Não, pelo último cálculo público divulgado antes da oficialização da transferência, o Palmeiras ainda não havia batido a meta de R$ 399,6 milhões em receitas com negociações de atletas para 2026. Em 26 de agosto, o clube calculava cerca de R$ 344 milhões, equivalentes a aproximadamente 86% do objetivo anual. Esse total já incluía a parte fixa da venda de Allan ao Manchester City. A confirmação do negócio pelo clube inglês em 31 de agosto não transforma automaticamente os bônus em receita assegurada.
O ponto que causa confusão é simples: a transferência de Allan pode ser apresentada como um negócio de até €40 milhões, mas o Palmeiras considerou para sua conta orçamentária apenas os €37,5 milhões fixos, cerca de R$ 225 milhões na cotação usada no cálculo divulgado. Os outros €2,5 milhões dependem do cumprimento de metas. Por isso, somar o valor máximo de todas as vendas e comparar diretamente com o orçamento pode produzir uma conclusão errada.
Quanto falta para a meta de R$ 399,6 milhões?
Tomando como referência os cerca de R$ 344 milhões informados em 26 de agosto, faltavam aproximadamente R$ 55,6 milhões para atingir os R$ 399,6 milhões previstos no orçamento de 2026. O valor é aproximado porque o total de R$ 344 milhões foi divulgado de forma arredondada e parte das negociações é denominada em euro ou dólar.
| Referência | Valor aproximado | Entra na conta divulgada? |
|---|---|---|
| Meta de negociações de atletas em 2026 | R$ 399,6 milhões | É o objetivo anual |
| Total calculado pelo Palmeiras em 26/08 | R$ 344 milhões | Sim |
| Parcela fixa de Allan | €37,5 milhões, cerca de R$ 225 milhões | Sim |
| Bônus de Allan | Até €2,5 milhões, cerca de R$ 15 milhões | Não, enquanto condicionais |
| Diferença para a meta no recorte de 26/08 | Cerca de R$ 55,6 milhões | Ainda a realizar |
A meta de R$ 399,6 milhões foi divulgada em dezembro de 2025 como a principal fonte de receita prevista no orçamento palmeirense para 2026. Segundo o ge, a rubrica representava cerca de 32% do orçamento de receitas do clube para a temporada. A página de transparência do Palmeiras também disponibiliza o orçamento aprovado e os balancetes mensais do exercício.
A venda de Allan já estava dentro dos R$ 344 milhões
Esse é o detalhe mais importante para responder à pergunta. O total de R$ 344 milhões não era o valor antes de Allan. Era o cálculo já impulsionado pela transferência do atacante.
Na apuração publicada em 26 de agosto, o ge detalhou a metodologia atribuída ao clube: para Allan, o Palmeiras considerava aproximadamente R$ 225 milhões correspondentes aos €37,5 milhões fixos, justamente por serem a parcela assegurada. A matéria também informa que o mecanismo de solidariedade da Fifa não era contabilizado nessa conta orçamentária.
Em 31 de agosto, o Manchester City confirmou oficialmente a contratação de Allan, com contrato de cinco anos, sujeito à liberação internacional. O clube inglês não divulgou o preço em seu anúncio. A divisão entre €37,5 milhões fixos e €2,5 milhões em bônus foi reportada por veículos como ge e UOL.
Por que aparece €40 milhões em rankings, mas €37,5 milhões na meta?
Porque são perguntas diferentes. Um ranking de maiores vendas costuma destacar o valor potencial do pacote: quanto a operação pode render se todas as condições forem cumpridas. Já o acompanhamento de uma meta orçamentária precisa separar o que é garantido do que depende de eventos futuros.
- €37,5 milhões fixos: parcela contratada e considerada assegurada no cálculo divulgado pelo Palmeiras.
- Até €2,5 milhões em bônus: parcela variável; só pode ser tratada como realizada quando as condições previstas forem cumpridas.
- €40 milhões: teto potencial do negócio, útil para rankings e para descrever o pacote completo, mas não equivalente à receita garantida naquele momento.
Mesmo em um cenário no qual todos os bônus de Allan fossem posteriormente atingidos e valessem cerca de R$ 15 milhões, o total de R$ 344 milhões subiria, em uma conta simplificada e mantendo todo o resto constante, para algo perto de R$ 359 milhões. Ainda faltariam aproximadamente R$ 40,6 milhões para a meta. Portanto, os bônus de Allan, sozinhos, não fechariam a diferença.
O que o Palmeiras contou além de vendas diretas?
A expressão “vendas de jogadores” pode sugerir apenas transferências definitivas do elenco principal, mas a conta divulgada pelo clube é mais ampla. O levantamento de 26 de agosto considerava valores a que o Palmeiras tinha direito em negociações de 11 atletas.
Além de Allan, entravam as operações de Kaique com o Sporting, Facundo Torres com o Austin FC e Naves com o Necaxa, além de uma participação mantida pelo Palmeiras na transferência de Jhon Jhon do Red Bull Bragantino para o Zenit. Também apareciam receitas menores relacionadas a Gabriel Silva, Pedro Lima, Léo Azevedo e Pedro Felipe, atletas sobre os quais o clube ainda detinha percentuais, e empréstimos remunerados de Sorriso e Luighi.
Isso mostra por que uma lista de “vendas diretas” pode chegar a um número diferente do acompanhamento orçamentário. No próprio material publicado pelo ge, o Palmeiras inclui percentuais econômicos preservados em negócios futuros e empréstimos remunerados, mas exclui o mecanismo de solidariedade da Fifa para essa finalidade.
O ano da receita também importa
Outra armadilha é usar apenas a data em que o dinheiro é comentado na imprensa. O exemplo citado pelo ge é Aníbal Moreno: a negociação com o River Plate foi fechada em dezembro de 2025 e, por isso, ficou nas contas e metas do ano anterior, apesar de a transferência estar ligada à montagem do elenco da temporada seguinte.
Na prática, isso significa que não se deve concluir que toda entrada de caixa relacionada a um atleta em 2026 pertence necessariamente à meta de 2026, nem que toda cifra anunciada em uma transferência será reconhecida integralmente no mesmo instante. Sem o contrato e os demonstrativos contábeis correspondentes, o mais seguro é seguir o critério informado pelo próprio clube para o acompanhamento da meta.
E a possível venda de Riquelme Fillipi?
Depois do cálculo de R$ 344 milhões, o Palmeiras encaminhou a negociação de Riquelme Fillipi com o Inter Miami. Em 27 de agosto, o ge informou que as partes trocavam documentos para uma venda de 60% dos direitos econômicos do atacante.
Até o recorte usado aqui, em 31 de agosto de 2026, essa operação ainda não tinha uma confirmação pública equivalente à de Allan que permitisse incorporá-la com segurança ao total. Se for concluída e reconhecida pelo clube em 2026, reduzirá a distância para a meta — mas o valor efetivamente contabilizado deve ser verificado quando o negócio estiver formalizado.
Então, Palmeiras bateu ou não bateu a meta?
Não no último cálculo público disponível. A venda de Allan foi decisiva para levar o Palmeiras a cerca de R$ 344 milhões, ou 86% dos R$ 399,6 milhões previstos, mas esse número já continha a parcela fixa da transferência. A oficialização pelo Manchester City em 31 de agosto confirma que Allan mudou de clube; não adiciona outros R$ 225 milhões a uma conta que já os considerava.
Para acompanhar a meta sem misturar conceitos, use três perguntas: o valor é fixo ou bônus?; o Palmeiras tem direito a qual percentual?; e em qual exercício o clube está reconhecendo a operação? Com esse critério, a fotografia mais defensável em 31 de agosto é: cerca de R$ 344 milhões contabilizados no acompanhamento divulgado e aproximadamente R$ 55,6 milhões ainda faltando, sujeitos a novas negociações e ao reconhecimento de receitas variáveis ao longo do restante de 2026.





