Fluminense15/08/2026Redação do Futebol Carioca9 min de leituraAtualizado em 16/09/2026

SAF do Fluminense em 2026: por que a proposta de 2025 não foi votada e o que precisa acontecer agora

A SAF do Fluminense ainda não foi aprovada. Entenda por que a oferta de 2025 ficou sem votação, o que está sendo renegociado e quais etapas vêm depois.

Capa editorial em tons grená, verde e branco, com bandeira e escudo do Fluminense diante de um estádio, além de chamada sobre a SAF em 2026 e etapas da negociação.

A SAF do Fluminense ainda não foi aprovada. Em 15 de agosto de 2026, o processo continua em negociação com a Lazuli Partners e a LZ Sports, e a primeira proposta apresentada em setembro de 2025 não chegou à votação final dos sócios. O que parecia, no ano passado, um caminho de apresentação ao Conselho, espera pela eleição e votação posterior mudou de fase: a nova gestão decidiu reabrir pontos econômicos e contratuais antes de pedir uma decisão do clube.

Isso resolve a principal confusão que aparece nas buscas. A proposta de 2025 existiu, foi recebida oficialmente, apresentada ao Conselho Deliberativo e publicada integralmente pelo Fluminense. Mas apresentação não foi aprovação. O documento funcionou como base de negociação, e a diretoria atual espera uma oferta reformulada antes de retomar o rito político e societário.

O que aconteceu com a proposta apresentada em 2025

O Fluminense recebeu em 8 de setembro de 2025 uma proposta indicativa da LZ Sports, empresa do grupo da Lazuli Partners. No mesmo dia, o documento foi apresentado ao Conselho Deliberativo; em seguida, o clube publicou a íntegra no Portal da Transparência.

A carta previa que o investidor passaria a controlar a futura Fluminense SAF por meio de aporte de capital. Tomando como referência uma dívida líquida de R$ 871 milhões em 31 de dezembro de 2024, a proposta atribuía ao futebol um valor pré-investimento de R$ 1,131 bilhão. Depois de descontada essa dívida, chegava a um equity de R$ 260 milhões. Com aporte de R$ 500 milhões, a participação inicial calculada para o investidor era de 65,8%, enquanto a associação ficaria com 34,2%.

Esse percentual, porém, não era fixo. A própria proposta previa ajuste conforme o endividamento líquido apurado no fechamento da operação. Se a dívida diminuísse, a fatia do investidor também poderia diminuir; se aumentasse, a participação poderia subir, respeitados os limites previstos no documento. Por isso, a fotografia financeira do clube no momento do fechamento era parte central da conta.

O aporte de R$ 500 milhões também não seria integralmente à vista. O desenho publicado previa R$ 250 milhões no fechamento e outros R$ 250 milhões em até dois anos. Além disso, o documento estimava R$ 6,412 bilhões de investimentos e despesas da própria SAF ao longo de dez anos, chegando ao valor total anunciado de R$ 6,912 bilhões para a transação e o plano de negócios.

É importante separar essas duas cifras. Os R$ 6,9 bilhões não eram um cheque único entregue ao Fluminense. O aporte de capital do investidor era de R$ 500 milhões; o restante correspondia ao plano de negócios projetado para dez anos, com itens como folha do futebol profissional, aquisições de atletas, formação de jogadores, infraestrutura e royalties para a associação.

Por que a votação foi empurrada para depois da eleição

Quando a proposta foi apresentada, o Fluminense estava a poucos meses da eleição presidencial de novembro de 2025. Naquele momento, a intenção divulgada era não fazer a votação decisiva antes da escolha do novo presidente. A justificativa política era simples: a transformação do futebol em SAF mudaria a estrutura do clube por muitos anos, e a gestão eleita para o triênio seguinte precisaria participar diretamente dessa decisão.

O processo, então, foi interrompido durante o período eleitoral. Mattheus Montenegro venceu a eleição de 29 de novembro de 2025 e assumiu a presidência em dezembro. Logo depois do pleito, ele disse que o tema poderia voltar a avançar, mas já sinalizava que havia pontos da oferta que deveriam retornar à mesa de negociação.

A partir daí, o problema deixou de ser apenas calendário. A pergunta deixou de ser “quando o Fluminense vai votar a proposta de setembro?” e passou a ser “qual proposta o Fluminense pretende levar para votação?”.

Por que a primeira oferta não foi votada em 2026

Em 4 de agosto de 2026, Mattheus Montenegro deu a atualização mais clara até aqui: o clube seguia negociando para melhorar a proposta e aguardava uma nova oferta. O objetivo declarado é elevar o aporte inicial e rever outros pontos do contrato antes de apresentar novamente o projeto ao Conselho.

Isso significa que a primeira oferta não ficou parada apenas por burocracia. Ela deixou de ser tratada como o texto pronto que iria diretamente para a urna depois da eleição. A nova diretoria optou por renegociar a equação econômica e as proteções contratuais.

Um dos motivos é que a oferta de 2025 estava amarrada ao endividamento e ao valuation do clube. As demonstrações financeiras de 2025, publicadas em abril de 2026, mostraram receita recorde superior a R$ 1 bilhão e superávit de R$ 51,5 milhões, mas também dívida na casa de R$ 1 bilhão pela métrica divulgada pelo clube. Excluídos valores a pagar por investimentos em jogadores, o Fluminense informou dívida de R$ 812 milhões. Como a proposta definia o endividamento líquido de fechamento de forma ampla e previa auditoria para ajustar a participação societária, a nova fotografia financeira exige nova negociação, não uma simples atualização cosmética.

Além do valor do cheque inicial e do valuation, Montenegro já havia indicado que o clube queria discutir o investimento planejado para os dez anos e as consequências caso os compromissos não fossem cumpridos. Em agosto, ele também afirmou que pretende tornar públicos, antes de qualquer votação, documentos centrais da operação, como o acordo de investimentos e o acordo de acionistas.

A proposta de 2025 não era um contrato de compra já fechado

Outro ponto que muda a leitura do processo está no próprio documento publicado pelo Fluminense. A carta de setembro de 2025 era expressamente não vinculante quanto à consumação da SAF. Ela dizia que não constituía obrigação de fechar a transação e que o negócio dependeria da negociação e assinatura dos documentos definitivos.

A proposta também tinha validade formal de 30 dias, embora cláusulas específicas, como confidencialidade, exclusividade e foro, tivessem tratamento próprio. Portanto, não é correto imaginar que existe, em agosto de 2026, um contrato antigo apenas esperando a votação dos sócios. O que existe é um processo de negociação cuja referência pública é a proposta de 2025 e que agora precisa produzir uma nova versão aceita pelas partes.

O texto antigo já previa uma série de condições antes do fechamento: criação e estruturação da SAF, aprovação nos órgãos de governança do clube, due diligence jurídica, contábil, operacional e financeira, negociação dos documentos definitivos, aprovações do investidor, inexistência de impedimentos legais e regulatórios e obtenção de consentimentos de terceiros quando necessária.

O que precisa acontecer agora

Primeiro, a renegociação precisa terminar

O passo imediatamente anterior a qualquer nova rodada institucional é a Lazuli Partners e a LZ Sports apresentarem uma oferta que a direção do Fluminense considere apta a seguir. O ponto mais visível é o aporte inicial superior aos R$ 500 milhões previstos em 2025, mas a discussão não se resume a isso. Valuation, cronograma de aportes, tratamento da dívida, obrigações de investimento, penalidades, governança e documentos definitivos também entram na equação.

Enquanto essa oferta reformulada não estiver fechada em nível suficiente, não há uma proposta nova pronta para ser votada. Por isso, qualquer data de assembleia anunciada antes dessa etapa deve ser tratada como expectativa, não como etapa já convocada.

Depois, a nova proposta volta ao Conselho Deliberativo

Montenegro afirmou que, encerrada a negociação, pretende realizar outra reunião do Conselho Deliberativo para apresentar a nova proposta. Essa etapa é diferente da reunião de setembro de 2025, que serviu para exposição do primeiro desenho e esclarecimento de dúvidas.

O Conselho é uma passagem institucional importante, mas não substitui a decisão final dos sócios. O próprio Fluminense já esclareceu oficialmente que a diretoria não tem poder para aprovar sozinha a transformação: a decisão cabe à Assembleia de Sócios depois da análise no Conselho Deliberativo.

Comissões devem analisar os termos antes da decisão final

A gestão também indicou que pretende trabalhar com comissões de conselheiros e de sócios para examinar o negócio. A função dessas instâncias é permitir que valuation, governança, obrigações financeiras, proteção da associação e riscos contratuais sejam discutidos antes da votação decisiva.

Esse detalhe importa porque uma SAF não se resume ao percentual vendido. Um acordo de acionistas define quem nomeia administradores, quais decisões exigem voto conjunto, quais direitos permanecem com a associação e em que condições a participação pode ser diluída ou negociada. O acordo de investimentos, por sua vez, estabelece aportes, prazos, obrigações e mecanismos de cobrança. É nesses documentos que a promessa econômica ganha consequência jurídica.

Os documentos precisam ser conhecidos pelos sócios

Em agosto de 2026, Montenegro afirmou que pretende abrir os documentos da operação antes de qualquer votação. Se esse compromisso for cumprido, o debate não ficará restrito à apresentação resumida de valores. Os sócios poderão comparar a nova oferta com a proposta publicada em 2025 e verificar o que mudou de fato.

Para o torcedor, os pontos mais úteis para acompanhar serão o novo valor e o cronograma do aporte, a participação que ficará com o investidor e com a associação, a base de dívida usada no cálculo, as obrigações de investimento ao longo dos anos, as penalidades por descumprimento e a governança da futura empresa.

A decisão final continua sendo dos sócios

Mesmo que diretoria, investidores, comissões e Conselho cheguem a um desenho considerado satisfatório, a SAF não nasce automaticamente. O Fluminense já declarou que a decisão final de criar e vender o controle da SAF cabe à Assembleia de Sócios.

É esse voto que separa uma proposta negociada de uma transformação efetivamente autorizada. Até que essa assembleia aconteça e aprove a operação, dizer que “o Fluminense

virou SAF” é antecipar um resultado que ainda não existe.

O que mudou entre a expectativa de 2025 e a realidade de 2026

Em setembro de 2025, a leitura pública mais simples era: proposta apresentada, eleição em novembro, votação depois. Essa sequência não estava errada como expectativa daquele momento, mas ficou incompleta com a passagem do tempo.

Depois da eleição, a nova gestão não herdou a primeira oferta como pacote fechado. Optou por reabrir a negociação. O balanço de 2025 mudou a fotografia financeira usada na discussão; a administração passou a buscar um cheque inicial maior e ajustes de valuation; e os contratos definitivos ainda precisam refletir as condições consideradas aceitáveis pelo clube e pelos investidores.

Por isso, o estágio atual não é “votação atrasada”. É “nova proposta em construção”. Essa diferença explica por que notícias de 2025 que falavam em votação logo depois da eleição convivem, em 2026, com a informação de que o Fluminense ainda aguarda uma oferta revisada.

Em que ponto a SAF do Fluminense está hoje

Em 15 de agosto de 2026, o estado do processo pode ser resumido de forma objetiva: a SAF não foi aprovada; a proposta publicada em setembro de 2025 serviu como base inicial e não chegou à votação final; o Fluminense segue negociando uma versão melhor com a Lazuli Partners e a LZ Sports; o presidente pretende reapresentar o novo desenho ao Conselho Deliberativo; haverá análise institucional e divulgação dos documentos; e a decisão final continuará nas mãos dos sócios.

O próximo marco realmente relevante, portanto, não é uma especulação sobre comprador nem uma data de votação. É a publicação ou apresentação da nova proposta. Só a partir dela será possível medir se o aporte, o valuation, a participação acionária, as garantias e a governança mudaram o suficiente para que o clube avance do estágio de negociação para o estágio de deliberação.

Tópicos deste artigoConselho DeliberativoLazuli PartnersLZ SportsMattheus MontenegroSAF do FluminenseSAF do Fluminense em 2026proposta SAF FluminenseLazuli Partners Fluminensevotação SAF FluminenseMattheus Montenegro SAF