A resposta central é mais simples do que parece: o Palmeiras não recebe integralmente o dinheiro do naming rights do Nubank Parque. Enquanto vigorar o direito de superfície concedido à Real Arenas, empresa do grupo WTorre, a exploração comercial da arena segue as regras do contrato de 30 anos iniciado em novembro de 2014. Hoje, o clube tem direito a 15% da receita de naming rights. A bilheteria dos jogos do Palmeiras, por outro lado, fica integralmente com o clube.
A resposta curta: hoje, 15% do naming rights é do Palmeiras
O Nubank anunciou em abril de 2026 que adquiriu os naming rights da arena em uma parceria de longo prazo firmada com a WTorre. A comunicação oficial do banco confirmou a relação comercial e, em maio, o nome Nubank Parque, escolhido em votação popular. O valor do contrato, porém, não foi divulgado oficialmente pelo Nubank nem pela WTorre.
Reportagens do ge e da ESPN apontam um valor anual próximo de R$ 50 milhões a R$ 51 milhões e indicam que o vínculo deve acompanhar o período restante do direito de superfície, até 2044. Esses números são estimativas jornalísticas, não valores confirmados pelas partes.
Aplicando o percentual contratual atual de 15% sobre essa faixa, a parcela do Palmeiras ficaria em aproximadamente R$ 7,5 milhões a R$ 7,65 milhões por ano. Essa conta é útil para entender a ordem de grandeza, mas não deve ser tratada como receita oficial garantida, porque o preço, as condições de pagamento, eventuais reajustes e a base exata de incidência não foram tornados públicos.
Por que a WTorre negocia o nome de um estádio que é do Palmeiras?
A chave para entender a arena é separar propriedade de exploração. O estádio pertence ao Palmeiras, mas o clube concedeu o direito de superfície do terreno
para a parceira explorar o empreendimento por 30 anos. A própria página oficial do Palmeiras registra que a cessão foi aprovada em 2008, que o contrato com a WTorre foi assinado em 2010 e que a arena reinaugurada em 2014 teve a obra, estimada pelo clube em cerca de R$ 630 milhões, custeada pela parceira.
A partir do primeiro evento realizado em novembro de 2014 começou a contar o prazo de 30 anos da escritura de superfície. As demonstrações financeiras do Palmeiras registram essa estrutura e indicam que a exploração da superfície pela Real Arenas vai até novembro de 2044.
Por isso, até o fim desse prazo, propriedades comerciais da arena podem ser negociadas pela superficiária. Foi o que ocorreu com o Nubank: a negociação do naming rights foi conduzida pela WTorre, não pelo Palmeiras. O clube, entretanto, recebe a participação prevista na escritura.
A arena tem receitas diferentes e cada uma segue uma regra
O erro mais comum ao olhar para o Nubank Parque é tratar toda a arrecadação como se entrasse no mesmo caixa. Não entra. O contrato separa a renda dos jogos do Palmeiras das receitas de exploração comercial da arena.
Bilheteria dos jogos: 100% fica com o Palmeiras
Desde a inauguração, a receita de ingressos dos jogos do Palmeiras pertence integralmente ao clube. Isso não significa que toda receita gerada dentro do estádio em dia de partida seja automaticamente do Palmeiras, porque cadeiras, camarotes e outras propriedades comerciais têm regras próprias. Mas a bilheteria do jogo, em si, não é dividida com a WTorre.
Essa diferença ajuda a entender por que números de renda de partidas não podem ser comparados diretamente com o que o clube recebe de shows, estacionamento, lojas ou naming rights.
Shows, lojas, lanchonetes e estacionamento: o Palmeiras recebe 30% hoje
O primeiro grupo de receitas comerciais reúne a locação da arena para eventos e a exploração de áreas como lojas, lanchonetes e estacionamento. O percentual do Palmeiras cresce a cada cinco anos.
Nos cinco primeiros anos da operação, a fatia do clube foi de 20%. Entre o quinto e o décimo ano, passou a 25%. Desde novembro de 2024, quando a arena completou dez anos, o percentual é de 30%.
Se a escada contratual seguir sem alteração, a fatia sobe para 35% entre novembro de 2029 e novembro de 2034, para 40% entre novembro de 2034 e novembro de 2039 e para 45% no último ciclo, de novembro de 2039 até o fim do direito de superfície em 2044.
O restante da receita permanece do lado da exploração comercial da arena. Isso não deve ser confundido com lucro líquido da WTorre ou de qualquer futura operadora, porque dessa parcela ainda podem sair custos, tributos, contratos com fornecedores e outras obrigações da operação.
Cadeiras, camarotes e naming rights: o Palmeiras recebe 15% hoje
O segundo grupo tem percentuais menores. Ele inclui a locação de cadeiras e camarotes e o naming rights da arena.
Nos primeiros cinco anos, o Palmeiras tinha direito a 5%. Do quinto ao décimo ano, 10%. Desde novembro de 2024, a participação é de 15%.
A próxima mudança está prevista para novembro de 2029, quando a fatia passa a 20%. Em novembro de 2034, sobe para 25%. No último ciclo, a partir de novembro de 2039 e até 2044, chega a 30%.
É nessa segunda escada que entra o contrato do Nubank. Portanto, o percentual atual usado para calcular a parcela palmeirense é 15%, não 30%.
Quanto o Palmeiras efetivamente recebe do Nubank Parque
A pergunta "quanto o Palmeiras recebe do Nubank?" precisa de duas respostas: uma contratual e outra estimada.
A resposta contratual é confirmável: o Palmeiras tem direito a 15% da receita de naming rights neste estágio do acordo de superfície. Essa porcentagem é pública em reportagens que detalharam a escritura e foi reafirmada quando o Nubank assumiu o nome da arena.
A resposta em reais ainda não é oficial. O Nubank descreveu a parceria como de longo prazo, mas não informou preço nem prazo final em seus comunicados públicos. O ge calculou cerca de R$ 51 milhões por ano e a ESPN publicou estimativa próxima de US$ 10 milhões anuais, também sem confirmação das partes.
Se o valor anual estiver realmente entre R$ 50 milhões e R$ 51 milhões, a fatia de 15% corresponde a algo entre R$ 7,5 milhões e R$ 7,65 milhões por ano no estágio atual. Quando o percentual do clube subir para 20%, 25% e 30% nos ciclos seguintes, a parcela também aumenta, desde que a base do contrato de naming rights continue a mesma ou seja reajustada para cima.
O acordo de R$ 117,1 milhões de 2024 não foi um cheque de R$ 117,1 milhões
Em outubro de 2024, Palmeiras e Real Arenas encerraram uma disputa que se arrastava por anos sobre repasses da arena. O comunicado oficial do clube informou um saldo financeiro de R$ 117,1 milhões.
Desse total, R$ 50,1 milhões foram pagos à vista. O restante foi composto por concessões e propriedades da arena, além da implementação do novo Setor Gol Norte. Reportagem do ge detalhou que o acerto também envolveu períodos sem cobrança ao clube pelo uso de camarotes e da loja do Avanti, a retirada de aluguel e condomínio do museu até o fim do contrato e a abertura do Gol Norte para ampliação de cerca de mil lugares.
Portanto, dizer que o Palmeiras "recebeu R$ 117,1 milhões em dinheiro" distorce o acordo. O valor total combina caixa e benefícios econômicos avaliados dentro da negociação.
O acerto de 2024 também não transferiu ao Palmeiras a exploração comercial da arena. Ele encerrou as disputas, ajustou usos e cobranças e normalizou os repasses previstos na escritura, mantendo a lógica de percentuais crescentes até 2044.
Os números de 2025 mostram por que as contas da arena podem confundir
As demonstrações financeiras do Palmeiras de 2025 registraram R$ 72 milhões na rubrica "Contrato de superfícies - Arena". À primeira vista, esse número pode parecer o total de dinheiro repassado pela WTorre naquele ano, mas a nota explicativa faz uma separação importante.
Do total de R$ 72 milhões reconhecidos contabilmente, R$ 19,387 milhões correspondem à amortização anual de receita ligada à ativação do estádio. Outros R$ 52,613 milhões são relacionados ao percentual de repasse previsto na escritura pública.
Essa distinção é essencial. Receita contábil do contrato de superfície, repasse comercial corrente e bilheteria dos jogos são coisas diferentes. Somar tudo sem separar as naturezas produz números que parecem contraditórios, embora estejam medindo caixas distintos.
Confirmado x estimado
O que está confirmado
Está confirmado que o Nubank comprou os naming rights em parceria com a WTorre e que o nome Nubank Parque foi escolhido em 2026. Também está confirmado que a WTorre, por meio da Real Arenas, detém o direito de exploração da superfície até novembro de 2044 e que o Palmeiras mantém 100% da bilheteria de seus jogos.
Também é confirmável a escada atual de repasses: 30% para o Palmeiras nas receitas de eventos, lojas, lanchonetes e estacionamento, e 15% nas receitas de cadeiras, camarotes e naming rights. O acordo de 2024 no valor total de R$ 117,1 milhões, com R$ 50,1 milhões pagos à vista, foi divulgado oficialmente pelo clube.
O que ainda é estimativa
O preço do contrato do Nubank não foi publicado oficialmente. Os R$ 50 milhões a R$ 51 milhões por ano aparecem em apurações jornalísticas. A duração exata do naming rights também não foi detalhada pelo Nubank em seu anúncio, embora reportagens indiquem um vínculo até 2044, compatível com o fim do direito de superfície da WTorre.
Por isso, a conta de R$ 7,5 milhões a R$ 7,65 milhões anuais para o Palmeiras deve ser apresentada como estimativa derivada de um valor jornalístico, e não como uma linha contratual confirmada.
O que muda até 2044
O contrato foi desenhado para transferir uma parcela maior das receitas comerciais ao Palmeiras conforme o tempo passa. O clube já atravessou os dois primeiros degraus e está, desde novembro de 2024, no terceiro ciclo.
Em novembro de 2029, a participação em eventos, lojas, lanchonetes e estacionamento deve passar de 30% para 35%, enquanto cadeiras, camarotes e naming rights passam de 15% para 20%.
Em novembro de 2034, as fatias sobem para 40% e 25%, respectivamente. Em novembro de 2039, chegam a 45% e 30%, permanecendo assim até o encerramento da superfície em 2044.
A lógica é simples: à medida que se aproxima o fim do período de exploração da parceira, o Palmeiras participa de uma parcela crescente das receitas geradas pelo empreendimento.
E o que acontece em 2045
O direito de superfície termina em novembro de 2044. A partir daí, o controle e a gestão da arena retornam integralmente ao Palmeiras, salvo se o clube decidir firmar uma nova parceria.
Isso muda o centro de decisão. O modelo atual, no qual a WTorre negocia propriedades como naming rights e repassa uma fatia ao clube, deixa de existir com o fim da escritura. Novos contratos comerciais passam a depender diretamente do Palmeiras ou de uma estrutura que o clube venha a contratar para operar a arena.
É por isso que 2044 é mais importante do que a simples data final de um contrato: é o limite jurídico da exploração concedida à parceira.
A possível entrada do BTG muda essa divisão?
Em agosto de 2026, UOL e Band noticiaram que o BTG Pactual tinha um acordo encaminhado para assumir a operação do Nubank Parque em parceria com a WTorre, que ficaria com participação minoritária. Até 22 de agosto, a negociação ainda era descrita como não formalizada e sem confirmação pública das empresas.
As reportagens afirmam que uma eventual troca do operador não altera o direito de superfície nem os percentuais de receitas assegurados ao Palmeiras. Em outras palavras, pode mudar quem controla a operação empresarial até 2044, mas não muda automaticamente quanto o clube tem direito a receber em cada propriedade.
Então quem ganha dinheiro com o Nubank Parque?
Nos jogos do Palmeiras, o clube fica com a bilheteria. Na exploração comercial da arena, o dinheiro é dividido conforme a natureza da receita e o estágio do contrato. Hoje, o Palmeiras recebe 30% de receitas como shows, lojas, lanchonetes e estacionamento, e 15% de cadeiras, camarotes e naming rights.
No caso do Nubank, o contrato foi fechado com a WTorre. Se a estimativa de R$ 50 milhões a R$ 51 milhões por ano estiver correta, a parcela atual do Palmeiras fica perto de R$ 7,5 milhões a R$ 7,65 milhões anuais. O número é uma estimativa, não um valor oficialmente divulgado.
Até 2044, os percentuais do clube aumentam em etapas. Depois do encerramento do direito de superfície, o Palmeiras volta a controlar integralmente a gestão e
passa a decidir diretamente como explorar a arena e suas propriedades comerciais.





