Fundamentos Científicos10/09/2026Núcleo de Ciências da Natureza6 min de leituraAtualizado em 16/09/2026

PISA 2025: o que o nível 2 de Ciências exige — 3 exemplos para testar conclusões com dados

Entenda o nível 2 de Ciências do PISA 2025 e pratique, com três situações originais, como decidir se uma conclusão é sustentada pelos dados.

Estudante analisando três gráficos simples de ciências em um tablet, cercada por materiais escolares, microscópio e elementos visuais sobre PISA 2025.

O nível 2 de Ciências do PISA 2025 marca o ponto em que o estudante começa a usar conhecimentos científicos de forma funcional, e não apenas a reconhecer informações isoladas. Na nota do Brasil, a OCDE resume esse patamar dizendo que o aluno consegue reconhecer explicações corretas para fenômenos científicos familiares e, em casos simples, verificar se uma conclusão é válida com base nos dados fornecidos.

Nos resultados divulgados em 8 de setembro de 2026, 48% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível 2 ou superior em Ciências, ante 74% na média da OCDE. Ciências foi o domínio principal do PISA 2025. A seguir, três situações próprias — criadas apenas para estudo e não retiradas de itens do PISA — mostram como esse tipo de raciocínio pode aparecer.

O que o nível 2 de Ciências exige no PISA 2025

Na escala de Ciências do PISA 2025, o nível 2 começa em 410 pontos. A OCDE o trata como um nível de referência de proficiência: é quando o estudante passa de simplesmente reconhecer ideias científicas para usar ciência em tarefas básicas de explicação, interpretação e avaliação.

Entre as capacidades descritas pela OCDE para esse patamar estão:

  • distinguir uma explicação científica adequada de uma explicação não científica;
  • dar uma explicação simples para um fenômeno cotidiano e familiar;
  • interpretar relações simples em dados, inclusive perceber um valor fora do padrão;
  • identificar, em gráfico ou tabela, qual evidência apoia uma afirmação;
  • avaliar aspectos simples de uma investigação e usar um critério básico para julgar a credibilidade de uma fonte.

Isso não significa dominar conteúdos avançados nem resolver qualquer problema de Ciências. O ponto central é conseguir conectar uma afirmação à evidência disponível e evitar conclusões que vão além do que os dados permitem.

Um método curto para testar uma conclusão

  1. Leia a pergunta antes dos números. Descubra exatamente o que precisa ser comparado.
  2. Localize a evidência relevante. Nem todo dado da tabela é necessário para responder.
  3. Compare a conclusão com o que foi observado. Procure apoio direto nos valores, tendências ou diferenças.
  4. Cheque se houve exagero. Palavras como “sempre”, “causa”, “prova” ou “em qualquer situação” exigem evidência mais forte.

Nos exemplos abaixo, os dados são hipotéticos e foram construídos para praticar esse procedimento.

Exemplo 1: crescimento de plantas sob três condições de luz

Três grupos de mudas da mesma espécie foram acompanhados por 14 dias. A tabela mostra o crescimento médio observado no período.

Condição Crescimento médio
Luz solar 7,2 cm
Luz artificial 5,1 cm
Sombra 2,9 cm

Conclusão sustentada pelos dados

“Neste experimento, as mudas expostas à luz solar cresceram mais, em média, do que as mantidas na sombra.” A conclusão é compatível com a tabela: 7,2 cm é maior que 2,9 cm, e a frase limita o alcance ao experimento observado.

Conclusão que os dados não sustentam

“A luz solar é sempre a melhor condição para qualquer planta.” A tabela não permite essa generalização. Só há uma espécie, um período curto e três condições específicas. O dado apoia uma comparação local, não uma regra universal.

Exemplo 2: temperatura da água depois de desligar o aquecimento

Um recipiente com água foi retirado de uma fonte de calor, e a temperatura foi medida a cada cinco minutos.

Tempo após retirar do calor Temperatura
0 min 80 °C
5 min 68 °C
10 min 59 °C
15 min 52 °C
20 min 47 °C

Conclusão sustentada pelos dados

“A temperatura diminuiu durante os 20 minutos observados.” Todos os registros sucessivos são menores que o anterior. A conclusão descreve uma tendência diretamente visível nos dados.

Conclusão que os dados não sustentam

“A água continuará esfriando no mesmo ritmo indefinidamente.” A tabela mostra apenas 20 minutos e, além disso, as quedas não têm exatamente o mesmo tamanho. Projetar o mesmo comportamento para qualquer tempo futuro exigiria outras evidências e um modelo adequado.

Exemplo 3: teste de um filtro para reduzir turbidez

Em três repetições, uma amostra de água foi medida antes e depois de passar pelo mesmo filtro. Valores menores indicam menor turbidez.

Repetição Antes do filtro Depois do filtro
1 18 unidades 8 unidades
2 17 unidades 7 unidades
3 19 unidades 9 unidades

Conclusão sustentada pelos dados

“Nas três repetições, a turbidez medida foi menor depois da filtragem.” A afirmação pode ser verificada linha a linha: 8 é menor que 18, 7 é menor que 17 e 9 é menor que 19.

Conclusão que os dados não sustentam

“O filtro torna qualquer água própria para beber.” Turbidez é apenas uma medida. A tabela não informa presença de microrganismos, substâncias químicas ou outros critérios de potabilidade. Portanto, essa conclusão acrescenta algo que não foi medido.

O que os três exemplos ensinam sobre o nível 2

Nos três casos, a parte mais importante não é fazer uma conta difícil. É controlar o alcance da conclusão. Uma resposta adequada precisa combinar o que foi perguntado, os dados relevantes e uma frase que não diga mais do que a evidência permite.

  • No exemplo das plantas, a comparação é válida para o experimento, mas não para todas as espécies.
  • No exemplo da temperatura, a tendência observada é clara, mas não autoriza prever o futuro indefinidamente.
  • No exemplo do filtro, o indicador medido melhora, mas não basta para afirmar potabilidade.

Esse cuidado é coerente com a descrição do nível 2 do PISA 2025: interpretar dados simples, identificar evidência que sustenta uma afirmação e usar conhecimentos científicos básicos em situações familiares.

Como interpretar o resultado do Brasil

A nota do Brasil publicada pela OCDE informa que 48% dos estudantes atingiram o nível 2 ou superior em Ciências, enquanto a média da OCDE foi de 74%. O Inep também informou que o Brasil obteve média de 409 pontos em Ciências e que o domínio científico teve maior cobertura de itens em 2025.

A média nacional de pontos e a proporção de estudantes em cada nível respondem a perguntas diferentes. A média resume o desempenho do conjunto; já o percentual no nível 2 ou acima mostra quantos estudantes alcançaram pelo menos esse patamar descritivo. Por isso, não é correto interpretar o nível 2 como uma “nota de aprovação escolar” individual.

Como praticar esse raciocínio sem decorar respostas

  • Use tabelas curtas e faça uma pergunta objetiva sobre o que os números mostram.
  • Escreva duas conclusões: uma estritamente apoiada pelos dados e outra propositalmente exagerada.
  • Sublinhe no conjunto de dados a evidência que justifica a conclusão correta.
  • Pergunte o que não foi medido antes de aceitar afirmações sobre causa, segurança, eficácia ou universalidade.

Para consultar os descritores e o contexto oficial, veja o capítulo da OCDE sobre desempenho no PISA 2025, a nota específica do Brasil e a divulgação do Inep. Esses materiais explicam o nível de proficiência; os três exercícios deste artigo são exemplos didáticos originais.

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