Terra e Universo06/08/2026Núcleo de Ciência no Cotidiano7 min de leituraAtualizado em 16/09/2026

Perseidas e eclipse de 12 de agosto: o que será visível do Brasil — e o que não será

Em 12 de agosto de 2026, o eclipse total não será visto nas cidades brasileiras. As Perseidas podem aparecer, sobretudo no Norte e Nordeste, com céu limpo e escuro.

Mapa duplo mostra a faixa do eclipse de 12 de agosto no Hemisfério Norte e a visibilidade limitada das Perseidas por região do Brasil.

Dois eventos astronômicos caem em 12 de agosto de 2026, mas isso não significa que os dois poderão ser observados de qualquer lugar. Para quem estiver em uma cidade brasileira, o eclipse total do Sol não será visível. A faixa de totalidade passará pelo norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Espanha e uma pequena área de Portugal.

Existe uma exceção técnica dentro do território nacional: uma fase parcial muito pequena foi calculada para os Penedos de São Pedro e São Paulo, arquipélago remoto no Atlântico ocupado por uma estação científica. Não é um destino aberto de observação para o público e não muda a orientação prática para as cidades brasileiras.

A observação possível em partes do Brasil será a das Perseidas, chuva de meteoros que atinge seu máximo na noite de 12 para 13 de agosto. Ainda assim, a expectativa precisa ser ajustada: o radiante da chuva fica muito ao norte no céu, favorecendo as regiões Norte e Nordeste e reduzindo bastante a quantidade observável no Centro-Sul do país.

Eclipse e Perseidas não são o mesmo evento

 
Evento O que será visível do Brasil Horário relevante Expectativa realista
Eclipse solar total Não será visível das cidades brasileiras. A totalidade ocorrerá no Hemisfério Norte. O maior eclipse global será às 17h45min54s UTC, equivalentes a 14h45min54s no horário de Brasília. Esse horário se refere a um ponto próximo da Groenlândia, não ao Brasil. Não espere escurecimento do céu, mudança perceptível na luz ou cobertura do Sol em sua cidade.
Eclipse parcial nos Penedos de São Pedro e São Paulo Uma pequena fase parcial foi calculada para esse território oceânico brasileiro. Das 16h15 às 16h43 no horário local, que é UTC−2. Máximo às 16h29, com magnitude 0,034. Efeito discreto, restrito a um arquipélago remoto e sem utilidade prática para o público em geral.
Perseidas Podem ser vistas, principalmente no Norte e Nordeste. A observação piora em direção ao Sul. Máximo principal previsto entre 02h e 04h UTC de 13/08: das 23h de 12/08 à 1h de 13/08 em BRT. O máximo amplo vai de 21h a 09h UTC. Céu escuro e Lua nova ajudam, mas a posição baixa do radiante limita o número de meteoros no Brasil.

Os horários e a posição do maior eclipse vêm dos cálculos do NASA Goddard Space Flight Center. Já as previsões das Perseidas são da International Meteor Organization, que trata o máximo como um intervalo, não como um instante exato.

Por que um mapa global pode levar ao erro

Um mapa de eclipse não mostra apenas horários. Ele mostra onde as sombras da Lua passam sobre a superfície terrestre.

A umbra, parte mais estreita e escura da sombra, marca a faixa onde o Sol fica totalmente encoberto. Em 12 de agosto, essa faixa cruzará regiões do Ártico e do Atlântico Norte antes de alcançar a Europa. A penumbra, mais larga, produz o eclipse parcial ao redor da faixa de totalidade.

As linhas verdes dos mapas da NASA indicam horários em UTC, enquanto as curvas amarelas representam percentuais de cobertura do disco solar. Ver uma linha com “18h UTC” próxima ao mapa não significa que haverá eclipse às 15h no Brasil. É preciso confirmar se a cidade também está dentro da área atingida pela penumbra naquele momento.

É por isso que algumas páginas classificam o evento como “parcial no Brasil”: elas consideram todo o território nacional, incluindo os Penedos de São Pedro e São Paulo. Na prática, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e as demais cidades brasileiras ficam fora da observação útil do eclipse.

O que acontece nos Penedos de São Pedro e São Paulo

Nos Penedos, o eclipse começará às 16h15, chegará ao máximo às 16h29 e terminará às 16h43, sempre no horário local UTC−2. A magnitude calculada é de 0,034, medida que representa a fração do diâmetro do Sol encoberta ao longo da linha que passa pelos centros aparentes dos dois astros. Isso não significa que 3,4% da área solar ficará escondida: magnitude e área coberta são medidas diferentes.

O arquipélago abriga uma estação científica mantida no âmbito de programas de pesquisa apoiados pela Marinha do Brasil. A presença no local é ligada a expedições e equipes científicas, portanto essa exceção geográfica não deve ser tratada como uma oportunidade turística de última hora.

As Perseidas são a observação possível, mas não igualmente em todo o país

As Perseidas ocorrem quando a Terra atravessa uma região com partículas deixadas pelo cometa 109P/Swift-Tuttle. Ao entrarem na atmosfera em alta velocidade, essas partículas produzem os riscos luminosos conhecidos popularmente como estrelas cadentes. O eclipse solar e a chuva de meteoros não causam um ao outro; a coincidência de datas é circunstancial.

Em 2026, a Lua estará nova em 12 de agosto, retirando uma das principais fontes naturais de claridade do céu. A NASA recomenda a noite de 12 para 13 e destaca que a ausência de luar cria condições favoráveis, desde que o local também tenha pouca iluminação artificial e o tempo esteja aberto.

O problema brasileiro é geométrico. O radiante das Perseidas — ponto do qual os meteoros parecem partir — fica na constelação de Perseu, em declinação aproximada de +58 graus. Isso o coloca alto no céu do Hemisfério Norte, mas muito baixo sobre o horizonte norte para observadores brasileiros. A própria IMO informa que a chuva não pode ser observada adequadamente na maior parte do Hemisfério Sul.

A expectativa por região fica assim:

  • Norte e extremo norte do Nordeste: oferecem as melhores condições geométricas do país. O radiante sobe mais durante a madrugada, embora continue bem abaixo da altura alcançada no Hemisfério Norte.
  • Demais áreas do Nordeste: ainda podem registrar meteoros, principalmente nas horas anteriores ao amanhecer, com horizonte norte livre e pouca poluição luminosa.
  • Centro-Oeste e Sudeste: a observação é possível, mas tende a render poucos meteoros associados às Perseidas. O radiante permanece próximo do horizonte e obstáculos como prédios, morros e árvores pesam mais.
  • Sul: a chuva é pouco favorável. Em parte da região, o radiante mal aparece sobre o horizonte; nos pontos mais austrais, pode permanecer praticamente abaixo dele durante a noite.

A taxa zenital horária divulgada para uma chuva de meteoros não deve ser lida como promessa de quantidade. Ela pressupõe céu muito escuro, transparência elevada, radiante no zênite e campo de visão desobstruído. Nenhuma dessas condições geométricas é plenamente atendida no Brasil para as Perseidas. Além disso, a IMO alerta que a atividade de fundo em 2026 pode ficar abaixo do valor de referência tradicional.

Horários das Perseidas nos fusos brasileiros

A IMO prevê o máximo principal entre 02h e 04h UTC de 13 de agosto, dentro de um máximo mais amplo que pode se estender das 21h UTC de 12 de agosto às 09h UTC do dia 13.

A conversão do intervalo principal é:

  • Horário de Brasília, BRT — UTC−3: das 23h de 12/08 à 1h de 13/08;
  • Horário do Amazonas, AMT — UTC−4: das 22h de 12/08 à meia-noite;
  • Horário do Acre, ACT — UTC−5: das 21h às 23h de 12/08;
  • Horário de Fernando de Noronha, FNT — UTC−2: da meia-noite às 2h de 13/08.

No Norte e Nordeste, porém, o radiante ganha altura à medida que a madrugada avança. Por isso, continuar observando depois do núcleo previsto do máximo pode ser mais produtivo do que encerrar exatamente no horário indicado, já que a atividade permanece elevada durante uma faixa mais ampla.

Como observar sem criar uma expectativa impossível

  1. Escolha um lugar escuro, seguro e com visão aberta do horizonte norte e nordeste.
  2. Comece no fim da noite de 12 de agosto e permaneça até as horas anteriores ao amanhecer do dia 13.
  3. Dê cerca de 30 minutos para os olhos se adaptarem ao escuro e evite olhar para telas claras.
  4. Não use telescópio para procurar meteoros. Observe uma área ampla do céu, sem fixar apenas a constelação de Perseu.
  5. Confirme a previsão de nuvens para sua cidade na véspera. Céu encoberto elimina a observação, independentemente da atividade prevista.

A NASA recomenda deixar o olhar percorrer o céu, pois os meteoros podem surgir longe do radiante, e reservar pelo menos 30 minutos para a adaptação visual.

Segurança ao observar o Sol

Quem estiver fora do Brasil, acompanhar uma atividade autorizada nos Penedos ou tentar observar qualquer fase parcial do eclipse deve usar proteção solar apropriada. Óculos escuros comuns não protegem os olhos.

Durante todas as fases parciais, é necessário utilizar óculos para eclipse ou visor solar compatível com a norma ISO 12312-2. Binóculos, câmeras e telescópios exigem filtro solar próprio instalado na frente do equipamento. Olhar pelo instrumento usando apenas óculos de eclipse pode provocar lesão ocular grave.

Para o leitor no Brasil, a decisão prática é simples: não planeje uma observação local do eclipse total. Salve a data para tentar ver as Perseidas, sobretudo no Norte e Nordeste, e confira o tempo e o local de observação em 11 de agosto. Quem quiser acompanhar o eclipse poderá recorrer à transmissão anunciada pela NASA.

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