O pacote aprovado pela CBF em 10 de agosto de 2026 começou a ser aplicado na Série A do Brasileirão na 23ª rodada, no fim de semana de 15 e 16 de agosto. Na lista oficial divulgada pela entidade, oito medidas passaram a valer de imediato e uma nona — a possibilidade de o VAR corrigir um escanteio claramente concedido por engano — ficou para 2027. O objetivo declarado é reduzir atrasos, acelerar reinícios e ampliar o tempo efetivo de jogo.
Há um detalhe importante: nem todos os itens têm a mesma natureza. Parte do pacote vem diretamente das Regras do Jogo 2026/27 da IFAB; outros são protocolos ou opções que a competição pode adotar. Por isso, a leitura prática deve considerar tanto a comunicação da CBF quanto o texto da IFAB.
As 8 medidas que já valem no Brasileirão 2026
| Regra | Situação de jogo | O que acontece |
|---|---|---|
| 1. Cinco segundos no arremesso lateral | O árbitro entende que a equipe está atrasando deliberadamente a cobrança. | O árbitro apita, sinaliza e inicia contagem visual de cinco segundos. Se a bola não entrar em jogo até o fim, o lateral passa ao adversário no mesmo local. |
| 2. Cinco segundos no tiro de meta | Há atraso deliberado para executar o tiro de meta. | O árbitro inicia a contagem visual. Se o reinício não ocorrer a tempo, é concedido escanteio ao adversário, no lado mais próximo de onde o tiro de meta seria cobrado. |
| 3. Dez segundos para sair na substituição | A placa de substituição é mostrada ou o árbitro autoriza a troca. | O jogador substituído deve deixar o campo em até dez segundos, salvo situações como lesão ou segurança. Se exceder o limite sem justificativa, o substituto só poderá entrar na primeira paralisação após transcorrer um minuto de jogo a partir do reinício. |
| 4. Um minuto fora após atendimento | Um jogador de linha causa a paralisação por lesão real ou suspeita, recebe avaliação/tratamento em campo ou pede atendimento após consulta do árbitro. | Depois de sair, precisa permanecer fora durante um minuto de relógio corrido após o reinício, salvo as exceções previstas na Regra 5. |
| 5. Atendimento ao goleiro gera um minuto fora para jogador de linha | O goleiro recebe atendimento em campo. | Na orientação operacional divulgada pela CBF, o treinador indica um jogador de linha para cumprir um minuto fora após o reinício. |
| 6. Capitão como interlocutor principal | Há decisão importante, discussão ou risco de jogadores cercarem o árbitro. | A CBF adotou o princípio de um interlocutor por equipe. As diretrizes da IFAB preservam interações normais, mas permitem restringir a aproximação em situações relevantes e advertir com amarelo quem desrespeitar a zona reservada ao capitão. |
| 7. Cobrir a boca em confronto pode dar vermelho | Um jogador cobre intencionalmente a boca durante situação de confronto com um adversário. | A CBF adotou a opção aprovada pela IFAB/FIFA para que a conduta seja passível de cartão vermelho — medida que a entidade passou a chamar de “Protocolo Vini Jr.”. |
| 8. VAR pode corrigir segundo amarelo claramente errado | Um segundo cartão amarelo provoca expulsão e há evidência clara de que a advertência foi aplicada incorretamente. | O VAR passa a poder auxiliar a arbitragem na correção do erro disciplinar. A decisão final sobre o lance e o reinício segue a conclusão da arbitragem. |
1. Lateral: os cinco segundos não começam automaticamente em todo arremesso
A comunicação resumida da CBF diz que a contagem começa quando o jogador tem a bola em mãos. O protocolo completo da IFAB é mais específico: o mecanismo existe para combater atraso deliberado. Ao identificar a demora, o árbitro pode advertir verbalmente, apitar, sinalizar o reinício e fazer a contagem visual de cinco segundos.
A contagem pode começar mesmo antes de o cobrador estar com a bola se ele estiver retardando a reposição de propósito — por exemplo, buscando a bola lentamente ou posicionando-se de forma incorreta. Se o tempo acabar sem a cobrança, o lateral é revertido. O cartão amarelo não é automático pela demora original; ele aparece se, depois da reversão, o jogador ou um companheiro ainda atrasar excessivamente o novo reinício.
2. Tiro de meta: atraso pode virar escanteio
O mesmo princípio vale no tiro de meta. Quando o árbitro identifica atraso deliberado, ele inicia a contagem visual de cinco segundos. Se a equipe não recolocar a bola em jogo, o adversário recebe um escanteio no lado do campo mais próximo do ponto em que o tiro de meta seria executado.
Na prática, a mudança torna mais cara a tentativa de consumir tempo em uma reposição defensiva: o time não perde apenas segundos; pode entregar ao adversário uma bola parada ofensiva.
3. Substituição: sair devagar pode deixar o time temporariamente com dez
Depois que a substituição é sinalizada, o atleta que vai sair tem dez segundos para cruzar a linha de campo. A regra mantém a orientação de deixar o gramado pelo ponto mais próximo, salvo indicação diferente do árbitro.
Se o prazo for excedido sem motivo aceitável, a troca não é cancelada, mas o substituto fica impedido de entrar imediatamente. O jogo reinicia e ele só poderá entrar na primeira paralisação depois que se completar um minuto de relógio corrido. Há exceções quando uma lesão impede claramente a saída rápida ou quando o ponto mais próximo não é seguro. O amarelo só é previsto se o atraso for excessivo.
4. Atendimento médico: o minuto conta depois que a bola volta a rolar
Para jogadores de linha, a IFAB passou a exigir que o atleta atendido ou responsável por uma paralisação por lesão saia e permaneça fora por um minuto após o reinício. Portanto, não é “um minuto desde que saiu”: o relógio relevante começa quando o jogo recomeça.
A medida tenta reduzir paradas táticas sem eliminar a avaliação médica. O protocolo dá espaço para uma avaliação inicial e mantém exceções da Regra 5 para situações em que o jogador não precisa deixar o campo.
5. Se o goleiro é atendido, a CBF prevê um jogador de linha fora
A lista operacional da CBF acrescenta um procedimento específico para atendimento ao goleiro: o treinador indica um jogador de linha para cumprir um minuto fora após o reinício. Esse item merece atenção porque o resumo da Circular 32 da IFAB formula o protocolo geral de um minuto para jogadores de linha lesionados; no Brasileirão, a referência prática é a orientação específica publicada pela CBF para suas competições.
Isso significa que uma parada para atendimento do goleiro pode produzir uma desvantagem numérica temporária mesmo que o próprio goleiro permaneça em campo.
6. “Só o capitão fala” não significa silêncio absoluto dos outros jogadores
A CBF resumiu a medida como “somente o capitão fala com o árbitro”, com um interlocutor por equipe. As diretrizes da IFAB são mais detalhadas: interações normais continuam permitidas, mas, em decisões importantes ou momentos de tensão, o árbitro pode limitar a aproximação aos capitães e criar uma zona em torno de si.
Jogadores que invadirem essa zona sem autorização podem receber amarelo por protesto em ação. Se o capitão for goleiro, a equipe pode indicar um jogador de linha para exercer a função de interlocutor quando necessário. A IFAB determinou que esse protocolo será obrigatório mundialmente para competições iniciadas a partir de 1º de julho de 2027; a CBF optou por adotá-lo antes no futebol brasileiro.
7. O chamado “Protocolo Vini Jr.” pode resultar em expulsão
Em abril de 2026, a IFAB aprovou, por proposta da FIFA, uma opção disciplinar para situações em que um jogador cobre a boca durante confronto com adversário, dificultando a leitura labial. A CBF incorporou a medida ao pacote nacional e a divulgou como “Protocolo Vini Jr.”.
A redação oficial trata a conduta como passível de cartão vermelho, e não como uma prova automática sobre o conteúdo do que foi dito. No primeiro fim de semana de aplicação das novas regras na Série A, a CBF informou que houve um caso de uso desse protocolo em Vitória x Botafogo.
8. O VAR ganha uma nova porta de entrada: segundo amarelo que expulsa
Antes, a lógica do VAR concentrava-se em gols, pênaltis, vermelhos diretos e erros de identidade dentro dos limites do protocolo. A edição 2026/27 passou a permitir assistência quando uma expulsão nasce de um segundo amarelo claramente incorreto.
Isso não transforma todo segundo amarelo em revisão obrigatória. O critério é haver evidência clara do erro. O objetivo é impedir que uma advertência equivocada produza uma expulsão que o sistema de vídeo poderia corrigir.
A 9ª mudança ficou para 2027: VAR em escanteio claramente errado
A IFAB autorizou, como opção de competição, que o VAR ajude a corrigir um escanteio claramente concedido por engano quando isso puder ser feito imediatamente e sem atrasar o reinício. A CBF, porém, anunciou essa checagem como aprovada para 2027.
Assim, no Brasileirão 2026, o torcedor não deve esperar uma checagem de VAR em todo escanteio duvidoso. A novidade anunciada pela CBF para esta temporada é a intervenção no segundo amarelo que gera expulsão; a correção específica de escanteios entra no pacote nacional somente no ano seguinte.
Por que algumas listas falam em 9 ou 10 mudanças?
Há uma fonte comum de confusão: o limite de oito segundos para o goleiro controlar a bola com mãos ou braços. Essa regra já havia sido introduzida na temporada 2025/26 da IFAB, com escanteio ao adversário quando o goleiro ultrapassa o limite. A própria Circular 32 de 2026 se refere a ela como uma medida do ano anterior.
Por isso, algumas reportagens somam esse limite ao pacote de agosto e chegam a dez itens. Já a lista oficial que a CBF publicou em 10 e 17 de agosto de 2026 apresenta nove itens: os oito que passaram a valer imediatamente no anúncio e a checagem de escanteio reservada para 2027. Para acompanhar a pauta desta temporada, essa é a contagem mais consistente.
O que mudou no primeiro fim de semana
As novas regras estrearam na Série A na 23ª rodada. Após os nove jogos realizados no sábado e no domingo, a CBF informou que a média de bola rolando subiu de 52min54s, registrada antes da pausa para a Copa do Mundo, para 55min29s. O aumento inicial foi de 2min35s por partida.
A própria entidade pediu cautela: era apenas o primeiro fim de semana e uma avaliação robusta exigiria mais jogos. Antes da implementação, a CBF havia apresentado uma estimativa de que o conjunto usado na Copa do Mundo poderia acrescentar 5min49s de bola em jogo por partida. Portanto, o dado inicial é um sinal, não uma prova definitiva de efeito permanente.
Como reconhecer as novas regras durante uma partida
- Lateral ou tiro de meta: procure o apito e a contagem visual de cinco segundos quando o árbitro identificar atraso deliberado.
- Substituição: observe se o atleta sai rapidamente após a placa; demora injustificada pode adiar a entrada do substituto.
- Atendimento: o minuto fora é contado após o reinício, não enquanto o jogo está parado.
- Goleiro atendido: a CBF prevê que um jogador de linha indicado cumpra o minuto fora.
- Discussões com a arbitragem: em situações relevantes, a aproximação deve ser canalizada pelo capitão.
- Confronto com boca coberta: a conduta pode gerar vermelho dentro do protocolo adotado pela CBF.
- Segundo amarelo: uma expulsão baseada em advertência claramente errada pode receber auxílio do VAR.
- Escanteio: a checagem específica anunciada pela CBF fica para 2027.
Fontes oficiais para consultar
A relação adotada no Brasil foi publicada pela CBF em 10 de agosto de 2026 e reapresentada no balanço da estreia na Série A em 17 de agosto. Para o texto internacional, são referências a Circular 32 da IFAB, o protocolo de contagem para laterais e tiros de meta, o protocolo de substituição, o protocolo de atendimento fora de campo e as diretrizes de “somente o capitão”. A opção de cartão vermelho por cobrir a boca em confronto foi anunciada pela FIFA/IFAB em 28 de abril de 2026.





