Recebeu um SMS, e-mail ou WhatsApp dizendo que sua encomenda está parada e que uma pequena taxa por Pix precisa ser paga antes da entrega? Não clique no link e não faça o pagamento pela mensagem. Abra separadamente o aplicativo da loja, o rastreamento da transportadora e, se necessário, o aplicativo do banco.
A mensagem pode ser apenas um aviso legítimo, mas também pode levar a uma página falsa. A confirmação não está no logotipo, no nome do destinatário nem no código apresentado: está no registro da mesma encomenda e da mesma cobrança dentro dos canais oficiais.
A Receita Federal alerta que mensagens fraudulentas podem trazer nome, CPF, endereço, transportadora e até código de rastreamento corretos. Também registra que as cobranças desses golpes costumam apresentar valores baixos. O Ministério das Comunicações acrescenta que páginas de phishing podem usar urgência para capturar senhas, códigos de autenticação e dados bancários. Assim, uma taxa pequena pode ser apenas o primeiro prejuízo.
Pix em uma entrega não significa golpe automaticamente
Há uma diferença importante entre receber um pedido de Pix por mensagem e gerar um Pix dentro de um ambiente oficial.
Em encomendas internacionais entregues pelos Correios, tributos e serviços postais podem ser pagos por boleto ou Pix, mas a cobrança deve aparecer no Minhas Importações ou no aplicativo oficial dos Correios. A Receita Federal não recebe diretamente esses pagamentos por Pix. Quando a remessa é transportada por uma empresa de courier, a regularização deve ocorrer no site ou aplicativo oficial da transportadora responsável.
Os Correios informam que podem enviar um aviso por SMS em determinadas situações, mas o pagamento continua sendo realizado no Minhas Importações ou no aplicativo oficial. A empresa também afirma que não envia e-mail solicitando o pagamento de tributos de importação. Portanto, o canal que trouxe o aviso não deve ser usado como ambiente de pagamento.
7 checagens antes de pagar uma taxa de entrega
1. Confirme se existe uma compra em trânsito
Comece pela pergunta mais simples: você realmente espera essa encomenda?
Abra o aplicativo ou o site da loja por um endereço já conhecido. Não use o link da mensagem. Confira:
- produto comprado;
- data do pedido;
- endereço de entrega;
- prazo informado;
- número do pedido;
- transportadora contratada;
- código de rastreamento registrado na compra.
Se não existe pedido correspondente, não tente “descobrir do que se trata” clicando. Interrompa o contato, preserve a mensagem caso precise denunciá-la e bloqueie o remetente.
Também desconfie quando a mensagem menciona apenas uma “encomenda”, sem identificar claramente a loja e o pedido. Muitas pessoas têm compras em trânsito perto de datas comerciais, o que torna uma abordagem genérica mais convincente.
2. Trate SMS, e-mail e WhatsApp como avisos, não como prova
O recebimento por um canal conhecido não comprova a origem. Números, nomes de remetentes, imagens e textos podem ser usados para imitar uma empresa.
Uma mensagem legítima deve ser confirmada por um segundo caminho. Feche o contato recebido e abra diretamente:
- o aplicativo oficial da loja;
- o aplicativo oficial da transportadora;
- um endereço salvo anteriormente;
- o site digitado manualmente no navegador.
A Anatel recomenda não abrir links ou arquivos encaminhados por contatos desconhecidos e verificar solicitações diretamente com a instituição pelos canais oficiais. O Ministério das Comunicações também orienta digitar o endereço no navegador, em vez de entrar por links recebidos.
3. Confirme quem está transportando a encomenda
A loja deve informar qual empresa ficou responsável pela entrega. Não presuma que são os Correios apenas porque a mensagem usa termos como “objeto”, “remessa”, “centro de distribuição” ou “fiscalização”.
Compare o nome da transportadora apresentado:
- no pedido da loja;
- na nota ou confirmação da compra;
- no rastreamento aberto pelo canal oficial;
- na mensagem recebida.
Se os nomes não coincidirem, fale com a loja pelo atendimento encontrado no aplicativo ou no site oficial.
Em compras internacionais, a Receita Federal orienta identificar o transportador e consultar a encomenda no rastreamento dessa empresa. Se a remessa não estiver com os Correios nem com uma empresa habilitada para operar esse tipo de transporte, o caso exige atenção adicional.
4. Consulte o código no rastreamento oficial
Copie somente o código de rastreamento registrado no pedido da loja e consulte-o no aplicativo ou site oficial da transportadora.
Compare o resultado com a mensagem:
- o objeto existe?
- o destino corresponde à sua cidade?
- o status realmente indica alguma pendência?
- há cobrança registrada?
- o valor e o motivo são os mesmos?
- o prazo informado é compatível?
Um código que funciona não encerra a verificação. A Receita Federal alerta que golpistas podem apresentar dados verdadeiros da compra e do rastreamento. Por isso, o fator decisivo é a existência da pendência dentro da conta ou do ambiente oficial, não apenas a coincidência do código.
Se o código enviado pela mensagem não aparece no pedido original, não o use como ponto de partida. Confirme com a loja qual é o identificador correto.
5. Descubra exatamente o que está sendo cobrado
A expressão genérica “taxa de entrega” pode esconder situações diferentes. Antes de pagar, classifique a cobrança.
Compra nacional: verifique no pedido se frete, entrega especial, nova tentativa ou alguma despesa adicional estava prevista. Uma cobrança posterior que não aparece na conta do cliente deve ser confirmada com a loja e a transportadora.
Importação pelos Correios: eventuais tributos, despacho postal, documentos e pedidos de revisão devem aparecer no Minhas Importações ou no aplicativo oficial dos Correios. O boleto ou Pix é gerado nesse ambiente.
Importação por courier: o procedimento ocorre no canal oficial da transportadora contratada. Não pague por um endereço obtido apenas na mensagem.
Tributo já recolhido na compra: algumas plataformas recolhem os valores no momento da venda. Uma nova cobrança não deve ser aceita sem a conferência do pedido, do rastreamento e do canal oficial responsável pela entrega.
Mensagens que falam em “liberação imediata”, “última tentativa”, “descarte”, “negativação” ou perda da encomenda em poucas horas tentam reduzir o tempo de conferência. A Receita Federal afirma que débitos de impostos de encomendas internacionais não são enviados para negativação em SPC ou Serasa e orienta desconfiar de cobranças de liberação enviadas por mensagem.
6. Compare o domínio e o recebedor do Pix
Antes de inserir qualquer dado, observe o domínio completo do site. O endereço precisa ser exatamente o divulgado pela empresa em seus canais oficiais.
Pare se encontrar:
- letras, números ou símbolos adicionais;
- palavras da empresa misturadas a outro domínio;
- endereço encurtado;
- página aberta dentro de um navegador do aplicativo de mensagens;
- redirecionamentos inesperados;
- pedido para instalar um aplicativo;
- solicitação de senha bancária ou código de autenticação.
Uma página bem desenhada ou com cadeado no navegador não substitui a confirmação da identidade de quem controla o endereço.
Se a cobrança estiver registrada no ambiente oficial e você iniciar o Pix, faça uma última conferência na tela do banco. Compare o valor, o nome do recebedor e o CPF ou CNPJ exibido, quando disponível, com a empresa que deveria receber o pagamento. A Anatel orienta conferir os dados do destinatário antes de concluir uma transferência.
Uma empresa pode usar um intermediador ou uma razão social diferente da marca. Isso não prova fraude, mas a relação precisa ser explicada pelo canal oficial antes da confirmação.
7. Faça uma confirmação independente antes de decidir
A última checagem reúne todas as anteriores. Pergunte:
- o pedido existe na minha conta?
- a transportadora confere?
- o código aparece no rastreamento oficial?
- a pendência está registrada nesse rastreamento?
- a cobrança é compatível com o tipo de entrega?
- o pagamento foi gerado dentro do aplicativo ou site oficial?
- o recebedor corresponde à empresa esperada?
Se uma resposta essencial estiver pendente, não pague.
Entre em contato com a loja ou a transportadora usando o telefone, o aplicativo ou o atendimento publicado no canal oficial. Não ligue para o número enviado na própria mensagem suspeita.
Uma cobrança verdadeira pode ser verificada fora do contato que a apresentou. Quando a pessoa exige pagamento imediato e tenta impedir essa conferência, a decisão mais segura é interromper a operação.
Fluxo de resposta: pare, confira, acesse e decida
PARE
Não clique, não responda, não escaneie o QR Code e não faça o Pix pela mensagem.
CONFIRA
Abra a sua conta na loja e confirme pedido, transportadora e código de rastreamento.
ACESSE
Entre no aplicativo ou site oficial da transportadora por um caminho independente. Procure a pendência e gere qualquer pagamento somente nesse ambiente.
COMPARE
Verifique motivo, valor, prazo, domínio e dados do recebedor apresentados pelo banco.
PAGUE OU INTERROMPA
Pague apenas quando todos os dados coincidirem. Se a cobrança não aparecer no canal oficial ou houver divergência, não pague e procure o atendimento legítimo.
CONTESTE
Se o Pix já foi realizado, acione imediatamente o banco pelo aplicativo oficial e registre a contestação.
O que fazer se você já clicou ou pagou
Clicou, mas não informou dados
Feche a página e não abra novos links. O Ministério da Justiça orienta interromper o contato e, diante de uma exposição suspeita, desconectar temporariamente o aparelho da internet, verificar o dispositivo e acompanhar as contas relacionadas.
Não volte ao endereço para obter mais informações. Guarde a mensagem original e as capturas já disponíveis.
Informou senha, cartão ou código de autenticação
Use outro dispositivo considerado seguro para:
- entrar no aplicativo ou site oficial da instituição;
- trocar as senhas afetadas;
- encerrar sessões ou dispositivos desconhecidos;
- bloquear ou substituir cartões expostos;
- ativar a autenticação em duas etapas;
- acompanhar novas movimentações.
Avise o banco pelos canais oficiais sobre a possível exposição. O Ministério das Comunicações e o Ministério da Justiça recomendam mudar as credenciais afetadas, comunicar a instituição financeira e monitorar as contas.
Fez o Pix
Abra o aplicativo oficial do banco e conteste a transação imediatamente, solicitando o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução, o MED.
O Banco Central informa que o pedido relacionado a fraude pode ser apresentado em até 80 dias após a transação, mas agir rapidamente aumenta a possibilidade de bloqueio dos recursos. O MED não garante a recuperação: a devolução depende da análise das instituições e da existência de saldo nas contas envolvidas.
Preserve:
- comprovante do Pix;
- nome e documento do recebedor;
- número e perfil que enviaram a mensagem;
- data e horário;
- capturas da conversa;
- endereço da página;
- código de rastreamento;
- protocolos do banco e da transportadora.
Registre também um boletim de ocorrência, presencialmente ou na delegacia virtual do seu estado, incluindo os comprovantes e a sequência do contato. O Banco Central e o Ministério da Justiça recomendam comunicar o banco e formalizar a ocorrência com as evidências disponíveis.
A regra para qualquer mensagem de entrega
A mensagem pode iniciar a verificação, mas não deve conduzir o pagamento.
Na dúvida, saia da conversa e acesse a loja, a transportadora e o banco somente pelos aplicativos oficiais. O Pix só deve ser confirmado quando a encomenda, a pendência, o valor e o recebedor puderem ser validados por um caminho independente.
Para verificar riscos antes de iniciar uma compra, consulte também o guia sobre oito checagens antes de pagar uma oferta de loja desconhecida no Dia dos Pais. Se o golpe já provocou outros acessos ou perdas, siga o roteiro de contenção para os primeiros 30 minutos após um golpe digital.





