Mercado da Bola10/08/2026Redação do Futebol Paulista7 min de leituraAtualizado em 17/09/2026

Transfer ban nos grandes de SP: por que Corinthians e Santos seguem bloqueados e como o São Paulo liberou reforços

Corinthians e Santos seguem impedidos de registrar reforços, enquanto o São Paulo quitou a Lazio e derrubou o transfer ban. Veja o que falta para cada clube.

Documentos de registro de jogadores ao lado de um cadeado, em composição editorial que representa restrições no mercado da bola

Em 10 de agosto de 2026, a situação dos três grandes paulistas atingidos recentemente por transfer bans já é diferente: Corinthians e Santos continuam sem poder registrar novos jogadores, enquanto o São Paulo resolveu sua pendência com a Lazio e voltou a ter essa possibilidade. A distinção importa porque transfer ban não significa, necessariamente, que o clube esteja proibido de conversar ou chegar a um acordo com um reforço. O bloqueio atinge o registro do novo atleta.

A própria FIFA define a punição como uma proibição de registrar novos jogadores, nacional ou internacionalmente, durante sua vigência. O clube volta a fazer novos registros depois de cumprir integralmente a sanção ou quando a administração da FIFA a retira, normalmente após o cumprimento da obrigação que originou o caso.

Isso torna o calendário especialmente relevante agora. A segunda janela de transferências do futebol profissional masculino no Brasil começou em 20 de julho e termina em 11 de setembro de 2026, segundo o calendário oficial da CBF. Cada dia de bloqueio reduz o período disponível para transformar negociações em jogadores efetivamente regularizados.

Quem pode registrar reforços em 10 de agosto

 
Clube Origem da punição Entidade responsável Situação em 10/08/2026 Efeito prático Caminho para liberação
Corinthians Pendências pela compra de José Martínez junto ao Philadelphia Union; pela contratação de Charles junto ao Midtjylland; e atraso de parcela do plano de pagamento na CNRD FIFA em dois casos; CNRD/CBF no caso nacional Bloqueado. Após quitar uma multa disciplinar de US$ 225 mil em 24/07, ainda restaram três punições: duas internacionais e uma nacional. A disputa sobre a sanção da CNRD continuava aberta em agosto. Não pode registrar novos atletas enquanto houver ao menos um bloqueio vigente Resolver separadamente as dívidas que sustentam os dois bans da FIFA e obter a retirada dessas restrições; no caso da CNRD, cumprir ou renegociar as obrigações e conseguir decisão que afaste o bloqueio nacional
Santos Dívida com o Monaco referente à última parcela da contratação de Jean Lucas, realizada em 2023 FIFA, após disputa também levada ao CAS Bloqueado. A punição está ativa desde 1º de julho e o clube ainda não tinha previsão de derrubá-la em 10/08. Não pode registrar reforços, mesmo com a janela aberta Regularizar o débito reconhecido no processo com o Monaco e obter a retirada do ban pela FIFA
São Paulo Parcela de € 1,05 milhão da compra em definitivo de Marcos Antônio junto à Lazio FIFA Liberado. O clube quitou a pendência em 5/08 e recuperou a permissão para registrar novos jogadores. Pode registrar reforços dentro das regras e prazos aplicáveis Etapa concluída: pagamento da pendência que provocou o bloqueio e retirada da restrição

Corinthians precisa derrubar três barreiras, não apenas pagar uma dívida

O caso corintiano é o mais complexo porque não existe um único processo impedindo o clube de registrar reforços.

Uma das punições da FIFA está ligada ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela compra de José Martínez. A dívida informada quando o ban foi aplicado era de aproximadamente US$ 1,5 milhão. O clube foi impedido de registrar novos atletas por até três janelas, com possibilidade de levantamento da sanção mediante regularização da obrigação.

O segundo bloqueio internacional atual está relacionado ao Midtjylland, da Dinamarca, pela contratação de Charles. O Corinthians deixou de pagar a última parcela prevista no negócio. Em julho, o valor da pendência era estimado em cerca de R$ 6 milhões, e a FIFA aplicou outra restrição de registro.

Havia ainda uma terceira sanção da FIFA, decorrente de uma multa disciplinar de US$ 225 mil associada ao descumprimento de obrigações nos processos de José Martínez, Charles e Talles Magno. Essa é a punição que o Corinthians conseguiu eliminar em 24 de julho, depois de pagar a multa. O movimento reduziu de quatro para três o número de bloqueios então ativos, mas não resolveu os casos principais de Martínez e Charles nem o problema nacional.

A terceira barreira que permanece é justamente a nacional. A Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD, puniu o Corinthians depois do atraso de uma parcela de aproximadamente R$ 8 milhões de seu plano coletivo de pagamento a credores. A sanção anunciada em julho previa seis meses sem novos registros.

O clube tenta encontrar uma saída negociada. No início de agosto, a proposta corintiana para reorganizar os pagamentos ainda enfrentava resistência, especialmente do Cuiabá, maior credor envolvido no processo, que defendia a manutenção da punição. Isso significa que quitar apenas José Martínez ou Charles não bastaria: o Corinthians precisa deixar de ter qualquer bloqueio ativo antes de voltar a registrar reforços normalmente.

Há outras disputas financeiras envolvendo o clube, mas elas não devem ser automaticamente somadas ao número de bans ativos. Casos em julgamento ou recurso precisam ser separados das restrições que já impedem registros. Essa distinção evita transformar toda dívida ou processo do Corinthians em um transfer ban já vigente.

Santos depende da solução do caso Jean Lucas com o Monaco

A situação do Santos é mais concentrada. O bloqueio atual decorre da contratação de Jean Lucas junto ao Monaco, em 2023.

Segundo a apuração do ge, o Santos havia pago as duas primeiras parcelas da operação, que somavam € 6 milhões, mas deixou em aberto a terceira e última. O Monaco levou a cobrança à FIFA. O clube brasileiro foi condenado em maio de 2025 e recorreu à Corte Arbitral do Esporte, o CAS.

Em decisão de maio de 2026, o CAS manteve a condenação. O valor informado era de € 2 milhões mais € 32.876,71 em juros, totalizando aproximadamente € 2,032 milhões. Sem a regularização, o Santos entrou na lista de clubes com transfer ban em 1º de julho.

O efeito ficou mais visível com o avanço da temporada. Na noite de 9 de agosto, após a derrota para o Athletico-PR, Cuca reclamou do tamanho do elenco e pediu que a diretoria resolvesse o transfer ban para viabilizar reforços. Na manhã de 10 de agosto, o clube continuava sem previsão pública para a retirada da punição.

O Santos ainda disputava Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana, o que ampliava a pressão sobre o elenco disponível. Mesmo assim, a necessidade esportiva não altera o mecanismo da sanção: enquanto o ban estiver vigente, um eventual jogador negociado pelo clube não poderá ser registrado como novo atleta.

O que o São Paulo fez de diferente

O São Paulo entrou nessa comparação em 21 de julho, quando foi punido pela FIFA por não pagar a primeira parcela da compra definitiva de Marcos Antônio, negociada com a Lazio.

A parcela era de € 1,05 milhão e deveria ter sido paga em 28 de fevereiro. Durante o bloqueio, o clube ficou impossibilitado de registrar atletas que ainda dependiam dessa etapa, embora reforços cujas solicitações haviam sido processadas antes da punição não fossem atingidos da mesma forma.

A diferença para Corinthians e Santos é que o São Paulo conseguiu transformar a pendência financeira em uma solução concluída dentro da própria janela. Em 5 de agosto, o clube quitou os € 1,05 milhão devidos à Lazio. Com a retirada da restrição, voltou a ter permissão para novos registros, abrindo caminho para regularizar jogadores como Domingos Duarte e Iago Borduchi.

O episódio mostra por que “três clubes sofreram transfer ban” não significa que os três estejam na mesma situação semanas depois. A lista da FIFA é dinâmica: a administração da entidade pode retirar a restrição quando a obrigação correspondente é cumprida.

O relógio da janela pesa mais para Corinthians e Santos

Em 10 de agosto, restava pouco mais de um mês até o encerramento da segunda janela brasileira, em 11 de setembro. Para Corinthians e Santos, portanto, resolver o problema financeiro não é uma discussão desconectada do futebol: é a condição para conseguir usar de fato o mercado ainda nesta janela.

O São Paulo já atravessou essa etapa e pode seguir com registros. O Santos tem um bloqueio concentrado no processo envolvendo o Monaco. O Corinthians enfrenta uma situação mais fragmentada, porque precisa eliminar restrições de origens diferentes e uma solução parcial não libera o clube enquanto outra continuar vigente.

Para o torcedor que acompanha anúncio, sondagem ou acordo por um reforço, essa é a pergunta decisiva até setembro: o clube já pode registrar o jogador? No momento, entre os três analisados, a resposta é sim para o São Paulo e não para Corinthians e Santos.

Tópicos deste artigoCorinthiansFIFAjanela de transferênciasregistro de jogadoresSantosSão Paulotransfer bantransfer ban Corinthians Santos São Paulotransfer ban Corinthianstransfer ban Santostransfer ban São PauloCorinthians pode contratar jogadoresSantos pode contratar jogadoresSão Paulo pode registrar reforçosjanela de transferências 2026FIFA transfer ban