A produção brasileira do Geely EX5 EM-i começou em 15 de setembro de 2026 no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. O marco não é apenas a montagem de um novo SUV híbrido plug-in. Segundo a Geely, trata-se do primeiro produto da marca Geely fabricado nas Américas e do resultado de uma transformação industrial iniciada no começo de 2026 para introduzir a arquitetura GEA no complexo. A mudança conecta a tecnologia desenvolvida pela Geely à estrutura fabril e comercial da Renault do Brasil, parceria formalizada no fim de 2025.
O que começou em 15 de setembro de 2026
A Geely Brasil confirmou em 15 de setembro o início da fabricação local do EX5 EM-i. O comunicado define o modelo como o primeiro produto Geely produzido nas Américas e informa que a fábrica foi modernizada para receber a GEA, sigla para Global Intelligent Electric Architecture.
O ponto mais importante para o leitor é separar dois marcos diferentes: produção e comercialização. A fabricação nacional já começou. No mesmo comunicado, a empresa diz que o lançamento comercial está previsto para ocorrer até o fim de 2026. Em 2025, quando apresentou o modelo no Salão do Automóvel, a Geely já havia informado que o EX5 EM-i chegaria primeiro importado e depois passaria à produção local. Isso mostra uma transição de importação para nacionalização, e não a estreia absoluta do produto no país.
O que mudou na fábrica para receber a arquitetura GEA
O Complexo Ayrton Senna passou por uma ampla transformação no início de 2026. A mudança confirmada oficialmente foi a modernização necessária para a implementação industrial da arquitetura GEA da Geely. Depois dessa atualização, a empresa afirma que o complexo pode trabalhar com diferentes tecnologias de propulsão, incluindo motores a combustão, híbridos e veículos totalmente elétricos.
Essa é a principal diferença industrial antes e depois do projeto Geely: uma estrutura já existente da Renault do Brasil passou a incorporar uma arquitetura de veículos eletrificados da Geely e a receber modelos da marca chinesa. A parceria evita a necessidade de construir uma fábrica totalmente nova para iniciar a produção local e usa capacidade industrial instalada em São José dos Pinhais.
| Mudança confirmada | O que significa na prática | O que ainda não foi detalhado |
|---|---|---|
| Modernização do complexo no início de 2026 | Preparação industrial para implementar a arquitetura GEA e fabricar modelos Geely no Brasil | Lista completa de máquinas novas, células alteradas e valor do investimento destinado especificamente a essa modernização |
| Capacidade declarada para múltiplas propulsões | O complexo passa a combinar produção de veículos a combustão, híbridos e totalmente elétricos | Capacidade anual separada por tecnologia e divisão exata de volumes por linha |
| Entrada de modelos Geely na produção local | O EX5 EM-i inaugura a fabricação da marca no continente e o EX2 está previsto como o segundo modelo nacional | Índice de conteúdo local de cada modelo, fornecedores nacionalizados e metas de volume |
Por que o EX5 EM-i é o primeiro Geely produzido nas Américas
A expressão usada pela própria companhia é precisa: o EX5 EM-i é o primeiro produto Geely fabricado nas Américas. Aqui, Geely se refere à marca e à operação Geely Auto, não a todo o portfólio de empresas e marcas ligadas ao Zhejiang Geely Holding Group. Essa distinção importa porque o grupo possui participações e operações globais mais amplas.
Para a marca Geely, o significado é claro. O Brasil deixa de ser apenas um mercado abastecido por importação e passa a integrar a rede de produção localizada. A parceria anunciada em 3 de novembro de 2025 deu à Geely acesso aos recursos industriais e comerciais da Renault do Brasil, enquanto a Renault permaneceu como acionista majoritária. A Geely assumiu participação de 26,4% na Renault do Brasil.
A nacionalização foi construída em etapas
- 3 de novembro de 2025: Renault Group e Geely concluem os acordos definitivos. A Geely passa a deter 26,4% da Renault do Brasil e obtém acesso ao Complexo Ayrton Senna e a recursos comerciais da operação brasileira.
- 18 de novembro de 2025: a Renault Geely do Brasil anuncia um ciclo de investimentos de R$ 3,8 bilhões. Entre os destinos informados está a produção da plataforma GEA, com dois modelos previstos para o segundo semestre de 2026.
- 18 de novembro de 2025: no Salão do Automóvel, a Geely apresenta o EX5 EM-i como o primeiro veículo da marca que seria produzido no Brasil e informa a estratégia de chegada inicial por importação seguida de fabricação local.
- Início de 2026: o Complexo Ayrton Senna passa pela transformação industrial necessária para implementar a GEA.
- 2 de junho de 2026: a empresa confirma o Geely EX2 como o segundo modelo da marca a ser produzido no Brasil. Para o EX2, a companhia especifica produção na unidade Curitiba Veículos Utilitários, a CVU.
- 15 de setembro de 2026: começa a produção brasileira do EX5 EM-i.
- Dezembro de 2026: o comunicado mais recente prevê o início da produção do EX2.
Como a estratégia China e Brasil funciona na prática
O arranjo combina ativos que cada grupo já possuía. A Geely traz a arquitetura GEA, produtos eletrificados e sua estratégia de expansão internacional. A Renault do Brasil oferece base industrial instalada, experiência fabril, rede comercial e serviços locais. No acordo de 2025, a Renault também informou que poderá usar a arquitetura GEA para ampliar sua própria oferta de veículos de zero e baixas emissões no mercado brasileiro.
Isso torna a nacionalização mais ampla do que uma simples troca de origem do veículo. A fábrica passa a ser um ponto de integração entre tecnologia de produto chinesa e capacidade industrial brasileira. O investimento de R$ 3,8 bilhões anunciado em novembro de 2025 inclui não só a plataforma Geely, mas também projetos Renault, indicando que a modernização do complexo faz parte de um ciclo industrial compartilhado.
Para a Geely, produzir localmente reduz a distância entre estratégia global e operação brasileira. Para a Renault, o acordo amplia o uso do complexo e adiciona uma arquitetura de veículos eletrificados ao portfólio industrial. Para o mercado brasileiro, o sinal mais concreto é que dois modelos Geely foram colocados no cronograma de produção local em menos de um ano após a conclusão da parceria societária.
O que ainda precisa ser acompanhado
Até 17 de setembro de 2026, os comunicados oficiais confirmam o início da produção, a modernização para GEA, o investimento amplo no complexo e o cronograma do EX2. Alguns pontos relevantes ainda não foram detalhados publicamente:
- o volume anual planejado para o EX5 EM-i nacional;
- o percentual de peças e componentes produzidos no Brasil;
- a lista de fornecedores nacionalizados e a origem de componentes de maior valor, como bateria e sistemas eletrificados;
- eventuais planos de exportação a partir do Brasil para outros mercados das Américas;
- a unidade ou linha específica usada pelo EX5 EM-i dentro do complexo, já que o comunicado do EX2 identifica a CVU, mas o anúncio do EX5 EM-i cita o complexo de forma geral;
- como será a transição comercial entre unidades importadas e unidades produzidas no país.
O que muda na leitura da presença da Geely no Brasil
O início da produção do EX5 EM-i transforma uma parceria comercial e societária em operação industrial concreta. A mudança central na fábrica foi a adaptação do Complexo Ayrton Senna para industrializar a arquitetura GEA e conviver com diferentes tecnologias de propulsão. O fato de o EX5 EM-i ser apresentado pela companhia como o primeiro produto Geely fabricado nas Américas mostra que o Brasil ganhou uma função nova na estratégia da marca: além de mercado consumidor, passa a ser base de produção localizada.
Fontes oficiais
- Geely Brasil: início da produção do Geely EX5 EM-i no país, 15/9/2026
- Renault Group: conclusão da parceria com a Geely no Brasil, 3/11/2025
- Geely Brasil: investimentos de R$ 3,8 bilhões no Complexo Ayrton Senna, 18/11/2025
- Geely Brasil: apresentação do EX5 EM-i e plano de produção local, 18/11/2025
- Geely Brasil: confirmação da produção do EX2, 2/6/2026


