A separação do Mercury Transfer Module (MTM) em 3 de setembro de 2026 não significou que a BepiColombo já tivesse entrado em órbita de Mercúrio. Ela marcou o início da fase de chegada. A confirmação veio por duas antenas da rede Estrack, e a ESA informou que a separação foi bem-sucedida, com os sistemas nominais. O próximo marco decisivo é 21 de novembro de 2026, quando o conjunto formado pelo Mercury Planetary Orbiter (MPO) e pelo Mercury Magnetospheric Orbiter (Mio) deverá ser capturado em órbita ao redor de Mercúrio.
Em uma linha: 3 de setembro = separação do MTM → 21 de novembro = entrada do conjunto MPO+Mio em órbita → 9–10 de dezembro = separação de MPO e Mio → 6 de abril de 2027 = início previsto da fase científica.
O que aconteceu em 3 de setembro de 2026
O MTM foi o módulo responsável por fornecer energia e, sobretudo, propulsão elétrica solar durante a longa viagem interplanetária. Depois de quase oito anos de cruzeiro, seu papel terminou antes da inserção orbital. Em 3 de setembro, ele foi separado do restante da espaçonave, deixando juntos o MPO, o Mio e a estrutura de proteção solar do orbitador japonês.
A página oficial de atualizações da ESA registra que a confirmação da separação chegou às 15:52 CEST por antenas de espaço profundo em Cebreros, na Espanha, e Malargüe, na Argentina. A telemetria indicava sistemas nominais e os painéis solares do MPO estavam carregando as baterias do conjunto.
Esse evento é importante porque muda a configuração e o sistema de propulsão usado na aproximação final, mas não é a inserção orbital. Após o descarte do MTM, os propulsores químicos do MPO assumem as correções e manobras necessárias para a chegada.
Por que “separação” não é o mesmo que “chegada”
A ESA usa “fase de chegada” para uma campanha de vários meses, não para um único instante. A separação do MTM abre essa campanha; entrar em órbita, separar os dois orbitadores, ajustar suas órbitas e comissionar instrumentos são etapas posteriores.
| Data | Marco | O que significa |
|---|---|---|
| 3 de setembro de 2026 | Separação do MTM | O módulo de transferência encerra sua função. MPO, Mio e a proteção MOSIF seguem juntos rumo a Mercúrio. |
| 21 de novembro de 2026 | Entrada em órbita de Mercúrio | O conjunto MPO+Mio é capturado em uma órbita polar. É o momento em que a missão passa de aproximação para operação orbital. |
| 9–10 de dezembro de 2026 | Separação de MPO e Mio | O MPO libera o Mio em sua órbita elíptica polar destinada às observações da magnetosfera. |
| 16 de dezembro de 2026 | Liberação do MOSIF | O escudo solar usado para proteger o Mio durante o cruzeiro é descartado, e o MPO continua a reduzir sua órbita. |
| 10 de março de 2027 | MPO chega à órbita final | O orbitador europeu completa a sequência de redução de altitude até sua órbita científica. |
| 6 de abril de 2027 | Início da fase científica | Após separações, ajustes orbitais e comissionamento, os dois orbitadores começam a fase científica planejada. |
A linha do tempo oficial da ESA ressalva que datas exatas podem mudar por razões operacionais.
O que fazem MTM, MPO e Mio
MTM: o módulo que levou a missão até a aproximação final
O Mercury Transfer Module, construído pela ESA, transportou os dois orbitadores usando propulsão elétrica solar. Seus propulsores iônicos foram essenciais durante o cruzeiro, mas não são o veículo que ficará em órbita científica. Por isso o MTM é descartado antes da captura em Mercúrio.
MPO: o orbitador europeu que estuda o planeta
O Mercury Planetary Orbiter, da ESA, foi projetado para investigar superfície, composição, interior, topografia, campo magnético e outros aspectos de Mercúrio. Ele também passa a fornecer propulsão ao conjunto depois que o MTM se separa. Sua órbita científica planejada é polar e mais baixa que a do Mio.
Mio: o orbitador japonês que observa o ambiente de Mercúrio
O Mio, desenvolvido pela JAXA, é dedicado principalmente ao campo magnético, à magnetosfera, ao plasma, à exosfera e à poeira ao redor do planeta. Segundo a descrição oficial da JAXA, ele trabalhará em uma órbita polar elíptica, complementar à órbita do MPO. Essa combinação de duas espaçonaves em alturas diferentes é parte central da estratégia científica da missão.
O que realmente acontece em 21 de novembro
O dia 21 de novembro é o marco correto para dizer que o conjunto entra em órbita de Mercúrio, mas ainda não representa a configuração científica final. MPO e Mio estarão empilhados quando ocorrer a captura orbital. A partir daí, uma sequência de manobras continuará moldando as órbitas até março de 2027.
Em outras palavras, “entrou em órbita” e “está pronto para a ciência de rotina” são afirmações diferentes. A primeira descreve a captura gravitacional do conjunto; a segunda depende das separações, do ajuste das órbitas e do comissionamento dos sistemas e instrumentos.
Quando os dois orbitadores passam a operar separados
A separação de MPO e Mio está prevista para 9–10 de dezembro de 2026. O Mio será liberado na órbita elíptica polar em que fará suas observações. Em 16 de dezembro, o MPO deverá liberar o MOSIF, a estrutura que protegeu o Mio do ambiente térmico intenso durante a viagem, e seguirá reduzindo sua própria órbita com propulsores químicos.
A previsão atual da ESA é que o MPO alcance sua órbita final em 10 de março de 2027. Depois vem o período necessário para completar o comissionamento e preparar a operação científica coordenada.
Quando começa a ciência da BepiColombo em Mercúrio
A fase científica está planejada para começar em 6 de abril de 2027. Esse é o ponto em que MPO e Mio, já em suas configurações orbitais próprias, passam a executar de forma regular o programa de observação de Mercúrio e de seu ambiente.
Até lá, manchetes que dizem que a BepiColombo “chegou” precisam ser lidas com contexto. Em setembro de 2026, o que começou foi a fase de chegada; em novembro ocorre a entrada em órbita; em dezembro os orbitadores se separam; e a ciência de rotina vem apenas em abril de 2027.
O que acompanhar daqui para frente
- 21 de novembro: confirmação da captura do conjunto MPO+Mio em órbita de Mercúrio.
- 9–10 de dezembro: confirmação da separação do Mio e sua condição após a liberação.
- 16 de dezembro: descarte do MOSIF e continuação das manobras do MPO.
- 10 de março de 2027: chegada prevista do MPO à órbita científica final.
- 6 de abril de 2027: início previsto da fase científica da missão.
Para mudanças operacionais de última hora, a referência mais segura é a página de atualizações de chegada da ESA, porque o cronograma pode ser ajustado conforme o estado da espaçonave e a execução das manobras.





