O Corinthians reconheceu que o planejamento para a recuperação do gramado da Neo Química Arena não entregou o resultado esperado na retomada dos jogos após a pausa da Copa do Mundo de 2026. Em entrevista divulgada em 19 de setembro, o executivo de futebol Marcelo Paz afirmou que a expectativa era ter o campo em boas condições já contra o Remo, mas isso não ocorreu. Ele também citou o jogo contra o Athletico Paranaense como outra partida disputada com o gramado abaixo do padrão desejado.
A explicação apresentada pelo dirigente se concentra em uma mudança de processo: pela primeira vez desde a inauguração da Arena, a renovação completa foi feita no inverno. Segundo Paz, a resposta da grama nesse período foi diferente da projetada e a superfície demorou mais para se firmar. A informação reforça o que a administração do estádio e a World Sports, empresa responsável pelo campo desde a abertura da Arena, já haviam explicado no fim de julho.
O que mudou na reforma do gramado
A reforma começou em junho, durante a pausa do calendário. A Neo Química Arena informou que o trabalho incluía retirada de matéria orgânica antiga, levantamento das fibras sintéticas do sistema híbrido, nivelamento com areia e nova semeadura. O estádio também anunciou a aquisição de equipamentos de fotossíntese para auxiliar o desenvolvimento da grama.
O campo da Arena combina grama natural com fibras sintéticas instaladas abaixo da superfície. Na reforma de 2026, foi usada grama de inverno do tipo ryegrass sobre base de areia. Segundo a World Sports, a superfície foi estabelecida por semeadura e precisa de tempo para desenvolver cobertura vegetal, raízes e integração com as fibras.
A empresa afirmou ao ge que as melhores práticas para esse modelo indicam cerca de oito semanas para maturação completa. Na Neo Química Arena, o gramado voltou a receber jogos aproximadamente 40 dias depois do início da semeadura. A diferença ajuda a entender por que havia menor densidade de grama e exposição de areia em áreas de uso mais intenso.
Onde o planejamento não funcionou como previsto
Marcelo Paz resumiu a falha como um erro de expectativa sobre o tempo de resposta do gramado no inverno. A previsão era que a superfície já estivesse boa no retorno contra o Remo. Isso não aconteceu, e o campo ainda apresentou problemas no duelo com o Athletico Paranaense.
Naquele período, reportagens do ge apontaram dois sintomas recorrentes: excesso de areia na superfície e pouca compactação. Jogadores e comissão técnica também relataram desconforto com a condição do campo. O gerente operacional da Arena, Marcio de Luna, reconheceu em julho que o desempenho não estava de acordo com o que havia sido planejado.
Um ponto importante é que o clube não apresentou a situação como consequência da troca de fornecedor. Paz disse que a empresa responsável não era nova e que atua no estádio desde o início da Neo Química Arena. O problema reconhecido foi o resultado do planejamento e da resposta do gramado dentro daquela janela de trabalho.
Quais medidas de correção foram documentadas
| Problema observado | Medida anunciada ou executada | O que as fontes confirmam |
|---|---|---|
| Baixa compactação e areia aparente | Perfurações no campo e manejo para aumentar a consistência da superfície | O ge relatou que o clube iniciou perfurações e acompanhava a compactação do piso. |
| Maturação incompleta da grama | Protocolo específico de manejo para consolidar o sistema radicular | A World Sports informou que o protocolo seria executado em conjunto com a equipe do estádio. |
| Qualidade abaixo do esperado no curto prazo | Força-tarefa entre futebol, gestão da Arena e empresa responsável | Em 31 de julho, Marcelo Paz anunciou uma mobilização de seis dias para melhorar o campo antes do jogo seguinte. |
| Necessidade de favorecer o crescimento | Uso de novos equipamentos de fotossíntese | A administração da Arena anunciou a compra dos equipamentos no início da reforma. |
| Risco de sobrecarga futura | Preservação do calendário do estádio | O ge informou que havia tendência de recusar propostas de eventos no fim do ano para proteger o gramado. |
Essas medidas mostram o plano de recuperação documentado, mas há uma ressalva temporal. Até 19 de setembro, as fontes consultadas não publicaram um novo boletim agronômico com números atualizados de compactação, densidade ou maturação. Por isso, não é correto afirmar apenas com base nessas reportagens que todos os parâmetros técnicos já atingiram o nível ideal.
O gramado causou as lesões de jogadores?
Não há base suficiente para afirmar uma relação causal direta. A discussão ganhou força depois de lesões no jogo contra o Athletico Paranaense. Fernando Diniz havia relacionado publicamente o problema de Zakaria Labyad ao estado do campo, mas Marcelo Paz adotou uma posição mais cautelosa em setembro.
Sobre Yuri Alberto, o executivo destacou que a lesão foi muscular e ocorreu em um lance com contato, por isso disse não conseguir atribuí-la ao gramado. No caso de Zakaria, Paz afirmou que a hipótese poderia ser discutida, mas lembrou que havia avaliações técnicas divergentes. A conclusão mais segura é que o campo estava em condição ruim naquele jogo, enquanto a causa médica específica das lesões exige avaliação própria.
O que acompanhar a partir de agora
- novas avaliações técnicas da Neo Química Arena ou da World Sports sobre compactação, raízes e densidade da grama;
- feedback de jogadores e comissão técnica após as partidas seguintes em Itaquera;
- decisões sobre eventos extras no estádio, já que a preservação do campo entrou no planejamento;
- eventuais mudanças no cronograma de futuras trocas de gramado, especialmente em janelas de inverno;
- qualquer atualização oficial que diferencie manutenção rotineira de uma nova intervenção estrutural.
O episódio deixa uma distinção importante: o Corinthians reconheceu que a programação não produziu o nível de gramado esperado no momento da retomada, mas não atribuiu o problema a uma empresa recém-contratada nem confirmou que o campo tenha sido a causa direta das lesões. O que está documentado é uma combinação de janela de maturação mais curta, resposta diferente da grama de inverno e medidas posteriores de manejo e preservação.
Fontes principais: Meu Timão, 19/09/2026; ge, 31/07/2026; ge, 31/07/2026; Neo Química Arena, 11/06/2026.





