A partir de 1º de outubro de 2026, o Pix por aproximação deixa de ter o teto regulatório específico de R$ 500 por transação. A mudança foi definida pelo Banco Central na Instrução Normativa BCB nº 746 e dá às instituições até essa data para adaptar seus sistemas. A retirada do teto de R$ 500, porém, não transforma o Pix por aproximação em um pagamento sem limite: passam a valer a lógica geral de limites do Pix, os valores configurados para a conta e os controles de segurança da instituição.
Na prática, o usuário poderá solicitar pelo aplicativo do banco o aumento ou a redução do limite por transação e do limite diário aplicáveis à jornada, conforme a ferramenta de gestão de limites oferecida pela instituição. O Banco Central explicou a mudança em comunicado sobre a nova regra.
O que muda no Pix por aproximação em 1º de outubro
| Até 30 de setembro de 2026 | A partir de 1º de outubro de 2026 |
|---|---|
| Existe teto específico de R$ 500 por transação por aproximação. | O teto específico de R$ 500 deixa de existir. |
| O usuário pode reduzir o valor máximo por transação e definir limite diário. | O usuário poderá solicitar ajuste do limite por transação e do limite diário na ferramenta de gestão do banco. |
| Mesmo que outros limites do Pix sejam maiores, a aproximação fica sujeita ao teto próprio de R$ 500. | A aproximação passa a seguir a lógica dos demais pagamentos via Pix, sem um teto regulatório exclusivo para essa jornada. |
O ponto mais importante é separar duas ideias: acabar com o teto fixo não significa elevar automaticamente o limite do cliente. O valor efetivamente disponível continuará dependendo dos limites aplicáveis à conta, das configurações feitas pelo usuário e das regras de segurança da instituição.
Então qual será o limite do Pix por aproximação?
Não haverá um único valor nacional que responda a essa pergunta. A partir de 1º de outubro, o limite dependerá da configuração disponível na instituição e dos limites gerais do Pix para aquela conta. Isso permite tanto manter valores baixos quanto, se o banco aceitar a solicitação e os demais limites permitirem, usar a aproximação em pagamentos acima de R$ 500.
Alguns exemplos ajudam a visualizar:
- Limite por transação de R$ 250: um pagamento por aproximação de R$ 300 ficará acima do limite configurado, mesmo depois do fim do teto de R$ 500.
- Compra de R$ 700: a partir de 1º de outubro, ela poderá ser feita por aproximação se os limites por transação e por período aplicáveis à conta comportarem o valor e a instituição autorizar a operação. Até 30 de setembro, o teto específico de R$ 500 continua sendo a barreira.
- Limite diário de R$ 1.000: se o usuário já consumiu R$ 800 do valor disponível no período, uma nova operação de R$ 300 pode não ser autorizada, mesmo que o limite por transação isoladamente seja maior.
Esses exemplos são apenas ilustrações de funcionamento. A nova regra não exige que o usuário aumente limites e não cria obrigação de utilizar valores maiores.
Como configurar os limites no aplicativo do banco
Os nomes das telas variam entre instituições, mas o Banco Central exige que participantes do Pix ofereçam a clientes pessoa física uma funcionalidade de alteração de limites no aplicativo usado para iniciar transações. Em geral, o caminho fica em áreas como Pix > Limites, Segurança ou Gestão de limites.
- Abra o aplicativo da instituição onde está a conta usada no Pix por aproximação.
- Acesse a área de Pix e procure a opção de limites ou gestão de limites.
- Confira os valores por transação e por período disponíveis para a conta.
- Depois da adaptação à nova regra, verifique como a instituição apresenta os controles aplicáveis ao Pix por aproximação ou às jornadas sem redirecionamento.
- Se quiser reduzir o valor, solicite um limite menor. Se quiser aumentar, faça o pedido com antecedência e acompanhe a resposta da instituição.
Na regra geral de alteração dos limites do Pix, pedidos de redução devem ser atendidos imediatamente. Já pedidos de aumento podem ser aceitos ou recusados pela instituição e, quando aceitos, o novo limite é efetivado entre 24 e 48 horas. Como os bancos têm até 1º de outubro para adaptar a experiência de aproximação, a nomenclatura e a disposição desses controles podem mudar de um aplicativo para outro.
O que não muda com o fim do teto de R$ 500
A atualização mexe na regra de limites, não nos requisitos básicos para usar a modalidade. Segundo o Banco Central, o Pix por aproximação depende de uma combinação de compatibilidade técnica e autenticação. É necessário que o celular suporte NFC, que o sistema operacional e a solução de pagamento sejam compatíveis e que o equipamento do recebedor aceite a comunicação por aproximação.
O pagamento pode ser iniciado pelo aplicativo do banco ou por uma carteira digital compatível e autorizada. No caso de carteira digital, a conta precisa ser vinculada previamente. O processo de pagamento continua exigindo revisão dos dados da transação e confirmação no dispositivo. O BC também informa que a jornada utiliza mecanismos de autenticação, como biometria ou senha do aparelho, além de criptografia. Veja a página oficial sobre Pix por aproximação.
É preciso aumentar o limite para continuar usando?
Não. A retirada do teto de R$ 500 amplia a flexibilidade regulatória, mas não obriga o cliente a escolher um limite maior. Quem prefere restringir valores por transação ou por dia pode manter uma configuração mais baixa, desde que a instituição ofereça os controles previstos.
Também é importante não confundir limite máximo permitido pela regra com limite efetivamente liberado para a conta. Bancos e instituições de pagamento continuam aplicando critérios de risco e mecanismos de segurança. Por isso, dois clientes podem ter valores disponíveis diferentes, e um pedido de aumento não é garantia de aprovação.
A mudança também vale para carteiras digitais e Open Finance?
Sim. A mesma atualização alcança transações iniciadas pela chamada Jornada Sem Redirecionamento (JSR) no Open Finance, inclusive experiências realizadas em carteiras digitais compatíveis. O objetivo declarado pelo Banco Central é reduzir diferenças regulatórias entre jornadas que, para o usuário, têm proposta semelhante de pagamento rápido e com menos etapas.
Assim, a partir de 1º de outubro, tanto o Pix por aproximação quanto essas jornadas deixam de ficar presos ao teto específico de R$ 500 e passam a seguir a lógica de limites aplicável às demais transações Pix.
O que conferir antes de 1º de outubro
- Até 30 de setembro de 2026, o teto específico de R$ 500 por transação por aproximação continua valendo.
- As instituições têm até 1º de outubro de 2026 para concluir as adequações.
- Depois da mudança, confira no próprio aplicativo quais limites estão configurados antes de tentar uma compra de valor maior.
- Se quiser apenas reduzir a exposição, não é necessário esperar a nova regra: a gestão de limites do Pix já permite solicitar reduções.
Em resumo, o Pix por aproximação fica mais flexível em 1º de outubro, mas continua sendo uma transação sujeita a limites. O que desaparece é a barreira regulatória específica de R$ 500; o valor realmente utilizável passa a depender da configuração da conta, da gestão de limites e dos controles de segurança da instituição.





