O Conselho de Segurança da ONU está previsto para se reunir na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, em Nova York, para uma sessão aberta sobre inteligência artificial e segurança internacional. O CEO da OpenAI, Sam Altman, participará presencialmente como briefer, segundo confirmação da empresa à Reuters. A reunião foi convocada pela França, que preside o Conselho em setembro, e será presidida pelo ministro francês da Europa e dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot.
A pauta não é uma discussão genérica sobre produtos de IA. O foco anunciado é a relação entre sistemas avançados e riscos que podem afetar paz e segurança internacionais, incluindo uso malicioso, perda de controle, cibersegurança e a necessidade de coordenação entre países. As comunicações públicas consultadas até 20 de setembro confirmam a data e o formato aberto, mas não informam um horário específico para esta sessão de IA.
Quando será a sessão e qual será o formato
| Item | O que está confirmado |
|---|---|
| Data | Quarta-feira, 23 de setembro de 2026 |
| Local | Sede das Nações Unidas, em Nova York, durante a semana de alto nível da Assembleia Geral |
| Formato | Reunião aberta do Conselho de Segurança sobre IA e segurança internacional |
| Presidência | França, com Jean-Noël Barrot na condução da reunião |
| Participação confirmada | Sam Altman, CEO da OpenAI, presencialmente |
| Outros participantes | Diplomatas disseram à Reuters que esperavam presença de alto nível da Anthropic, mas a participação ainda não estava confirmada |
| Horário | Não informado nas comunicações públicas citadas até 20 de setembro |
A diplomacia francesa confirmou que o Conselho se reunirá em 23 de setembro por iniciativa da França e sob sua presidência. O governo francês enquadrou a sessão no segundo de dois eixos de sua agenda de IA durante a semana da ONU: o impacto da tecnologia sobre segurança, especialmente cibersegurança. Um encontro separado, previsto para 22 de setembro, trata do impacto de IA e tecnologias digitais sobre crianças. São agendas distintas.
O que Sam Altman deve abordar
Segundo um porta-voz da OpenAI ouvido pela Reuters, a intervenção de Altman deve se concentrar em três pontos: medidas adotadas pela empresa para tornar a IA segura, formas de ampliar os benefícios da tecnologia para pessoas em diferentes países e a necessidade de coordenação internacional e padrões de segurança compartilhados.
Isso não significa que o Conselho tenha anunciado previamente um conjunto de regras ou um acordo. A presença de um executivo de uma empresa de IA funciona, neste momento, como contribuição técnica e empresarial a uma discussão entre Estados. O conteúdo final das intervenções dos membros do Conselho e qualquer eventual resultado formal dependem da própria reunião.
Quais riscos aparecem na pauta francesa
A nota conceitual francesa descrita pela Reuters coloca no centro da sessão o risco de uso de IA para fins maliciosos e a urgência de promover desenvolvimento seguro e responsável. O documento também propõe que os participantes analisem riscos ligados à perda de controle e ao uso dos modelos mais recentes para desenvolver, facilitar ou executar ações com impacto sobre a paz e a segurança internacionais.
A França também destacou publicamente a cibersegurança. Esse recorte ajuda a explicar por que o tema chegou ao Conselho de Segurança: modelos avançados podem reduzir barreiras para determinadas operações digitais, ampliar a escala de manipulação de informação e acelerar processos de decisão em ambientes de conflito. O debate, portanto, não depende de afirmar que um dano específico ocorrerá, mas de avaliar capacidades que podem alterar o risco internacional.
Por que IA virou assunto de segurança internacional
O Conselho de Segurança tem como responsabilidade central a manutenção da paz e da segurança internacionais. A IA entrou formalmente nessa agenda em 18 de julho de 2023, quando o órgão realizou seu primeiro debate dedicado ao tema. Na ocasião, o secretário-geral António Guterres pediu transparência, responsabilização e supervisão, ao mesmo tempo em que reconheceu o potencial da tecnologia para desenvolvimento e serviços públicos. O registro oficial está disponível no site da ONU.
Em dezembro de 2024, o Conselho voltou a discutir IA em conflitos. A cobertura oficial da ONU registrou preocupações com ataques cibernéticos difíceis de rastrear, desinformação, vigilância e sistemas militares que podem reduzir o controle humano sobre decisões de vida ou morte. A mesma reunião também destacou usos positivos, como detecção de insegurança alimentar, previsão de deslocamentos e apoio à remoção de minas. O resumo da sessão está no registro das Nações Unidas.
Um relatório publicado em setembro de 2026 pelo Security Council Report amplia esse contexto. O documento identifica efeitos da IA sobre cibersegurança, informação, armas cada vez mais autônomas e competição geopolítica por semicondutores, energia, dados, infraestrutura computacional e minerais críticos. Também observa possíveis usos benéficos em prevenção de conflitos, monitoramento de cessar-fogo, operações de paz e mediação.
O que está confirmado e o que ainda não está
- Confirmado: a reunião está prevista para 23 de setembro de 2026 e tratará de IA e segurança internacional.
- Confirmado: será uma reunião aberta do Conselho de Segurança convocada pela França.
- Confirmado: Jean-Noël Barrot deve presidir a sessão.
- Confirmado: Sam Altman participará presencialmente como briefer.
- Esperado, mas não confirmado: presença de alto nível da Anthropic, segundo diplomatas citados pela Reuters.
- Não informado nas fontes citadas: horário específico da sessão de IA.
- Não antecipado: uma resolução, declaração presidencial ou outro resultado formal. As fontes prévias descrevem a agenda e os objetivos do debate, não uma decisão já acordada.
O que observar durante a reunião
O ponto mais importante será verificar quanto da discussão ficará em princípios gerais e quanto avançará para mecanismos concretos. Entre os temas que podem ser detalhados estão a definição de padrões de segurança comuns, formas de avaliação de modelos avançados, compartilhamento internacional de informações sobre riscos e a fronteira entre governança civil de IA e ameaças diretamente ligadas a conflito, terrorismo ou ciberoperações.
Também será relevante observar como os membros do Conselho tratam a participação de empresas privadas. Os modelos mais avançados são desenvolvidos em grande parte fora dos governos, mas seus efeitos podem atravessar fronteiras rapidamente. A sessão coloca essa tensão no centro do debate: Estados mantêm a responsabilidade pela segurança internacional, enquanto empresas detêm parte importante da infraestrutura, dos modelos e do conhecimento técnico.
Até que a reunião aconteça, a leitura mais segura é separar agenda de resultado. O que está anunciado é um briefing de alto nível sobre riscos e coordenação. Qualquer decisão, compromisso ou novo mecanismo precisará ser confirmado depois da sessão.
Fontes
- Reuters, 18 de setembro de 2026
- Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros da França, 17 de setembro de 2026
- Nações Unidas, primeiro debate do Conselho de Segurança sobre IA, 18 de julho de 2023
- Nações Unidas, debate do Conselho sobre IA e conflitos, 19 de dezembro de 2024
- Security Council Report, 15 de setembro de 2026





