Ter o nome de uma marca conhecida na embalagem não comprova que o produto saiu daquela fábrica. Em 24 de julho de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a apreensão de todos os lotes de um item identificado como Profuse Nitrel Suavizante Balm.
Segundo a Anvisa, a Aché Laboratórios Farmacêuticos declarou desconhecer a fabricação do produto. A agência informou ainda que o item era comercializado pela internet, na plataforma Shopee, com rotulagem e características diferentes das encontradas no produto original.
O alerta exige atenção, mas também precisão: a medida não significa que todos os produtos Profuse ou toda a linha Nutrel tenham sido proibidos. Ela se refere ao item irregular descrito pela Anvisa e aos seus lotes.
A seguir, veja como conferir a grafia do nome, identificar o vendedor real, consultar o número de processo, exigir nota fiscal e preservar provas antes de usar ou devolver o produto.
O que a Anvisa determinou em 24 de julho de 2026
O comunicado oficial da Anvisa reuniu medidas contra diferentes cosméticos irregulares. No trecho referente ao produto associado à marca Profuse, a agência informou ter determinado a apreensão de todos os lotes do produto rotulado como “Profuse Nitrel Suavizante Balm”.
A justificativa apresentada foi específica: a Aché, responsável pela marca Profuse, informou à agência que desconhecia a fabricação daquele produto. O item também apresentava diferenças de rotulagem e de características em comparação com o original.
Na prática, isso significa que o consumidor não deve tratar a embalagem apenas como um produto comum com um erro de impressão. Quando a própria empresa apontada como fabricante nega a produção, há uma dúvida material sobre origem, composição, fabricação, controle de qualidade e rastreabilidade.
Por precaução, um item com essas características não deve ser usado enquanto sua autenticidade e regularidade não forem esclarecidas.
O alerta não alcança automaticamente toda a marca
O escopo precisa ser preservado para evitar uma interpretação alarmista. O comunicado não afirma que:
- todos os produtos da marca Profuse são irregulares;
- todos os produtos legítimos da linha Nutrel foram proibidos;
- qualquer compra realizada na Shopee contém produto falsificado;
- todo vendedor que oferece cosméticos da marca está envolvido na irregularidade.
A medida descrita pela Anvisa alcança todos os lotes do produto irregular identificado no alerta. Cada oferta e cada unidade encontrada pelo consumidor precisam ser verificadas pelos elementos concretos da embalagem, do vendedor e da operação de compra.
Nitrel ou Nutrel: a diferença de grafia é um alerta importante
Há uma diferença relevante entre o nome citado no comunicado e o produto apresentado nos canais oficiais da marca.
O alerta da Anvisa usa a expressão “Profuse Nitrel Suavizante Balm”, com a letra “i”. Já o material oficial da Profuse e da Aché identifica o hidratante como “Nutrel Suavizante Balm”, com a letra “u”.
Essa divergência deve ser tratada como um sinal forte de alerta, principalmente quando aparece junto a outros problemas, como:
- fabricante não reconhecido;
- dados incompletos ou inconsistentes;
- ausência de nota fiscal;
- preço muito diferente do praticado por vendedores estabelecidos;
- imagens pouco nítidas ou que não mostram todo o rótulo;
- número de processo ausente ou incompatível;
- descrição da oferta diferente da embalagem recebida.
Entretanto, a grafia correta, sozinha, não prova autenticidade. Uma embalagem irregular pode copiar o nome “Nutrel”, números regulatórios, códigos de barras e elementos visuais de um produto legítimo. Da mesma forma, embalagens oficiais podem sofrer atualizações ao longo do tempo.
A identificação mais segura depende do conjunto de evidências: produto, vendedor, nota fiscal, número de processo, lote e comparação com os canais atuais da Anvisa e da empresa.
Checklist antes de comprar ou usar
Use este roteiro tanto para avaliar uma oferta on-line quanto para conferir uma unidade já recebida.
| O que verificar | Como conferir | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| Nome exato | Compare a grafia com o site oficial da marca | “Nitrel” no lugar de “Nutrel” ou outras alterações |
| Vendedor real | Identifique razão social, CNPJ, endereço e contato | Perfil sem identificação empresarial verificável |
| Fabricante | Compare o nome e o CNPJ do rótulo com a consulta oficial | Empresa diferente, inexistente ou não relacionada ao produto |
| Número de processo | Procure a sequência iniciada por “25351.” e consulte na Anvisa | Número ausente, ilegível ou ligado a outro produto |
| Lote e validade | Verifique impressão, legibilidade e coerência | Dados apagados, sobrepostos, raspados ou improvisados |
| Rótulo completo | Observe frente, verso, laterais, modo de uso e advertências | Erros de grafia, informações cortadas ou etiquetas sobrepostas |
| Nota fiscal | Exija o documento com identificação do fornecedor e do item | Recusa, recibo informal ou descrição genérica demais |
| Oferta on-line | Salve título, imagens, preço, vendedor e endereço da página | Anúncio removido ou alterado após a reclamação |
| Canal oficial | Compare com o produto atual no site da Profuse ou confirme com a Aché | Empresa não reconhece embalagem, lote ou apresentação |
Nenhum desses itens deve ser analisado de maneira isolada. Uma nota fiscal, por exemplo, ajuda a identificar a operação e o fornecedor, mas não garante, por si só, que o conteúdo da embalagem seja autêntico. Da mesma forma, um número de processo verdadeiro pode ter sido copiado de outro rótulo.
Como consultar o número de processo na Anvisa
A Anvisa permite pesquisar cosméticos regularizados pelo nome do produto, pelo CNPJ da empresa, pelo número de registro ou pelo número de processo.
Para reduzir resultados ambíguos, a própria agência recomenda dar preferência ao número de processo, que normalmente começa com “25351.” e deve aparecer na rotulagem.
Passo a passo da consulta
- Localize o número na embalagem. Fotografe o rótulo antes de digitar qualquer dado.
- Acesse a consulta oficial de cosméticos da Anvisa. Evite páginas que apenas reproduzam resultados ou prometam verificar o produto sem indicar a base utilizada.
- Pesquise pelo número de processo completo. Quando ele não estiver disponível, tente o nome do produto e o CNPJ informado no rótulo.
- Abra o resultado correspondente. Não se limite à primeira linha apresentada pela busca.
- Compare os dados. Confira nome, empresa responsável, categoria, situação regulatória e demais informações disponíveis.
- Observe a situação do registro ou processo. Segundo a Anvisa, um resultado ativo ou válido indica que o produto está regularizado; um resultado inativo ou inválido indica que ele já não está regularizado.
- Interrompa a verificação diante de divergências. Se o processo não existir, apontar para outro cosmético ou estiver vinculado a outra empresa, não use o produto até receber esclarecimento oficial.
É importante compreender o limite da ferramenta: encontrar um processo ativo confirma a existência de um produto regularizado com aqueles dados, mas não autentica automaticamente a unidade que está em suas mãos. Um rótulo falsificado pode reproduzir informações verdadeiras de outro produto.
Como avaliar o vendedor, não apenas o marketplace
O nome da plataforma não substitui a identificação do fornecedor. Em uma compra on-line, confira quem efetivamente está emitindo a oferta e vendendo o produto.
Órgãos de defesa do consumidor orientam verificar razão social ou nome empresarial, CPF ou CNPJ, endereço físico e eletrônico, características do produto e condições da operação. A nota fiscal continua sendo obrigatória nas compras pela internet.
Antes de concluir a compra, procure:
- razão social e CNPJ do vendedor;
- endereço e canal de atendimento;
- prazo e condições de entrega;
- descrição precisa da quantidade e apresentação;
- fotografias de diferentes lados da embalagem;
- política de troca e devolução;
- confirmação de emissão de nota fiscal.
Avaliações positivas e número elevado de vendas podem ajudar a entender o histórico do perfil, mas não substituem esses dados. Comentários também podem se referir a compras antigas, outros vendedores ou lotes diferentes.
Desconfie quando o vendedor evitar mostrar o verso do rótulo, não responder sobre lote e processo, usar somente imagens de divulgação ou oferecer um preço incompatível com os demais canais sem explicar a diferença.
Como preservar provas da compra
Se houver suspeita, registre os elementos antes que o anúncio seja alterado, a conversa desapareça ou o produto seja devolvido.
Salve:
- capturas de tela com o nome do produto;
- endereço da página da oferta;
- data e horário das capturas;
- nome e identificação do perfil vendedor;
- razão social e CNPJ apresentados;
- preço, quantidade e condições anunciadas;
- número do pedido e comprovante de pagamento;
- mensagens trocadas com vendedor e plataforma;
- protocolos de atendimento;
- nota fiscal ou recibo recebido;
- fotografias nítidas da embalagem;
- lote, validade e número de processo;
- lacres, selos e etiquetas;
- embalagem externa e etiqueta de transporte.
O Procon também recomenda conservar documentos da transação, confirmação do pedido, mensagens, comprovantes e protocolos, pois esses materiais ajudam a demonstrar o que foi anunciado e comprado.
Fotografe o produto antes de abrir ou devolver. Não raspe etiquetas, não tente corrigir o rótulo e não descarte a caixa de transporte enquanto o caso estiver sendo analisado.
O que fazer se você já comprou o produto
Não use até esclarecer a origem
Separe a embalagem de outros cosméticos e evite novos usos. Não repasse, revenda ou doe o item suspeito.
Avise o vendedor e a plataforma por escrito
Descreva objetivamente a divergência encontrada e solicite resposta formal. Evite depender apenas de atendimento telefônico sem protocolo.
Em compras realizadas fora do estabelecimento comercial, como pela internet, o Código de Defesa do Consumidor prevê prazo de sete dias para o direito de arrependimento, contado da assinatura ou do recebimento. A suspeita de irregularidade, porém, não deve ser reduzida a uma simples desistência: preserve as provas antes de devolver o produto.
Confirme com a empresa responsável pela marca
Use o site oficial da Aché ou da Profuse para localizar o canal de atendimento atualizado. Informe:
- nome apresentado na embalagem;
- lote e validade;
- número de processo;
- local e data da compra;
- identificação do vendedor;
- fotografias de todos os lados.
A confirmação da empresa pode ajudar a identificar apresentações que ela não reconhece. Utilize sempre o contato publicado no domínio oficial, pois telefones e horários podem mudar.
Denuncie à Anvisa
A página oficial de denúncias da Anvisa inclui a comercialização de produtos irregulares ou falsificados e anúncios irregulares. A agência solicita informações como nome do produto, lote, fabricante ou CNPJ, fotografias, endereços de páginas e outras provas disponíveis.
Para uma denúncia sobre venda ou anúncio, utilize o canal indicado pela Anvisa, como a plataforma Fala.BR. Quando houver queixa técnica ou evento adverso relacionado a cosmético, consulte também as orientações de notificação da agência.
Também é possível registrar uma reclamação de consumo no Procon ou no Consumidor.gov.br, conforme a participação da empresa e as características do caso.
O que fazer se houve reação após o uso
Interrompa o uso e guarde a embalagem. Registre quando o produto foi aplicado, a quantidade aproximada, o local do corpo e os sintomas observados.
Irritação, coceira, vermelhidão ou outros sintomas persistentes devem ser avaliados por um profissional de saúde. Procure atendimento imediato diante de sinais importantes, como dificuldade para respirar, inchaço intenso, tontura ou reação alérgica generalizada.
A Anvisa recebe notificações de eventos adversos e queixas técnicas relacionados a cosméticos. Esses registros ajudam a fiscalização, mas não substituem o atendimento médico individual.
Cinco conclusões que o alerta não permite tirar
Para evitar desinformação, não conclua que:
- Toda a linha Nutrel foi proibida. O comunicado descreve um produto irregular específico.
- Todo item anunciado na Shopee é falsificado. A plataforma foi citada como local de comercialização do item identificado, não como prova contra todas as ofertas.
- A grafia “Nutrel” garante autenticidade. Um falsificador pode copiar o nome correto.
- Um processo ativo garante a origem da unidade. Ele comprova a regularização do cadastro consultado, não a autenticidade física da embalagem.
- Uma nota fiscal elimina o risco. Ela é essencial para rastrear o fornecedor e exercer direitos, mas precisa ser analisada junto com produto, vendedor e dados regulatórios.
Checklist final para salvar
Antes de comprar ou usar:
- confira se o nome está escrito Nutrel, como no produto oficial;
- identifique o vendedor e verifique seu CNPJ;
- exija nota fiscal;
- fotografe toda a embalagem;
- localize o número de processo iniciado por “25351.”;
- consulte o processo no sistema oficial da Anvisa;
- compare fabricante, produto e situação regulatória;
- confronte a apresentação com os canais oficiais da Profuse e da Aché;
- preserve anúncio, mensagens, comprovantes e etiqueta de entrega;
- diante de qualquer incompatibilidade, não use e comunique a Anvisa.
Salve este checklist e faça a consulta diretamente no canal oficial da Anvisa. O nome conhecido na frente da embalagem é apenas o começo da verificação — não a prova de que o produto saiu da fábrica indicada.





