A revisão da presença militar dos Estados Unidos na Europa continua sendo um processo de avaliação, não uma decisão final de retirada. Em 18 de setembro de 2026, o comandante do Comando Europeu dos EUA e comandante supremo aliado na Europa, general Alexus Grynkewich, participou de um briefing virtual para o subsecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, sobre caminhos possíveis para a revisão. Segundo a Reuters, o Pentágono prepara pelo menos quatro conjuntos de opções para o secretário de Defesa Pete Hegseth, enquanto cerca de 80 mil militares dos EUA permanecem destacados na Europa.
O que aconteceu em 18 de setembro
O briefing de 18 de setembro foi uma etapa interna para ajudar a definir as alternativas que chegarão à liderança do Pentágono. A participação de Grynkewich é relevante porque ele acumula a chefia do Comando Europeu dos EUA, EUCOM, e o posto de comandante supremo aliado na Europa, SACEUR, ligando a avaliação nacional dos EUA ao planejamento militar da OTAN.
A Reuters informou em 18 de setembro que o processo ainda trabalha com possibilidades, sem anúncio de uma configuração final. A OTAN também havia confirmado, em agosto, que Colby apresentou aos aliados a revisão em andamento e que o tema está ligado ao objetivo de ampliar a responsabilidade europeia na defesa coletiva.
O que está em análise
Documentos descritos pela Reuters mostram que a revisão não se limita a contar tropas. Ela compara diferentes formas de organizar a presença militar dos EUA no continente e de medir a contribuição dos aliados.
| Área | O que pode ser avaliado |
|---|---|
| Número e localização de forças | Quantidade de militares, países e instalações onde ficam posicionados e possíveis redistribuições dentro ou fora da Europa. |
| Ritmo e custo | Velocidade de eventuais ajustes, custos associados e efeitos sobre outras prioridades militares globais dos EUA. |
| Acesso, bases e sobrevoo | Condições oferecidas por aliados para uso de bases, passagem de forças e direitos de sobrevoo. |
| Infraestrutura estratégica | Redes espaciais, cibernéticas, de inteligência e outras estruturas que apoiam operações e projeção de poder. |
| Capacidade dos aliados | Trajetória de gastos de defesa, cumprimento de compromissos da OTAN e capacidade de cobrir lacunas no NATO Force Model. |
Em 27 de agosto, a Reuters detalhou os termos de referência da revisão. O documento citado pela agência prevê pelo menos quatro conjuntos de opções e inclui, entre os critérios, números de forças, localizações, velocidade de ajuste e custos. Também considera acesso, bases e sobrevoo, além de estruturas espaciais, cibernéticas e de inteligência.
Cronologia e atores institucionais
- Junho de 2026: Hegseth anuncia uma revisão da postura militar dos EUA na Europa e diz que o processo pode durar até seis meses.
- 27 de agosto: Colby apresenta aos embaixadores da OTAN a revisão em andamento. A OTAN registra oficialmente o encontro e o vincula ao reequilíbrio de responsabilidades dentro da aliança.
- 18 de setembro: Grynkewich participa do briefing com Colby para discutir abordagens possíveis.
- Até 6 de novembro: o cronograma citado pela Reuters prevê que pelo menos quatro conjuntos de opções sejam preparados para Hegseth.
- Até dezembro: o prazo público indicado para concluir a revisão de seis meses.
Quais limites o Congresso já aprovou
A revisão não ocorre sem restrições legais. A Lei de Autorização de Defesa Nacional para o ano fiscal de 2026 criou salvaguardas para mudanças relevantes na postura europeia. Conforme a síntese publicada pela senadora Jeanne Shaheen, a regra impede o Pentágono de manter o efetivo na Europa abaixo de 76 mil militares por mais de 45 dias sem as certificações exigidas ao Congresso e sem consulta aos aliados da OTAN.
O Congressional Research Service também registra que a legislação limita o uso de recursos do Departamento de Defesa para reduzir o efetivo abaixo desse patamar, desfazer-se de determinados locais e propriedades do EUCOM ou abandonar o arranjo em que o comandante do EUCOM também exerce a função de SACEUR, salvo após as certificações previstas. Isso significa que o piso de 76 mil não torna uma redução impossível, mas obriga o Executivo a seguir um procedimento de justificativa, avaliação e consulta para ultrapassar esse limite.
Confirmado x em análise
| Confirmado | Em análise ou ainda sem decisão |
|---|---|
| A revisão está em andamento e foi anunciada em junho. | Qual será o número final de militares dos EUA na Europa. |
| Grynkewich participou do briefing de 18 de setembro. | Quais países, bases ou unidades podem ganhar ou perder presença. |
| O Pentágono prepara pelo menos quatro conjuntos de opções. | Qual opção, se alguma, será escolhida por Hegseth e pela Casa Branca. |
| Há cerca de 80 mil militares dos EUA destacados na Europa. | Se a revisão resultará em cortes adicionais, redistribuição interna ou manutenção de parte relevante da postura atual. |
| O Congresso criou um piso processual de 76 mil e outras salvaguardas. | Como eventuais mudanças serão distribuídas geograficamente dentro da Europa. |
O que ainda não foi decidido
Até 18 de setembro, não havia anúncio de uma redução final vinculada a esta revisão, nem uma lista oficial de países ou bases que perderiam forças. Também não havia confirmação de que o efetivo cairia abaixo do limite de 76 mil estabelecido pelo Congresso. A existência de opções de redução deve ser entendida como parte do processo decisório, e não como evidência de que uma delas já foi aprovada.
A revisão trata da postura de forças dos EUA, das condições oferecidas pelos aliados e da divisão de responsabilidades dentro da OTAN. Ela não equivale, por si só, a uma mudança no Tratado do Atlântico Norte ou nas obrigações formais de defesa coletiva. Para acompanhar a pauta sem confundir hipótese com decisão, o melhor marcador é observar quando o Pentágono transformar os conjuntos de opções em uma escolha formal e quais consultas e certificações serão acionadas antes de mudanças que encontrem os limites definidos pelo Congresso.





