Viajar ao exterior com cão ou gato em 2026 exige atenção a uma mudança que não aparece no documento final: em vários destinos, o tutor já não pode iniciar sozinho a solicitação do Certificado Veterinário Internacional eletrônico, o e-CVI. O pedido passou a depender de médico-veterinário habilitado em rotas como Mercosul, União Europeia, Estados Unidos, Japão e Grã-Bretanha.
Também não existe um único prazo válido para todos os países. Para alguns destinos, o pedido deve ser enviado entre três e nove dias antes do embarque; para o México, a janela começa 14 dias antes; nos Estados Unidos, cães e gatos têm prazos diferentes. Além disso, determinados certificados ainda precisam de chancela física do Ministério da Agricultura e Pecuária — MAPA, mesmo quando a solicitação começou pela internet.
Há ainda duas correções importantes em relação às informações que circularam sobre as mudanças:
- O novo e-CVI do Mercosul entrou em vigor em 2 de julho de 2026, inicialmente para Argentina, Paraguai e Uruguai.
- A menção a regras aplicáveis desde 1º de agosto, na área dos Estados Unidos, refere-se a 1º de agosto de 2024, conforme o manual oficial vinculado pelo MAPA. Não se trata de uma nova data de vigência em 2026.
O que mudou no CVI eletrônico em 2026
1º de junho: União Europeia passa a exigir solicitação por veterinário
Desde 1º de junho de 2026, o e-CVI para países da União Europeia e para o grupo que inclui Irlanda do Norte, Noruega e Suíça deve ser solicitado por médico-veterinário cadastrado e residente no Brasil. O manual oficial indica prazo de análise de até 72 horas quando os documentos estão corretos, mas alerta que períodos de grande demanda e pedidos devolvidos para correção podem prolongar o processo.
15 de junho: Argentina deixa de exigir chancela física
Desde 15 de junho de 2026, o e-CVI destinado à Argentina não precisa mais receber carimbo ou assinatura física em uma unidade do MAPA. O documento eletrônico deve ser emitido corretamente, impresso e apresentado conforme as orientações de viagem.
2 de julho: novo e-CVI do Mercosul
Em 2 de julho de 2026, entrou em operação uma nova versão do e-CVI para viagens com cães e gatos à Argentina, ao Paraguai e ao Uruguai. A partir dessa versão, somente um médico-veterinário habilitado pode enviar a solicitação.
O novo modelo também permite incluir, em um mesmo certificado, uma fêmea em lactação e seus filhotes com menos de 90 dias, desde que sejam atendidas as condições sanitárias aplicáveis.
Quando o próprio veterinário solicitante realizou o exame clínico e emitiu o atestado de saúde, o arquivo não precisa ser anexado ao sistema. Ainda assim, o documento deve ser preenchido, assinado, carimbado e digitalizado ou assinado eletronicamente, ficando sob a guarda do profissional pelo período indicado no manual, de até cinco anos. Se o atestado tiver sido emitido por outro veterinário, ele deve ser anexado ao pedido.
Bolívia e Venezuela: mudança ainda não confirmada como vigente
A página geral do MAPA informa que Bolívia e Venezuela utilizarão o mesmo modelo sanitário do Mercosul e que a solicitação exclusiva por veterinários será implementada “em breve”. Entretanto, na versão consultada em 3 de agosto de 2026, o órgão não apresentava uma data efetiva para essa transição, enquanto os serviços específicos ainda indicavam atendimento ao cidadão. Portanto, não é seguro tratar uma suposta entrada em vigor em julho como fato confirmado.
Quem solicita e qual é o prazo por destino
As janelas abaixo indicam quando o pedido do e-CVI deve ser enviado ao MAPA. Elas não representam o tempo total necessário para vacinas, identificação por microchip, exames laboratoriais, autorizações de importação ou exigências da companhia aérea.
| Destino | Responsável pela solicitação | Envio antes do embarque | Chancela física |
|---|---|---|---|
| Estados Unidos | Médico-veterinário habilitado | Cães: de 5 a 2 dias; gatos: de 10 a 3 dias | Não |
| Argentina, Paraguai e Uruguai | Médico-veterinário habilitado | De 9 a 3 dias | Não |
| Bolívia e Venezuela | Serviço ainda indicado ao cidadão; transição para veterinário anunciada, mas sem data efetiva confirmada | De 9 a 3 dias | Sim |
| Canadá | Cidadão ou responsável pelo animal | De 9 a 3 dias | Sim |
| Chile | Cidadão ou responsável pelo animal | De 9 a 3 dias | Não |
| Colômbia | Cidadão ou responsável pelo animal | De 9 a 3 dias | Sim |
| México | Cidadão ou responsável pelo animal | De 14 a 3 dias | Sim |
| Peru | Cidadão ou responsável pelo animal | De 9 a 3 dias | Conferir no manual e com o Vigiagro antes do pedido |
| União Europeia, Irlanda do Norte, Noruega e Suíça | Médico-veterinário cadastrado e residente no Brasil | De 9 a 3 dias | Depende do país de entrada |
| Japão | Médico-veterinário habilitado | De 9 a 3 dias | Não |
| Grã-Bretanha, Ilhas do Canal e Ilha de Man | Médico-veterinário habilitado | De 9 a 3 dias | Sim |
Na lista disponibilizada pelo MAPA em julho de 2026, a chancela física também aparecia para certificados destinados a Alemanha, Espanha, Itália, Irlanda, Países Baixos e Suécia. Como essa relação pode mudar e depende da rota, o viajante deve conferir o país da primeira entrada e a versão atual do manual.
Para países que não aparecem no sistema eletrônico, a emissão pode precisar ser feita presencialmente. O MAPA recomenda procurar uma unidade do Vigiagro com antecedência de pelo menos 60 dias para verificar o procedimento e os requisitos do destino.
O prazo do CVI não é o prazo para começar a preparação
Um erro comum é usar a janela de três, cinco, nove ou 14 dias como data para iniciar todo o planejamento. Essa janela é apenas o momento de protocolar o certificado. Dependendo do país, as etapas sanitárias anteriores podem exigir semanas ou meses.
União Europeia
Para entrada na União Europeia a partir do Brasil, o animal precisa ser identificado por microchip, receber vacinação contra a raiva depois da identificação e, nos casos sujeitos à sorologia, realizar a coleta de sangue pelo menos 30 dias após a vacinação primária. O resultado deve ser de pelo menos 0,5 UI/ml em laboratório reconhecido, e a coleta precisa respeitar o intervalo mínimo de três meses antes da emissão do certificado para a viagem.
O certificado sanitário europeu normalmente deve ser emitido dentro dos dez dias anteriores à chegada. Para cães que entram em Finlândia, Irlanda, Malta, Irlanda do Norte ou Noruega, há ainda tratamento contra Echinococcus multilocularis entre 24 e 120 horas antes da entrada.
Estados Unidos
Em 15 de abril de 2026, o CDC continuava classificando o Brasil como país de alto risco para raiva canina. Para cães vacinados fora dos Estados Unidos que chegam de um país dessa lista, podem ser exigidos microchip, documentação específica de vacinação, formulário de importação do CDC, idade mínima de seis meses e, conforme o caso, sorologia válida ou reserva em instalação registrada pelo órgão.
Essas exigências do CDC são separadas da solicitação do e-CVI brasileiro. Por isso, obter o certificado do MAPA dentro do prazo não corrige uma preparação sanitária incompleta nem substitui os documentos de entrada exigidos pelos Estados Unidos.
Grã-Bretanha
O Brasil não integra a relação britânica de países listados para o procedimento simplificado. Em regra, a entrada de cães e gatos provenientes do país envolve microchip, vacinação antirrábica, exame sorológico e certificado sanitário específico para a Grã-Bretanha. O microchip deve ser implantado antes da vacina usada no processo.
Japão
O Japão exige notificação prévia ao serviço de quarentena animal e inspeção na chegada. Quando os requisitos estão completos, a liberação pode ocorrer em até 12 horas; falhas documentais ou sanitárias podem levar a quarentena de até 180 dias ou impedir a entrada.
Documentos que devem ser organizados
A lista exata varia conforme o destino, mas a preparação costuma envolver:
- documento de identificação do tutor ou responsável;
- dados do animal e do voo;
- atestado de saúde emitido após exame clínico;
- carteira ou comprovantes de vacinação;
- identificação por microchip, quando exigida;
- laudos de sorologia ou outros exames;
- autorização de importação, quando exigida pelo país;
- autorização do proprietário, quando o viajante ou solicitante for outra pessoa;
- formulários adicionais do país de destino;
- arquivos em PDF assinados eletronicamente ou digitalizados conforme o manual.
Nos fluxos exclusivos para profissionais, o primeiro acesso pode exigir número de inscrição no Conselho Regional de Medicina Veterinária e certidão negativa emitida pelo Conselho Federal. O veterinário deve conferir no próprio sistema se sua habilitação está ativa antes de deixar a solicitação para os últimos dias.
Passo a passo para reduzir o risco de perder a viagem
1. Confirme o país da primeira entrada
Em viagens com conexão, o país que analisa o animal nem sempre é o destino final. Na União Europeia, por exemplo, a necessidade de certificado de trânsito ou de entrada pode variar conforme o animal viaja acompanhado, como carga e se permanece ou não na área alfandegária durante a conexão.
2. Consulte três fontes separadamente
Confira:
- a página do MAPA para o destino;
- o órgão veterinário ou de fronteira do país de entrada;
- a companhia aérea e, quando aplicável, os aeroportos de conexão.
O CVI atende à certificação sanitária governamental, mas não substitui regras operacionais de caixa de transporte, reserva, embargo por temperatura, raça, peso ou modalidade de embarque estabelecidas pela transportadora.
3. Procure o veterinário antes da janela do e-CVI
Mesmo quando o sistema só aceita o pedido nove ou cinco dias antes do voo, o profissional deve avaliar com antecedência a sequência de microchip, vacinas, sorologia, antiparasitários e formulários.
Para destinos em que somente veterinários podem solicitar o certificado, confirme também se o profissional está habilitado no sistema correspondente.
4. Envie o pedido dentro da janela correta
Pedidos enviados cedo demais podem não ser aceitos. Pedidos enviados no limite deixam pouco espaço para corrigir nome, número de microchip, data de vacina, itinerário ou arquivo ilegível.
Nos manuais do MAPA, uma solicitação devolvida para ajuste volta para a fila e o prazo de análise recomeça após o reenvio.
5. Acompanhe o portal e o e-mail
O solicitante deve monitorar o andamento até a aprovação. Quando emitido, o e-CVI é disponibilizado como PDF assinado digitalmente e deve ser impresso conforme as orientações do destino.
6. Resolva a chancela antes de ir ao aeroporto
Quando a chancela física for obrigatória, entre em contato previamente com uma unidade do Vigiagro. O MAPA alerta que nem todo posto possui médico-veterinário disponível sem agendamento e que o procedimento não deve ser deixado para o dia do embarque.
7. Planeje também a volta ao Brasil
As exigências usadas para sair do país não substituem as condições para o retorno. Antes da viagem, verifique a documentação necessária para reentrada do animal no Brasil e avalie se alguma etapa precisará ser realizada no exterior.
Perguntas frequentes
O tutor ainda pode solicitar o e-CVI?
Depende do destino. Em agosto de 2026, o pedido já era exclusivo de veterinário habilitado para Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Uruguai, União Europeia, Japão e Grã-Bretanha. Outros serviços, como Canadá, Chile, Colômbia, México e Peru, ainda apareciam abertos ao cidadão.
Todo e-CVI dispensa carimbo físico?
Não. A assinatura digital elimina a chancela apenas nas rotas expressamente indicadas. Bolívia, Canadá, Colômbia, México, Venezuela, Grã-Bretanha e alguns países europeus ainda apareciam na lista de chancela física consultada em julho de 2026.
Posso solicitar o certificado com muita antecedência?
Não além da janela definida no sistema. O planejamento sanitário deve começar cedo, mas o protocolo do e-CVI precisa respeitar o intervalo específico do destino.
Houve uma nova regra para os Estados Unidos em 1º de agosto de 2026?
A documentação consultada não sustenta essa afirmação. Embora a página geral mostre a expressão “a partir de 01 de agosto”, o manual oficial vinculado identifica a mudança como vigente desde 1º de agosto de 2024.
Antes de comprar ou remarcar a passagem
Salve a lista de documentos, mas faça uma nova conferência nas páginas oficiais antes de protocolar o pedido e novamente antes do embarque. Regras sanitárias, formulários, países sujeitos a chancela e condições das companhias aéreas podem mudar sem acompanhar o calendário da viagem.





