Desde 10 de abril de 2026, o Entry/Exit System (EES) está plenamente operacional nas fronteiras externas dos 29 países europeus que usam o sistema. Para brasileiros que viajam a turismo ou em outra estada curta sem visto, a mudança mais visível é simples: a entrada e a saída passam a ser registradas digitalmente, com dados do passaporte e biometria, em vez do carimbo manual. O EES, porém, não é uma autorização de viagem e não exige um pedido prévio.
Essa é justamente a diferença essencial para o ETIAS. Em 14 de setembro de 2026, o site oficial do ETIAS informa que o sistema ainda não está em operação e que não recebe pedidos. A previsão continua sendo o último trimestre de 2026, com a data exata a ser anunciada pela União Europeia. A Comissão Europeia também separa explicitamente os dois sistemas: o EES registra o viajante na fronteira; o ETIAS será uma autorização obtida antes da viagem por nacionais isentos de visto, como os brasileiros.
EES x ETIAS: a diferença em uma tabela
| Ponto | EES | ETIAS |
|---|---|---|
| O que é | Sistema eletrônico de registro de entrada e saída. | Autorização de viagem para nacionais isentos de visto. |
| Quando acontece | Na passagem pela fronteira externa de um país que usa o EES. | Antes de iniciar a viagem, quando o ETIAS estiver operacional. |
| Quem é afetado | Em regra, nacionais de fora da UE em estada curta, com ou sem visto, salvo exceções. | Nacionais de países isentos de visto que se enquadrem nas regras do ETIAS; o Brasil está na lista. |
| Biometria | Registra imagem facial e, para viajantes sem visto como os brasileiros, normalmente quatro impressões digitais. | O pedido é eletrônico; o ETIAS não é o procedimento de coleta biométrica do EES. |
| Passaporte | Entradas e saídas são registradas digitalmente; o passaporte deixa de receber o carimbo do EES. | A autorização, quando exigida, fica vinculada ao passaporte usado no pedido. |
| Abrangência | 29 países do Espaço Schengen que usam o EES. | 30 países europeus; inclui Chipre, que não usa o EES. |
| Situação em 14/9/2026 | Plenamente operacional desde 10/4/2026. | Ainda não operacional; sem pedidos abertos. |
Como o EES funciona para um brasileiro na prática
1. Antes da viagem: não existe “pedido de EES”
O viajante não precisa criar uma autorização EES, pagar uma taxa do EES nem receber uma aprovação antes de embarcar. O sistema funciona no controle de fronteira. Isso não elimina as demais exigências de entrada: passaporte válido, justificativa e condições da viagem continuam sujeitos às regras aplicáveis, e o agente de fronteira mantém a decisão sobre a admissão.
2. Na primeira passagem pelo EES, o cadastro tende a ser mais completo
Segundo a página oficial Como funciona o EES?, na primeira passagem de fronteira após a implantação do sistema são criados ou completados os registros digitais do viajante. Para uma pessoa brasileira em viagem curta sem visto, o EES armazena dados do documento, imagem facial e quatro impressões digitais. Crianças com menos de 12 anos estão abrangidas pelo EES, mas atualmente não têm as impressões digitais escaneadas.
O primeiro registro pode acrescentar etapas ao controle, especialmente quando é necessário coletar biometria. Em passagens posteriores, o sistema já possui o arquivo biométrico e a fronteira pode verificar os dados existentes, o que tende a reduzir a repetição do cadastro. Onde houver equipamentos compatíveis, portadores de passaporte biométrico podem usar sistemas de autoatendimento, sem que isso elimine todos os controles.
3. O carimbo é substituído por um registro digital
O EES registra data e local de entrada, data e local de saída e eventuais recusas de entrada. A Comissão Europeia afirma que, desde a operação plena em 10 de abril de 2026, o sistema substitui o carimbo de passaportes para os viajantes abrangidos. Por isso, quem estava acostumado a conferir os carimbos para reconstruir a própria permanência no Schengen deve passar a considerar o registro eletrônico.
4. A saída também importa
O EES não serve apenas para registrar a chegada. Ele relaciona entradas e saídas e ajuda a calcular a duração da estada autorizada. A regra geral de curta permanência, porém, não foi ampliada pelo EES: continua sendo, em regra, até 90 dias em qualquer período de 180 dias para quem viaja nesse regime. O sistema digitaliza e torna mais rastreável o controle dessa regra; não cria dias adicionais.
Em qual aeroporto o brasileiro entra no EES?
O registro acontece quando o viajante cruza uma fronteira externa de um país que usa o EES. Em uma rota São Paulo–Lisboa–Roma, por exemplo, a entrada no Espaço Schengen ocorre em Lisboa: é ali que o passageiro passa pelo controle de fronteira e pelo EES. O trecho Lisboa–Roma é, em condições normais, um deslocamento interno ao Schengen e não cria uma nova entrada no sistema.
Se a viagem tiver apenas uma conexão na área internacional de um aeroporto, sem cruzar o controle de fronteira, o passageiro ainda não entra no território pelo EES naquele ponto. A situação muda quando é necessário passar pela imigração para seguir viagem.
Quais países usam o EES — e por que isso não é exatamente “toda a União Europeia”
O EES é usado por 29 países: 25 Estados da União Europeia que participam desse regime de fronteira e quatro países associados a Schengen — Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Irlanda e Chipre são membros da UE, mas não usam o EES; nesses dois países, os passaportes dos viajantes abrangidos continuam sendo carimbados manualmente. A lista e as exceções são mantidas no portal oficial Travel to Europe — EES.
Esse detalhe também ajuda a entender por que EES e ETIAS não têm exatamente a mesma abrangência. O ETIAS está previsto para 30 países: os 29 ligados ao EES mais Chipre. Irlanda não integra o conjunto de países que exigirão ETIAS.
O que muda no aeroporto — e o que ainda não mudou
- Muda: para o viajante abrangido pelo EES, o registro de entrada e saída passa a ser eletrônico e inclui biometria.
- Muda: o carimbo manual deixa de ser o mecanismo normal de registro nas fronteiras que usam o EES.
- Pode mudar: o fluxo físico do aeroporto pode incluir quiosques de autoatendimento ou etapas de captura de rosto e digitais, conforme a infraestrutura local.
- Não muda: o EES não é visto, não é autorização prévia e não garante entrada.
- Não muda: as demais condições de fronteira e a regra de curta estada continuam valendo.
- Ainda não mudou em 14/9/2026: o ETIAS não está operacional e o site oficial diz que nenhum pedido deve ser feito neste momento.
E o ETIAS para brasileiros?
O Brasil aparece na lista oficial de nacionalidades isentas de visto que precisarão de ETIAS para estadas curtas nos países participantes quando o sistema entrar em funcionamento. A lógica será anterior ao embarque: o viajante fará um pedido eletrônico, e a autorização ficará vinculada ao passaporte. Ter um ETIAS válido, contudo, não substitui o controle de fronteira nem garante admissão; o viajante ainda precisa cumprir as condições de entrada.
O ponto mais importante para quem viaja agora é evitar sites que apresentem o ETIAS como se já fosse obrigatório ou como se o EES fosse uma etapa de inscrição online. Em 14 de setembro de 2026, a orientação oficial continua sendo: não há pedido de ETIAS aberto. Quando a União Europeia anunciar a data de início, vale conferir diretamente o portal oficial antes de pagar ou fornecer dados pessoais a terceiros.
Checklist rápido antes de viajar
- Confirme se o primeiro país onde você passará pela imigração usa o EES.
- Reserve algum tempo adicional para a coleta biométrica, sobretudo se for seu primeiro registro no sistema.
- Leve o passaporte que será usado durante toda a viagem e mantenha à mão os documentos que podem ser solicitados no controle de fronteira.
- Não procure uma “autorização EES”: o EES é um registro feito na fronteira.
- Para o ETIAS, consulte o portal oficial perto da data da viagem. Em 14/9/2026, ele ainda não aceita pedidos.
- Se a rota incluir Irlanda ou Chipre, verifique separadamente as regras: eles não usam o EES, e a abrangência futura do ETIAS não é idêntica.
Em resumo
Para brasileiros em estada curta, o EES já é uma realidade operacional: registra passaporte, entrada, saída e biometria na fronteira externa dos países participantes e substitui o carimbo manual. O ETIAS é outra coisa: será uma autorização prévia para viajantes isentos de visto, incluindo brasileiros, mas ainda não estava em operação em 14 de setembro de 2026. Separar esses dois momentos — EES na fronteira, ETIAS antes da viagem — evita a maior parte da confusão.





