Gravidez e Pré-natal10/09/2026Núcleo de Família e Primeira Infância7 min de leituraAtualizado em 16/09/2026

Vacinas da gestante em 2026 por semana: dTpa na 20ª, VSR na 28ª e o que depende do histórico

Veja o calendário 2026 da gestante por etapa, quais vacinas entram na 20ª e 28ª semanas e como o histórico muda hepatite B, dT e outros intervalos.

Gestante em ambiente de pré-natal ao lado de uma linha do tempo de vacinação de 2026, com marcos na 20ª semana para dTpa e na 28ª para VSR e um quadro de histórico vacinal.

Em 2026, o calendário do Ministério da Saúde organiza a vacinação da gestante em três momentos práticos: revisar a situação vacinal assim que a gravidez for confirmada, garantir a dTpa a partir da 20ª semana e fazer a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) a partir da 28ª semana. A principal diferença é que dTpa e VSR são recomendadas em cada gestação, enquanto hepatite B e dT precisam ser ajustadas conforme as doses já registradas no histórico.

O quadro abaixo resume o que deve ser conferido. Ele é informativo e não substitui a avaliação do pré-natal ou do serviço de vacinação, especialmente quando há doenças, condições clínicas especiais, dúvidas sobre doses antigas ou necessidade de vacina para viagem.

Calendário da gestante em 2026: o que conferir em cada etapa

Momento O que entra na revisão O que depende do histórico
Ao saber da gravidez Hepatite B, dT, influenza da temporada, covid-19 e avaliação excepcional para febre amarela Hepatite B e dT; febre amarela também exige avaliação de risco-benefício e situação vacinal
A partir da 20ª semana 1 dose de dTpa em cada gestação O histórico de vacinas com componentes diftérico e tetânico define se ainda faltam doses de dT e ajuda a organizar os intervalos
A partir da 28ª semana 1 dose de vacina contra VSR em cada gestação O calendário de rotina não condiciona essa dose a um esquema anterior; o momento é definido pela idade gestacional

Essas informações constam no Calendário Nacional de Vacinação 2026 para gestantes e no Calendário Técnico Nacional de Vacinação da Gestante, do Ministério da Saúde.

Ao saber da gravidez: leve o histórico para revisar o que está completo

O primeiro passo não é esperar uma semana específica. O Ministério da Saúde orienta revisar a situação vacinal desde a primeira consulta de pré-natal e iniciar a atualização de esquemas em atraso. Por isso, vale levar a caderneta ou outro registro de vacinas disponível.

Hepatite B: completar apenas se o esquema não estiver completo

Para hepatite B, o calendário simplificado indica três doses conforme o histórico vacinal. O calendário técnico esclarece que, se a gestante não tiver esquema completo, deve iniciar ou completar as três doses observando os intervalos recomendados. Se não for possível concluir durante a gestação, a atualização pode continuar no puerpério, preferencialmente até 45 dias após o parto.

Quem já recebeu o esquema completo de três doses ao longo da vida não deve ser revacinada apenas por estar grávida. Essa é uma das razões para o registro anterior ser tão importante: ele evita tanto deixar doses faltantes quanto repetir um esquema que já foi concluído.

dT: o número de doses anteriores muda o que falta fazer

A dT protege contra difteria e tétano e faz parte do esquema básico que deve ser conferido no início do pré-natal. Quando há atraso, a atualização é feita considerando as doses já recebidas e incluindo a dTpa a partir da 20ª semana.

Influenza e covid-19 podem ser tratadas já na revisão inicial

A vacina influenza trivalente é recomendada em qualquer fase da gestação, com uma dose da vacina da temporada. Para covid-19, a recomendação de 2026 é uma dose a cada nova gestação; se houve dose anterior, o calendário técnico orienta intervalo mínimo de seis meses desde a última dose recebida.

Febre amarela é uma situação excepcional na gestação

A vacina contra febre amarela não entra como aplicação rotineira para toda gestante. O calendário admite a vacinação em situações excepcionais, quando a pessoa reside ou viajará para área de risco epidemiológico, não é possível adiar a exposição e o serviço de saúde avalia que o benefício supera o risco. A decisão também considera o histórico vacinal.

A partir da 20ª semana: dTpa é recomendada em toda gestação

A dTpa protege contra difteria, tétano e coqueluche. Em 2026, a regra central é simples: uma dose a partir da 20ª semana gestacional, em cada gestação. O histórico não elimina essa dose, mesmo quando o esquema anterior de dT ou dTpa está completo.

O que o histórico muda é a necessidade de completar o esquema com vacinas que contenham os componentes diftérico e tetânico. A orientação detalhada do Ministério da Saúde pode ser resumida assim:

Histórico de dT/dTpa Conduta indicada durante a gestação
Nenhuma dose prévia Totalizar três doses com componentes diftérico e tetânico: duas doses de dT e uma de dTpa; a dTpa entra a partir da 20ª semana
1 dose prévia Fazer 1 dose de dT e 1 dose de dTpa, com a dTpa a partir da 20ª semana
2 doses prévias Fazer 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana
3 doses ou esquema básico completo Fazer 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana, como dose recomendada para a gestação

O Ministério da Saúde trabalha com intervalo recomendado de 60 dias entre doses contendo componentes diftérico e tetânico e intervalo mínimo de 30 dias quando é preciso organizar o esquema. A página oficial da dTpa detalha as combinações possíveis. Como o calendário precisa ser encaixado na idade gestacional e nas datas reais das doses anteriores, essa parte deve ser confirmada no serviço de vacinação.

A partir da 28ª semana: entra a vacina contra VSR

Para 2026, o calendário prevê uma dose da vacina contra o vírus sincicial respiratório a partir da 28ª semana, em cada gestação. O objetivo é proteger a criança contra infecções do trato respiratório inferior associadas ao VSR, incluindo bronquiolite e pneumonia, nos primeiros meses de vida por meio dos anticorpos transferidos pela gestante.

O calendário técnico recomenda realizar a vacinação o mais precocemente possível dentro da janela indicada, para buscar maior benefício de proteção ao bebê. Diferentemente de hepatite B e dT, a dose de rotina contra VSR não é definida pelo número de doses de um esquema antigo, e sim pela gestação atual e pela idade gestacional.

O que realmente depende do histórico vacinal

  • Hepatite B: depende de quantas doses válidas já foram feitas; quem não completou o esquema deve iniciar ou completar.
  • dT: depende do número de doses anteriores com componentes diftérico e tetânico; isso define quantas doses ainda faltam no esquema básico.
  • dTpa: é feita em cada gestação a partir da 20ª semana, mesmo com esquema anterior completo; o histórico serve para organizar o restante do esquema e os intervalos.
  • Covid-19: é indicada em cada nova gestação, mas uma dose anterior interfere no intervalo mínimo recomendado.
  • Febre amarela: só é considerada em situação excepcional, com avaliação de risco epidemiológico, possibilidade de adiar a exposição e histórico vacinal.
  • VSR: é uma dose em cada gestação a partir da 28ª semana, sem necessidade de completar um esquema anterior no calendário de rotina.

E se a gestante chegar tarde ao pré-natal ou perder uma dose?

Não é necessário presumir que a oportunidade foi perdida. A orientação é apresentar o histórico ao serviço de saúde para reorganizar o esquema conforme a semana de gestação e as doses já recebidas. No caso da dTpa, se a gestante chegar ao serviço a partir da 20ª semana sem vacinação prévia contra difteria e tétano, a própria dTpa pode ser usada como primeira dose e o esquema pode ser completado com dT. Se a dTpa não for feita durante a gestação, o Ministério da Saúde prevê aplicação no puerpério imediato, até 45 dias após o parto.

Para hepatite B, se o esquema não puder ser concluído antes do parto, o calendário técnico também prevê completar a atualização no puerpério, preferencialmente até 45 dias. A influenza da temporada igualmente pode ser administrada no pós-parto até 45 dias quando não foi possível vacinar durante a gestação.

Checklist para levar ao pré-natal ou à sala de vacinação

  • caderneta de vacinação e registros digitais ou comprovantes disponíveis;
  • data da última dose de vacina contra covid-19;
  • registro das doses de hepatite B, dT e dTpa;
  • semana gestacional atual;
  • informação sobre viagem ou residência em área de risco para febre amarela, se houver;
  • informação sobre condição clínica especial, uso de imunobiológicos ou orientação prévia de um CRIE/RIE.

O Calendário de Vacinação do Ministério da Saúde é a referência para conferir atualizações. Pessoas com condições clínicas especiais devem procurar orientação do serviço de saúde e, quando indicado, dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais. Em caso de divergência entre um registro antigo e o calendário vigente, a decisão deve ser feita com a equipe do pré-natal ou da vacinação.

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