Bastidores e Gestão30/08/2026Redação do Futebol Carioca7 min de leituraAtualizado em 16/09/2026

Quanto o Maracanã lucrou em 2025? Receita, dividendos e quanto cabe a Flamengo e Fluminense

A operação Fla-Flu fechou 2025 com lucro de R$ 21,4 milhões. Entenda a receita, os dividendos e por que renda de jogos é outra conta.

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O número central é este: a Fla-Flu Serviços S.A., empresa que opera a concessão do Complexo Maracanã, fechou 2025 com lucro líquido de R$ 21,445 milhões. A receita operacional líquida ficou em cerca de R$ 109,8 milhões. Em uma apresentação da gestão realizada em 2026, os valores foram resumidos como aproximadamente R$ 120 milhões de receita bruta, R$ 110 milhões de receita líquida e R$ 21 milhões de lucro.

Isso não significa, porém, que Flamengo e Fluminense tenham colocado R$ 21,4 milhões no caixa. O lucro pertence primeiro à concessionária. Parte dele foi reconhecida contabilmente pelos clubes conforme suas participações na empresa e parte foi declarada como dividendo. Além disso, a renda que cada clube obtém nos próprios jogos é uma conta separada.

O que exatamente lucrou R$ 21,4 milhões

A empresa por trás da concessão é a Fla-Flu Serviços S.A. Ela foi constituída em 2024 por Flamengo e Fluminense para operar, manter e explorar economicamente o Maracanã e o Maracanãzinho. O Flamengo detém 65% da sociedade e o Fluminense, 35%.

O contrato de concessão foi assinado em 27 de setembro de 2024 e tem prazo de 20 anos. Por isso, quando se fala em "lucro do Maracanã" nas demonstrações financeiras, o sentido mais preciso é o resultado da empresa concessionária do complexo, e não apenas o saldo de bilheteria de partidas de futebol.

Em 2025, essa empresa registrou lucro líquido de R$ 21,445 milhões. O dado aparece nas demonstrações financeiras dos dois clubes, que apresentam a participação de cada um na Fla-Flu Serviços e o resultado da investida.

Receita, EBITDA e lucro são números diferentes

A receita mede quanto a operação gerou antes de todas as despesas necessárias para chegar ao resultado final. O lucro líquido é o que sobra depois de custos, despesas administrativas, despesas

financeiras e tributos.

A divulgação de 2025 aponta receita operacional líquida de aproximadamente R$ 109,8 milhões. Em apresentação posterior, a administração resumiu o exercício em cerca de R$ 120 milhões de receita bruta, R$ 110 milhões de receita líquida e EBITDA de R$ 59 milhões. O lucro líquido, depois das demais despesas e tributos, ficou em R$ 21,4 milhões.

Esses números ajudam a entender por que uma manchete pode falar em R$ 120 milhões de receita enquanto outra destaca R$ 21,4 milhões de lucro. Não há contradição: são etapas diferentes da demonstração de resultado.

A operação do complexo também não depende somente dos jogos. A concessionária explora atividades como camarotes, locação e cessão de espaços, visitas ao estádio, publicidade, patrocínios e outros usos comerciais. Isso cria uma receita própria da empresa, distinta da bilheteria que aparece nos balanços de Flamengo e Fluminense.

Quanto do lucro cabe a Flamengo e Fluminense

Se a pergunta for qual parcela econômica do lucro de 2025 corresponde a cada sócio, a divisão segue a participação societária.

O Flamengo, com 65%, reconheceu R$ 13,939 milhões de resultado de equivalência patrimonial ligado à Fla-Flu Serviços. O Fluminense, com 35%, reconheceu R$ 7,505 milhões. A soma fica praticamente igual ao lucro de R$ 21,445 milhões da concessionária, com pequena diferença de arredondamento.

Esse resultado de equivalência patrimonial não deve ser confundido com dinheiro transferido aos clubes. Ele é o reconhecimento contábil, no balanço de cada sócio, de sua parcela no resultado da empresa investida.

O dividendo foi menor que a parcela do lucro

A Fla-Flu Serviços declarou R$ 15,309 milhões em dividendos referentes a 2025. Pela divisão societária, R$ 9,951 milhões cabem ao Flamengo e R$ 5,358 milhões ao Fluminense.

Portanto, há dois números corretos para cada clube, mas eles respondem a perguntas diferentes. Para o Flamengo, R$ 13,939 milhões representam sua parcela contábil no lucro da concessionária, enquanto R$ 9,951 milhões foram declarados como dividendos. Para o Fluminense, os valores são R$ 7,505 milhões de equivalência patrimonial e R$ 5,358 milhões de dividendos.

A diferença também mostra que nem todo o lucro foi distribuído. Considerando os valores divulgados, cerca de R$ 6,1 milhões do resultado de 2025 permaneceram na companhia em vez de serem declarados aos acionistas.

Dividendo não é a mesma coisa que renda dos jogos

É aqui que aparecem muitas comparações enganosas. O Flamengo e o Fluminense são sócios da empresa que administra o complexo, mas cada clube também possui receitas e despesas próprias quando atua como mandante.

Essas receitas de jogo não são simplesmente colocadas em uma conta comum para depois serem divididas em 65% e 35%. A participação societária vale para o resultado da Fla-Flu Serviços. O desempenho econômico das partidas de cada clube aparece em seus próprios demonstrativos.

No balanço do Flamengo, por exemplo, o futebol masculino profissional registrou em 2025 R$ 140,845 milhões de renda bruta de jogos. Os custos diretos somaram R$ 56,519 milhões, deixando resultado líquido de R$ 84,326 milhões em 42 partidas.

Esse R$ 84,326 milhões não é o "lucro do Maracanã" de R$ 21,445 milhões e também não é o dividendo do Flamengo. É outro caixa: o resultado direto dos jogos do clube depois dos custos informados nessa linha do balanço.

No Fluminense, as demonstrações também separam receitas de bilheteria e outras receitas de jogos do resultado da participação na Fla-Flu Serviços. A apresentação contábil, porém, não traz na mesma rubrica um resultado líquido de partidas diretamente comparável aos R$ 84,326 milhões divulgados pelo Flamengo. Por isso, usar a receita de jogos do Fluminense como se fosse "lucro" produziria uma comparação inadequada.

Por que a receita do Flamengo em jogos pode ser maior que a receita da concessionária

À primeira vista, pode parecer estranho que o Flamengo registre R$ 140,845 milhões de renda bruta em jogos enquanto a Fla-Flu Serviços tenha cerca de R$ 109,8 milhões de receita operacional líquida no ano.

A explicação está no escopo contábil. São entidades diferentes e receitas diferentes. A linha de jogos do Flamengo registra a atividade do clube como mandante. A receita da Fla-Flu Serviços registra o que pertence à empresa concessionária por suas atividades de exploração do complexo.

Além disso, transações entre o clube controlador e a concessionária podem aparecer em demonstrações individuais e ser eliminadas ou tratadas de outra forma em demonstrações consolidadas. Somar todos esses números como se fossem receitas independentes do mesmo negócio produziria dupla contagem.

O salto de 2024 para 2025 exige uma ressalva

A Fla-Flu Serviços encerrou 2024 com receita operacional líquida de R$ 18,463 milhões e prejuízo de R$ 5,330 milhões. Em 2025, passou para cerca de R$ 109,8 milhões de receita líquida e lucro de R$ 21,445 milhões.

A virada é clara, mas 2024 não representa um ano completo de operação. A companhia foi criada no fim de agosto, e o contrato de concessão foi assinado em 27 de setembro. As demonstrações de 2024 cobrem somente os meses iniciais da empresa.

Por isso, comparar os dois exercícios por uma simples taxa percentual de crescimento exagera a leitura. O ponto mais seguro é dizer que 2025 foi o primeiro exercício completo da nova concessionária e terminou com resultado positivo, enquanto 2024 foi um período curto de implantação e fechou no vermelho.

A própria evolução das linhas comerciais ajuda a explicar a mudança. Em 2024, as receitas da companhia já incluíam locação do estádio, camarotes, Tour Maracanã, patrocínio e outras receitas. Em 2025, a exploração comercial ganhou escala e passou a sustentar uma operação muito maior.

E quanto o Flamengo melhorou nos próprios jogos

Há uma segunda comparação útil, mas ela deve ficar separada do resultado da concessionária. No futebol masculino profissional, o Flamengo havia registrado em 2024 R$ 116,290 milhões de renda bruta de jogos, R$ 80,624 milhões de custos diretos e R$ 35,666 milhões de resultado líquido.

Em 2025, a renda bruta subiu para R$ 140,845 milhões, enquanto os custos diretos caíram para R$ 56,519 milhões. O resultado líquido avançou para R$ 84,326 milhões.

Nesse caso, a melhora não veio apenas de vender mais ingressos. A redução dos custos diretos foi decisiva. É por isso que o resultado líquido cresceu muito mais do que a renda bruta.

Mais uma vez, esse ganho pertence à operação dos jogos do Flamengo e não substitui o dividendo de R$ 9,951 milhões que o clube teve direito a receber como sócio da Fla-Flu Serviços.

A leitura correta dos números de 2025

Para não misturar as contas, vale usar uma pergunta de cada vez. Se a dúvida é quanto a concessionária do Maracanã lucrou, a resposta é R$ 21,445 milhões. Se a pergunta é quanto foi declarado em dividendos, o total é R$ 15,309 milhões, sendo R$ 9,951 milhões para o Flamengo e R$ 5,358 milhões para o Fluminense.

Se a pergunta é quanto do lucro da empresa pertence economicamente a cada sócio antes da distribuição, os balanços reconhecem R$ 13,939 milhões para o Flamengo e R$ 7,505 milhões para o Fluminense por equivalência patrimonial.

E se a discussão for bilheteria ou resultado das partidas, é preciso olhar os demonstrativos de cada clube, porque essa receita não segue automaticamente a divisão de 65% e 35% da concessionária.

O principal ganho de leitura está justamente nessa separação. "Lucro do Maracanã", "dividendo do Maracanã" e "renda dos jogos no Maracanã" parecem expressões equivalentes, mas representam caixas contábeis diferentes. Em 2025, misturá-las pode transformar números corretos em conclusões erradas.

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