A partir de 1º de outubro de 2026, o Pix por aproximação deixará de ter o teto regulatório específico de R$ 500 por transação. A mudança vem da Instrução Normativa BCB nº 746, de 16 de junho de 2026, que revoga os dispositivos da IN BCB nº 512/2024 que criavam limites próprios para essa forma de iniciação.
Isso não transforma o Pix por aproximação em um pagamento “sem limite”. O que desaparece é o teto extra e uniforme de R$ 500 aplicável especificamente à aproximação. A transação continuará submetida aos limites gerais do Pix da conta, às regras de segurança e ao valor disponível dentro do período ou do dia, conforme o tipo de recebedor e a configuração adotada pela instituição.
O que muda em 1º de outubro de 2026
| Ponto | Até 30/09/2026 | A partir de 01/10/2026 |
|---|---|---|
| Teto específico por transação no Pix por aproximação | R$ 500, sem prejuízo de um limite geral do Pix que seja menor | O teto específico de R$ 500 deixa de existir |
| Limite diário específico da aproximação | O usuário pode estabelecer um limite máximo por dia para a modalidade | A norma deixa de exigir uma gestão separada de limite por dia para a aproximação |
| Limites gerais do Pix | Continuam valendo e podem reduzir o valor efetivamente disponível | Continuam valendo; passam a ser a referência regulatória principal para a transação |
| Quem determina o valor efetivamente disponível | Teto específico + limites gerais da conta | Limites gerais definidos pela instituição, pedidos de ajuste do cliente e demais controles aplicáveis |
Por que retirar R$ 500 não significa liberar qualquer valor
A IN BCB nº 512/2024 determina que os participantes do Pix estabeleçam limites máximos para transações de compra ou transferência de clientes pessoa física. Esses limites não desaparecem com a IN 746.
Para pagamentos destinados a pessoa física, a regra geral trabalha com limites por período, podendo distinguir período diurno e noturno. No período noturno, o limite é de R$ 1.000 quando o recebedor é pessoa física, salvo solicitação expressa do usuário. Para recebedores pessoa jurídica, o limite é estabelecido por dia. A instituição também deve considerar o perfil de risco e de comportamento do cliente ao definir os limites.
Por isso, depois de 1º de outubro, uma compra por aproximação acima de R$ 500 pode ser possível, mas somente se houver limite geral suficiente para aquele pagamento. A revogação do teto específico não cria um valor mínimo que o banco seja obrigado a liberar.
Como funcionava o teto de R$ 500 antes da mudança
O art. 16-A da IN 512, incluído para o Pix por aproximação, determinava limite máximo de R$ 500 por transação. Ele também permitia ao pagador estabelecer um limite máximo por dia. Se o limite geral do Pix daquele usuário fosse menor que R$ 500, prevalecia o menor valor.
Exemplo: se uma pessoa tivesse apenas R$ 300 disponíveis no limite geral aplicável naquele momento, o teto de R$ 500 da aproximação não permitiria pagar R$ 500. O valor continuaria limitado a R$ 300. A IN 746 revoga esse art. 16-A a partir de 1º de outubro de 2026.
Qual limite passa a valer para o Pix por aproximação
O ponto mais seguro para o usuário é olhar o limite geral de Pix exibido pelo próprio banco ou instituição de pagamento. A partir da vigência da IN 746, a regulamentação deixa de manter um teto separado de R$ 500 para a aproximação.
Isso significa que o valor máximo de uma compra específica dependerá do limite ainda disponível no período ou no dia, do perfil e das regras da instituição, do tipo de recebedor e de eventuais configurações feitas pelo cliente. Uma instituição também pode aplicar mecanismos de segurança e análise de risco antes de autorizar uma transação.
O que o cliente pode configurar — e o que depende da instituição
A IN 512 exige que participantes provedores de conta ofereçam, no aplicativo usado para iniciar Pix, funcionalidade de gestão dos limites gerais. O cliente pode solicitar aumento ou redução desses limites. Pela regra geral, a redução deve ser acatada imediatamente; já o aumento pode ser aceito a critério da instituição e, quando aprovado, a resposta e a alteração devem ocorrer entre 24 e 48 horas.
- Depende do cliente: pedir redução, solicitar aumento, escolher configurações disponíveis no aplicativo e manter valores compatíveis com seu uso.
- Depende da instituição: definir os limites de referência com base no perfil de risco e comportamento, decidir sobre pedidos de aumento e aplicar controles de segurança.
- Deixa de ser obrigatório como regra separada: um controle regulatório específico de limite por transação e por dia exclusivamente para o Pix por aproximação. A forma exata como cada aplicativo apresentará os controles pode variar.
Antes de pagar acima de R$ 500 por aproximação
Como a nova regra ainda entra em vigor em 1º de outubro de 2026, vale conferir no aplicativo da instituição, após essa data, qual limite aparece como disponível e se houve atualização dos controles da carteira ou do Pix por aproximação. Não é prudente presumir que todo cliente terá automaticamente um limite maior que R$ 500.
- Confira o limite geral de Pix disponível para o horário e o tipo de recebedor.
- Veja se a instituição informa algum controle adicional para pagamentos por aproximação.
- Se precisar de aumento, faça o pedido com antecedência, porque a aprovação não é automática e pode levar de 24 a 48 horas.
- Revise na tela o valor e o recebedor antes de confirmar a transação.
A IN 746 também mexe em outra jornada do Pix
A mesma norma revoga o art. 16-C da IN 512, que tratava de limite máximo para transações iniciadas por compartilhamento do serviço de iniciação de pagamento sem redirecionamento. Essa alteração é relacionada, mas não deve ser confundida com a pergunta prática sobre pagar por aproximação em uma maquininha.
Resumo: o que muda de verdade
Até 30 de setembro de 2026, o Pix por aproximação tem um teto específico de R$ 500 por transação e pode ter limite diário próprio definido pelo usuário. A partir de 1º de outubro, a IN BCB 746 revoga esse tratamento específico. O Pix por aproximação não fica sem limite: a operação passa a depender dos limites gerais do Pix da conta, das configurações disponíveis e das decisões de risco da instituição.
Para conferir a regra na fonte, consulte a IN BCB nº 746/2026, a IN BCB nº 512/2024 e as orientações do Banco Central sobre limites do Pix.





