Em 18 de março de 1990, dois homens vestidos como policiais entraram no Isabella Stewart Gardner Museum, em Boston, renderam dois vigilantes e levaram 13 peças. O conjunto inclui pinturas, desenhos, uma pequena gravura de Rembrandt, um vaso ritual chinês de bronze e um ornamento em forma de águia. As páginas oficiais consultadas em 27 de setembro de 2026 ainda descrevem o caso como não solucionado e a busca pelas peças como ativa. O FBI divulgou conclusões investigativas sobre quem acredita serem os ladrões e por onde parte do acervo passou, mas isso não equivale à identificação pública comprovada de autores nem à localização atual das obras.
Como ocorreu o roubo de 18 de março de 1990
Segundo o museu e o FBI, a dupla alegou atender a uma ocorrência e foi admitida pela entrada de funcionários, contrariando o protocolo de segurança. Depois de dominar os dois vigilantes, amarrou-os no subsolo. Os invasores permaneceram cerca de 81 minutos no edifício e retiraram peças de três ambientes.
- Na Dutch Room, no segundo andar, saíram obras de Vermeer, Rembrandt e Govaert Flinck, além de um antigo recipiente chinês de bronze. Duas pinturas de Rembrandt foram cortadas de suas molduras.
- Na Short Gallery, também no segundo andar, desapareceram cinco trabalhos de Edgar Degas e o ornamento de águia.
- Na Blue Room, no primeiro andar, foi levada a pintura Chez Tortoni, de Édouard Manet.
- O museu informa que a dupla deixou o local às 2h45, após duas viagens até o carro. Os vigilantes permaneceram imobilizados até a chegada da polícia, às 8h15.
Quais são as 13 peças desaparecidas?
A relação abaixo segue o inventário publicado pelo museu. Os títulos originais permitem reconhecer cada peça em catálogos e avisos de busca; as duas entradas Study for the Programme correspondem a trabalhos distintos, não a uma repetição acidental.
| Nº | Obra ou objeto | Autor ou origem | Natureza | Sala de onde saiu |
|---|---|---|---|---|
| 1 | The Concert | Johannes Vermeer | Pintura | Dutch Room |
| 2 | Christ in the Storm on the Sea of Galilee | Rembrandt van Rijn | Pintura | Dutch Room |
| 3 | A Lady and Gentleman in Black | Rembrandt van Rijn | Pintura | Dutch Room |
| 4 | Portrait of the Artist as a Young Man | Rembrandt van Rijn | Pequena gravura | Dutch Room |
| 5 | Landscape with an Obelisk | Govaert Flinck | Pintura | Dutch Room |
| 6 | Gu | China, autoria não identificada | Recipiente de bronze | Dutch Room |
| 7 | Study for the Programme (1 de 2) | Edgar Degas | Desenho | Short Gallery |
| 8 | Study for the Programme (2 de 2) | Edgar Degas | Desenho | Short Gallery |
| 9 | Leaving the Paddock | Edgar Degas | Desenho | Short Gallery |
| 10 | Procession on a Road near Florence | Edgar Degas | Desenho | Short Gallery |
| 11 | Three Mounted Jockeys | Edgar Degas | Desenho | Short Gallery |
| 12 | Eagle Finial | Antoine-Denis Chaudet (catalogação do museu) | Ornamento de águia | Short Gallery |
| 13 | Chez Tortoni | Édouard Manet | Pintura | Blue Room |
A contagem de 13 abrange diferentes materiais e técnicas: não foram roubados 13 quadros. O retrato juvenil de Rembrandt é uma gravura de pequenas dimensões; o Gu é um recipiente chinês de bronze; e o Eagle Finial é um ornamento associado à iconografia napoleônica. O museu cataloga este último sob o nome de Antoine-Denis Chaudet.
O que o FBI efetivamente confirma sobre autores e paradeiro
O FBI documenta o modo de entrada dos dois homens, a imobilização dos vigilantes, o conjunto subtraído e a continuidade das buscas. A instituição descreve as peças como avaliadas em mais de US$ 500 milhões à época do roubo. Essa cifra é uma avaliação divulgada para o conjunto, não o preço comprovado de venda de cada obra.
Em comunicado conjunto de 18 de março de 2013, o FBI afirmou ter identificado os ladrões com alto grau de confiança e os vinculou a uma organização criminosa sediada na região do Atlântico Médio e na Nova Inglaterra. Também afirmou que obras foram transportadas para Connecticut e a região de Filadélfia e que algumas haviam sido oferecidas à venda. O comunicado não publicou uma lista nominal de autores e reconheceu que, depois dessa etapa, o conhecimento sobre o paradeiro das peças era limitado.
No aviso público de busca consultado nesta apuração, o FBI diz ter determinado que as 13 peças foram separadas depois do roubo. Afirma que algumas teriam circulado pela costa leste dos Estados Unidos, passando pelo Atlântico Médio em direção ao sul, mas ressalva que a localização atual pode ser qualquer parte do mundo. Portanto, a rota investigada não é um endereço confirmado de armazenamento.
Em 2015, o FBI divulgou vídeo de uma entrada não autorizada no museu na véspera do crime. O registro mostra um homem não identificado e um veículo; a publicação buscava novas informações. A existência da gravação, por si só, não prova que o visitante fosse um dos dois ladrões.
Em episódio oficial de 2023, o agente Geoffrey Kelly explicou que a investigação considera hipóteses sobre deslocamento das peças, mas reconhece a possibilidade de elas estarem erradas. Na mesma entrevista, disse que a equipe não havia recebido informação confiável de que alguma peça tivesse sido destruída. Isso tampouco constitui prova de que todas estejam preservadas.
O que continua sem comprovação pública
Há uma diferença entre o FBI declarar confiança numa linha investigativa e tornar pública uma prova conclusiva sobre pessoas específicas. O museu continua qualificando o roubo como não solucionado. As fontes institucionais consultadas não permitem tratar nomes difundidos em livros, documentários ou reportagens como autoria judicialmente estabelecida.
Também não há, nesses comunicados, confirmação pública do esconderijo de qualquer uma das 13 peças, de uma venda consumada de todo o conjunto ou de destruição das obras. Teorias sobre participação interna, grupos criminosos específicos e destinos internacionais devem permanecer identificadas como teorias ou alegações de suas respectivas fontes, não como fatos estabelecidos pelo FBI.
Recompensa, molduras vazias e como enviar informações
O museu mantém recompensa de até US$ 10 milhões por informações que levem à devolução segura das obras em bom estado e prevê participação proporcional para a recuperação de peças individuais. Há ainda recompensa adicional de US$ 100 mil pelo ornamento de águia. O FBI esclarece que não administra essas recompensas nem seus termos.
Quem tiver informação pode contatar o FBI pelo 1-800-225-5324 ou por tips.fbi.gov; o museu informa o telefone +1 617-278-5114 e o e-mail reward@gardnermuseum.org. As molduras vazias exibidas na Dutch Room foram recolocadas em 1994 como lembrança das ausências e sinal da intenção de recuperar as pinturas. Sua presença não indica que as peças já tenham sido encontradas.
Fontes e referências
- FBI: histórico do roubo no Museu Gardner
- FBI: aviso público de busca pelas obras
- Isabella Stewart Gardner Museum: relato e inventário das 13 peças
- Departamento de Justiça dos EUA: comunicado de 18 de março de 2013
- FBI: divulgação do vídeo de segurança em 6 de agosto de 2015
- FBI: entrevista oficial sobre a investigação, 23 de junho de 2023





