A Romaria de Divina Pastora, também chamada oficialmente de Peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora, tem um núcleo que se repete há décadas: a grande caminhada sai de Riachuelo e segue até Divina Pastora no terceiro domingo de outubro. O que muda de uma edição para outra são os horários detalhados, a programação do sábado, o esquema de trânsito, os pontos de apoio e outros serviços. Por isso, vale separar a tradição permanente das informações que precisam ser reconfirmadas perto da data.
Em 2026, o Santuário anuncia a 68ª Peregrinação para os dias 17 e 18 de outubro. O domingo, 18 de outubro, é o terceiro domingo do mês e corresponde ao dia tradicional da caminhada principal. Em 12 de agosto, a Arquidiocese de Aracaju já havia divulgado orientações pastorais aos sacerdotes para o atendimento aos peregrinos, mas a programação pública detalhada da edição ainda precisava ser acompanhada nos canais oficiais.
Quando acontece a Romaria de Divina Pastora
A data estrutural é o terceiro domingo de outubro. O próprio Santuário registra que essa referência foi estabelecida em 1971 por Dom Luciano José Cabral Duarte, depois que as chuvas de agosto e setembro dificultaram a realização da peregrinação no período em que ela havia começado.
A tradição nasceu antes. O Santuário situa a primeira peregrinação em 24 de agosto de 1958, organizada pelo então padre Luciano Cabral Duarte após seu retorno da França e inspirada nas peregrinações à Catedral de Chartres. O grupo saiu de Riachuelo em direção a Divina Pastora. Depois de uma interrupção em alguns anos, a caminhada retomou o percurso em 1972 e se consolidou em outubro.
Na prática, a programação costuma ocupar o fim de semana. O sábado pode ter missas, procissão, acolhida e outras atividades, enquanto o domingo concentra a caminhada entre Riachuelo e Divina Pastora e as celebrações no destino. Esses horários não devem ser copiados de uma edição anterior: são justamente a parte mais sujeita a alteração.
Qual é o percurso de Riachuelo a Divina Pastora
O eixo tradicional liga Riachuelo ao Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora. O ponto de referência histórico em Riachuelo é a Paróquia da Imaculada Conceição, de onde a peregrinação nasceu e onde edições recentes também tiveram celebrações antes da saída.
O trajeto acompanha o trecho da SE-160 entre os dois municípios. Desde 2014, essa ligação recebeu o nome de Caminho dos Peregrinos de Divina Pastora "Padre Raimundo Cruz", em homenagem a um dos grandes propagadores da peregrinação.
Para planejamento físico, é razoável considerar uma caminhada de cerca de 10 quilômetros. Fontes locais usam pequenas variações de medida, de aproximadamente 9 a 10 quilômetros, e um documento legislativo estadual de 2026 cita cerca de 9,8 quilômetros para a ligação rodoviária entre Riachuelo e Divina Pastora. A diferença não muda a preparação prática: trata-se de uma caminhada longa, feita em grupo numeroso e, em parte do percurso, com exposição ao tempo.
Ao chegar a Divina Pastora, o fluxo se concentra na área do Santuário e nas celebrações previstas para aquele ano. Como o desenho operacional pode mudar, o peregrino deve conferir se haverá alterações no ponto exato de saída, no acesso de veículos, nas áreas de embarque e desembarque e nos bloqueios da rodovia.
O que é permanente e o que precisa ser conferido a cada edição
O que pode ser tratado como estrutura permanente é a realização no terceiro domingo de outubro, o sentido Riachuelo-Divina Pastora, a caminhada penitencial e devocional, o Santuário como destino e a centralidade de Nossa Senhora Divina Pastora. Também faz parte da identidade do evento o caráter de grande manifestação religiosa sergipana, reconhecida como patrimônio cultural de natureza imaterial do estado desde 2014.
Já a programação detalhada é anual. Horário da missa em Riachuelo, momento da saída da imagem, missas em Divina Pastora, confissões, shows ou apresentações, pontos de hidratação, atendimento de saúde, banheiros, estacionamento, transporte especial e esquema de trânsito podem mudar. O mesmo vale para orientações de segurança e para eventuais restrições de circulação.
Esse cuidado evita um erro comum em buscas sobre a romaria: encontrar uma página de 2024 ou 2025 e assumir que os horários continuam valendo. Em 2025, por exemplo, a programação pública previa missa em Riachuelo às 5h e saída dos peregrinos às 6h. Esse dado ajuda a entender a dinâmica da festa, mas não deve ser usado como horário automático de 2026.
Como se preparar para a caminhada
Teste a distância antes do dia da romaria
Quem pretende fazer o percurso inteiro deve lembrar que cerca de 10 quilômetros exigem mais do que disposição momentânea. Se você não costuma caminhar essa distância, fazer percursos progressivos nas semanas anteriores ajuda a perceber como pés, joelhos e ritmo respondem ao esforço. O objetivo não é transformar a peregrinação em prova esportiva, mas chegar com uma noção realista do próprio limite.
Calçado já usado e confortável tende a ser mais seguro do que estrear um tênis no dia. Meias adequadas, roupa leve e uma carga pequena também reduzem desconfortos desnecessários durante várias horas em movimento.
Planeje hidratação e proteção contra o calor
A caminhada ocorre ao ar livre e pode envolver sol e calor. O Ministério da Saúde alerta que exposição prolongada, atividade extenuante e falta de hidratação aumentam o risco de problemas relacionados ao calor. Água, proteção para a cabeça, roupas adequadas e protetor solar são itens básicos de planejamento.
Tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea, confusão ou mal-estar importante não devem ser tratados como parte normal do sacrifício da caminhada. Diante de sintomas relevantes, a orientação é interromper o esforço e procurar o atendimento disponível.
Leve apenas o necessário
Documento de identificação, celular carregado, água, medicação de uso habitual, algum alimento simples e proteção contra sol ou chuva costumam resolver as necessidades mais previsíveis. Quanto menor o peso carregado, melhor para quem ficará horas andando e em pé.
Também é útil combinar um ponto de encontro com acompanhantes. Em uma multidão, depender apenas de chamadas ou mensagens pode ser insuficiente, especialmente se houver sinal congestionado ou separação do grupo.
Crianças, idosos e pessoas com limitações precisam de plano próprio
Nem todo participante precisa fazer o percurso completo a pé. Para crianças pequenas, idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou com condições de saúde que dificultem esforço prolongado, a decisão deve considerar segurança, possibilidade de descanso e uma alternativa de transporte ou saída do trajeto.
Quem tem dúvida sobre a própria capacidade para uma caminhada desse porte deve buscar orientação de um profissional de saúde que conheça sua condição. Também vale localizar com antecedência onde estarão os pontos de apoio divulgados para a edição.
O que conferir antes de sair de casa
A primeira checagem deve ser nos canais oficiais do Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora e da Arquidiocese de Aracaju. Eles são as referências mais diretas para datas, celebrações, orientações pastorais e atualizações da peregrinação.
Na semana do evento, confirme o horário da saída em Riachuelo, a programação completa do sábado e do domingo, o esquema de trânsito na SE-160, estacionamento e transporte, pontos de hidratação e atendimento, previsão do tempo e eventuais orientações de autoridades locais. Se houver caravana, verifique também onde o ônibus poderá deixar e buscar os participantes.
O Santuário mantém há anos uma campanha para preservar o caráter religioso da peregrinação e desencorajar o consumo de álcool durante o evento. Para quem vai caminhar, isso também favorece uma participação mais segura e coerente com a proposta devocional da romaria.
O que já está confirmado para 2026
A 68ª Peregrinação está anunciada para 17 e 18 de outubro de 2026. A data principal coincide com o terceiro domingo de outubro, 18 de outubro, mantendo a tradição histórica. A Arquidiocese de Aracaju também já mobilizou o clero para o atendimento aos peregrinos, inclusive com orientação para ampliar a disponibilidade de sacerdotes para confissões e acolhimento no Santuário.
O que não deve ser presumido com base em anos anteriores são os horários exatos da programação, a logística de trânsito, os serviços e os pontos de apoio. Quando esses detalhes forem publicados, eles devem prevalecer sobre qualquer guia antigo.
Um guia que continua válido depois de 2026
Para futuras edições, a lógica é simples: use o terceiro domingo de outubro e o percurso Riachuelo-Divina Pastora como referência estrutural, mas trate horários, programação e operação de trânsito como informações anuais. Assim, este guia ajuda a entender a tradição sem transformar detalhes de uma edição específica em regra permanente.
A peregrinação nasceu como uma caminhada de fé e continua organizada em torno desse gesto: sair de Riachuelo, percorrer o Caminho dos Peregrinos e chegar ao Santuário. Quem separa o que é tradição do que é serviço temporário consegue se preparar melhor e evita depender de informações antigas na hora de participar.





