Jogos e Análises23/08/2026Redação do Futebol Sergipano9 min de leituraAtualizado em 15/09/2026

Sergipe x Itabaiana: quem venceu mais? Retrospecto do Clássico da Paz com critério e fontes

O Sergipe lidera os recortes gerais documentados, mas o Clássico da Paz muda de leitura quando se separa Sergipano, mata-matas, período recente e finais.

Arte editorial horizontal com escudos estilizados de Sergipe e Itabaiana frente a frente em um estádio, nas cores vermelha e azul, com chamada para o retrospecto do Clássico da Paz.

A resposta curta depende do cuidado com a palavra “histórico”. Na base atualmente apresentada pelo oGol, o Sergipe leva vantagem clara sobre o Itabaiana: são 75 jogos documentados em todas as competições, com 34 vitórias coloradas, 22 empates e 19 vitórias do Tremendão. O último confronto dessa base é a vitória do Sergipe por 1 a 0 no Mendonção, em 21 de janeiro de 2026, pelo Campeonato Sergipano.

Esse número, porém, não deve ser vendido como a soma definitiva de todos os Clássicos da Paz já disputados. Uma cronologia comunitária dedicada ao confronto já numerava como 303º encontro o jogo de 28 de janeiro de 2024. A diferença é grande demais para ser tratada como simples erro de soma: as bases têm coberturas, critérios e lacunas diferentes. Por isso, o melhor caminho é responder por recortes auditáveis e dizer claramente o que cada número mede.

No recorte geral do oGol, o Sergipe venceu mais

Tomando o oGol como uma base principal de consulta porque ele permite separar competições e confrontos documentados, a vantagem é do Sergipe. Nos 75 jogos listados, o time colorado tem 34 vitórias, contra 19 do Itabaiana, além de 22 empates. Em proporção, isso representa aproximadamente 45% de vitórias do Sergipe, 25% do Itabaiana e 29% de empates.

A diferença de 15 triunfos é suficiente para responder à pergunta “quem venceu mais?” dentro dessa base. O ponto metodológico é não transformar “75 jogos documentados pelo oGol” em “75 jogos em toda a história”. A própria comparação com cronologias históricas mais extensas mostra que o banco não contém toda a longa sequência do clássico desde as décadas anteriores.

A vantagem aparece também quando o local é separado. O oGol registra 39 jogos com mando do Itabaiana, com 17 vitórias do Sergipe, 12 do Itabaiana e 10 empates. Nos 36 jogos com mando do Sergipe, são novamente 17 triunfos colorados, sete do Itabaiana e 12 empates. Ou seja: no conjunto documentado pela base, a superioridade do Sergipe não depende apenas de um dos estádios.

No Campeonato Sergipano, a vantagem também é colorada

O Campeonato Sergipano concentra a maior parte dos jogos registrados pelo oGol. A página do confronto separa 61 partidas do estadual, com 28 vitórias do Sergipe, 19 empates e 14 vitórias do Itabaiana. Nesse recorte, o Sergipe tem exatamente o dobro de triunfos do rival.

Há, no entanto, uma divergência que ajuda a entender por que números de retrospecto precisam vir acompanhados de fonte e período. Em matéria sobre os confrontos pelo estadual no milênio, o ge informou 29 vitórias do Sergipe, 13 do Itabaiana e 19 empates desde 2000. Essa soma também chega a 61 partidas, apesar de o recorte temporal não ser o mesmo do total apresentado pelo oGol. Não é correto juntar os dois números como se representassem a mesma amostra.

O que permanece estável nas duas leituras é a direção do resultado: o Sergipe aparece à frente. O que muda é a margem e, sobretudo, a quantidade de partidas que cada fonte conseguiu ou decidiu incorporar. Para um retrospecto verificável, a fonte deve ser citada junto com o número.

Por que aparecem contagens históricas tão diferentes

A cronologia comunitária do Clássico da Paz é muito mais extensa. Ela numerava o confronto de 28 de janeiro de 2024 como o jogo 303 e preserva partidas de décadas antigas, inclusive episódios decisivos dos anos 1970 e 1980. Isso não torna automaticamente essa compilação superior em todos os critérios, mas demonstra que a contagem de 75 do oGol é um subconjunto documental, não um censo universal de todos os encontros.

As divergências podem nascer de vários pontos: partidas antigas sem ficha completa, jogos de turnos e quadrangulares que funcionavam como decisões, amistosos, torneios extintos, partidas anuladas e repetidas, jogos decididos por pênaltis e diferentes formas de classificar o que foi “final” ou “mata-mata”. O caso de 1979 é um exemplo concreto. Um Sergipe x Itabaiana pela decisão dos quadrangulares de 1978 foi interrompido após confusão, anulado e repetido; o ge registra o episódio conhecido como “jogo da vergonha” e separa o duelo anulado da partida que realmente valeu.

Por isso, uma contagem séria precisa declarar se inclui jogo anulado, se considera pênaltis como vitória ou empate estatístico, se soma amistosos e quais competições antigas entram na amostra. Sem essas regras, dois números diferentes podem estar ambos corretos dentro de universos diferentes.

Mata-matas: o Itabaiana leva vantagem quando o critério é classificação

O ge publicou em 2022 um levantamento baseado na RSSSF para os confrontos eliminatórios e decisivos do Campeonato Sergipano. Antes da semifinal daquele ano, o recorte somava 24 partidas de mata-mata e apontava sete duelos vencidos pelo Itabaiana contra seis do Sergipe. A reportagem também ressalvava a incerteza da contagem histórica e excluía o jogo anulado de 1979.

A semifinal de 2022 mudou o placar das séries. O Sergipe venceu a ida por 2 a 0, perdeu a volta por 1 a 0 e avançou pelo agregado, igualando em sete a sete o número de confrontos eliminatórios vencidos, se for mantido o mesmo critério do levantamento.

Em 2023, o Itabaiana retomou a dianteira. Depois de vencer a ida da semifinal por 2 a 1, o Tremendão perdeu a volta pelo mesmo placar. A vaga foi para os pênaltis, e o Itabaiana venceu por 5 a 4. Em 2025, os rivais voltaram a se enfrentar em fase eliminatória do estadual, desta vez em jogo único pela segunda fase, e o Itabaiana venceu por 2 a 0.

Atualizando apenas o recorte de mata-matas do Campeonato Sergipano e mantendo como unidade a série ou fase vencida, a vantagem passa a nove classificações ou decisões favoráveis ao Itabaiana contra sete do Sergipe. Esse dado não contradiz o retrospecto geral: ele responde a outra pergunta. O Sergipe ganhou mais partidas na base ampla; o Itabaiana tem melhor saldo quando se observa quem avançou ou levou a melhor em confrontos eliminatórios desse recorte estadual.

Nos últimos dez anos do Sergipano, o equilíbrio aumenta

Para o período recente, o recorte mais comparável é o Campeonato Sergipano desde 2016. Em fevereiro de 2026, o ge informou que Sergipe x Itabaiana havia se repetido 26 vezes no estadual desde 2016, incluindo o encontro de janeiro daquele ano.

Recontando os resultados desse conjunto, são nove vitórias do Sergipe, sete do Itabaiana e dez empates. A diferença cai, portanto, para apenas dois triunfos. O desenho recente é muito mais equilibrado do que o acumulado documentado pelo oGol no estadual, onde o Sergipe aparece com o dobro de vitórias.

Esse período também mostra alternância forte. Em 2016, houve cinco clássicos estaduais, com uma vitória para cada lado e três empates. Em 2018, o Itabaiana venceu dois dos quatro jogos, mas os dois confrontos da final terminaram empatados e o Sergipe foi campeão pelo regulamento. Em 2020, o Sergipe venceu os três encontros do estadual. Em 2022, cada clube ganhou uma partida da semifinal, mas o Sergipe avançou. Em 2023, o Sergipe venceu dois dos três jogos, porém o Itabaiana ganhou a série nos pênaltis. Em 2025, o Itabaiana empatou o primeiro clássico e venceu o confronto eliminatório por 2 a 0. Em 2026, no único Clássico da Paz do estadual, o Sergipe venceu por 1 a 0 no Mendonção.

O recorte recente confirma uma regra importante para ler retrospectos: número de vitórias em partidas e sucesso em mata-matas não são a mesma métrica.

As finais mostram como o regulamento muda a leitura

Sergipe e Itabaiana têm uma história longa de jogos que decidiram títulos ou turnos, mas as fórmulas antigas do Campeonato Sergipano tornam perigoso chamar tudo de “final” no sentido moderno. Em 1973, por exemplo, a decisão teve três partidas e o Itabaiana conquistou o título após a série terminar com uma vitória para cada lado e um empate, seguida de desempate por pênaltis. Em 1978, o Itabaiana voltou a ser campeão diante do Sergipe em uma melhor de três marcada por placares mínimos.

A década de 1980 adiciona casos ainda mais complexos. Em 1982, o próprio histórico oficial do Sergipe registra título dividido entre Itabaiana e Sergipe após uma disputa que extrapolou o campo. Em 1985, o Sergipe garantiu o estadual ao empatar por 1 a 1 com o Itabaiana no Batistão; reportagens de 2016 tratavam esse jogo como a última final estadual entre os dois antes do reencontro daquele ano.

No formato moderno, o Sergipe levou as duas decisões estaduais mais recentes entre os rivais. Em 2016, venceu a ida por 1 a 0 e empatou a volta por 1 a 1. Em 2018, os jogos terminaram 1 a 1 e 0 a 0, e o regulamento colocou a taça nas mãos do time colorado.

Fora do Campeonato Sergipano, a final da Copa Governo do Estado de 2025 teve outro vencedor. O Itabaiana bateu o Sergipe por 1 a 0 na Arena Batistão e conquistou o título. Misturar essa decisão com as finais do estadual sem indicar a competição produziria mais uma contagem enganosa.

Então, quem leva vantagem no Clássico da Paz?

Se a pergunta for pelo recorte geral documentado no oGol, a resposta é Sergipe: 34 vitórias contra 19 do Itabaiana, com 22 empates em 75 jogos. Se a pergunta for somente pelo Campeonato Sergipano dentro da mesma base, a vantagem também é do Sergipe: 28 vitórias contra 14, além de 19 empates.

Se o foco for o Sergipano desde 2016, a distância diminui bastante: em 26 partidas, a recontagem do período dá nove vitórias do Sergipe, sete do Itabaiana e dez empates. Já quando o critério é quem venceu a série ou fase de mata-mata do estadual, a atualização do levantamento do ge/RSSSF favorece o Itabaiana, com nove decisões de confronto contra sete

do Sergipe.

A conclusão mais segura, portanto, é dupla. O Sergipe venceu mais partidas nos recortes gerais auditáveis usados aqui. O Itabaiana, porém, apresenta vantagem no recorte de classificações em mata-matas estaduais. E nenhum número deve ser apresentado como “o histórico absoluto” sem explicitar a base, porque cronologias mais amplas já registram centenas de encontros que não aparecem no banco de 75 jogos do oGol.

Fontes e critério usados neste retrospecto

O oGol foi usado como base principal para o total documentado, a divisão por Campeonato Sergipano e o último confronto de 2026. O ge foi usado para o levantamento de mata-matas baseado na RSSSF, para o recorte do estadual desde 2016, para decisões recentes e para resultados de 2025. A RSSSF Brasil foi usada para conferir a edição de 2026 do Campeonato Sergipano.

A cronologia comunitária “Confrontos entre Itabaiana e Sergipe no futebol” foi usada como contraponto de cobertura histórica, porque sua numeração já chegava ao jogo 303 em janeiro de 2024. Registros do Futebol80 e do acervo histórico do próprio Sergipe ajudam a verificar decisões antigas, como 1985 e o título compartilhado de 1982.

A regra editorial é não somar bases incompatíveis. Quando duas fontes têm universos diferentes, o artigo mantém os números separados e identifica o que cada um mede. Esse é o critério que permite responder “quem venceu mais?” sem transformar uma base parcial em uma falsa certeza histórica.

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