carta apostólica Aperuit illis, publicada em 30 de setembro de 2019. O texto estabelece que o 3º Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus. Essa é a referência da Igreja universal.
No Brasil, a situação pastoral já era diferente antes de 2019. Setembro vinha sendo dedicado à Bíblia havia décadas, com especial proximidade da memória de São Jerônimo, celebrada em 30 de setembro. Segundo a CNBB, depois de uma consulta formal do episcopado brasileiro, a Santa Sé autorizou que o país mantivesse sua tradição de celebrar o Dia da Bíblia no último domingo de setembro e concentrasse ali a principal mobilização pastoral em torno da Palavra de Deus.
O que a Aperuit illis determinou para a Igreja universal
Na Aperuit illis, Francisco determinou que o 3º Domingo do Tempo Comum fosse reservado à Palavra de Deus. A proposta não é apenas acrescentar uma data simbólica ao calendário. O documento pede que as comunidades deem destaque à proclamação das Escrituras, à reflexão e à sua difusão, reforçando o lugar da Bíblia na liturgia e na vida cristã.
Por cair no início do Tempo Comum, a celebração também foi situada num período em que a Igreja recorda a unidade entre os cristãos e o vínculo com o povo judeu. Esse enquadramento faz parte da lógica universal da data de janeiro.
Por que o Brasil pediu para manter setembro
Quando a celebração universal foi criada, a Igreja no Brasil já possuía uma prática consolidada: o Mês da Bíblia em setembro. A CNBB explica que o mês é tradicionalmente usado para estudo, oração, formação e iniciativas comunitárias centradas nas Escrituras, com o último domingo funcionando como um ponto alto dessa mobilização.
Por isso, na 58ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos aprovaram o envio de um pedido à Santa Sé para conservar a organização brasileira. A autorização permitiu preservar a tradição do último domingo de setembro sem romper a comunhão com a celebração universal de janeiro.
Na prática, a orientação descrita pela CNBB é dupla: em janeiro, as comunidades brasileiras podem recordar o Domingo da Palavra de Deus em sintonia com a Igreja no mundo inteiro; em setembro, permanecem a ênfase pastoral, os subsídios e a mobilização nacional ligados ao Mês da Bíblia.
Linha do tempo: como janeiro e setembro passaram a conviver
- Antes de 2019: o Brasil já mantinha uma tradição de décadas de dedicar setembro à Bíblia, com o último domingo do mês associado ao Dia da Bíblia e com forte relação com a memória de São Jerônimo em 30 de setembro.
- 30 de setembro de 2019: o Papa Francisco publica a Aperuit illis e institui para toda a Igreja o Domingo da Palavra de Deus no 3º Domingo do Tempo Comum.
- 58ª Assembleia Geral da CNBB: o episcopado brasileiro aprova um pedido à Santa Sé para preservar a prática nacional de setembro.
- Janeiro de 2022: a CNBB torna pública a autorização e explica que janeiro continua sendo lembrado em comunhão com a Igreja universal, enquanto a principal ênfase brasileira permanece em setembro.
- 2026: o último domingo de setembro cai em 27 de setembro. Neste ano, a CNBB propõe o livro de Daniel para o aprofundamento do Mês da Bíblia.
Igreja universal x Brasil
| Ponto | Igreja universal | Brasil |
|---|---|---|
| Data de referência | 3º Domingo do Tempo Comum, normalmente em janeiro | Último domingo de setembro como principal ênfase nacional |
| Base | Aperuit illis, de 2019 | Tradição do Mês da Bíblia e autorização da Santa Sé após pedido da CNBB |
| Objetivo | Celebrar, refletir e divulgar a Palavra de Deus | O mesmo objetivo, integrado a um mês inteiro de estudo, oração e animação bíblica |
| O que ocorre em janeiro no Brasil | O país permanece em comunhão com a celebração universal | A CNBB recomenda que a Palavra de Deus seja recordada, mas concentra a mobilização pastoral em setembro |
O que muda para quem participa das celebrações no Brasil
Para o fiel, o ponto mais importante é não tratar janeiro e setembro como se um anulasse o outro. A data universal continua explicando por que existe um Domingo da Palavra de Deus no calendário da Igreja. A tradição brasileira explica por que muitas dioceses, paróquias, comunidades e materiais pastorais dão visibilidade muito maior ao tema em setembro.
Também é por isso que uma pessoa pode encontrar referências ao Domingo da Palavra de Deus em janeiro e, meses depois, ver novas celebrações, encontros, estudos bíblicos e subsídios no fim de setembro. As duas referências têm funções complementares dentro da prática brasileira.
Em 2026, qual é a data no Brasil?
Em 2026, o último domingo de setembro é 27 de setembro. O Mês da Bíblia deste ano tem como livro proposto para estudo o Livro de Daniel, conforme material e programação divulgados pela CNBB. A escolha do livro não altera a regra da data, mas orienta o conteúdo formativo e pastoral do mês.
Quem organiza celebrações ou atividades locais deve conferir também o calendário e os subsídios da própria diocese ou paróquia, porque a forma concreta de marcar a data pode variar de comunidade para comunidade.





