A troca de celular ficou mais simples com o eSIM, mas ainda não existe um único procedimento que funcione para qualquer combinação de aparelho e operadora. No Brasil, a mesma linha pode ser movida por transferência integrada ao sistema, pelo aplicativo da operadora, por um novo QR Code ou por um processo de reativação. A escolha depende de três fatores ao mesmo tempo: de qual aparelho a linha está saindo, para qual aparelho ela vai e qual operadora administra o número.
A regra mais importante é prática: não apague o eSIM nem formate o aparelho antigo antes de confirmar qual é o caminho de transferência e testar a linha no aparelho novo. Em vários fluxos, o telefone antigo precisa permanecer desbloqueado, próximo e conectado até a conclusão. Quando a migração termina, o perfil antigo costuma ser desativado automaticamente ou deixa de funcionar. Situação verificada com documentação oficial disponível em agosto de 2026; como esse tipo de suporte muda com versões de sistema e políticas das operadoras, vale conferir novamente se o procedimento for feito muito tempo depois.
O eSIM não é um arquivo que você simplesmente copia
O número permanece vinculado à operadora, enquanto o eSIM é um perfil digital provisionado no aparelho. Por isso, trocar de telefone não significa copiar um arquivo de um dispositivo para outro. Em uma transferência nativa, os sistemas dos dois aparelhos e a operadora coordenam a mudança. Em outros casos, a operadora precisa emitir ou liberar um novo perfil para o aparelho de destino.
Essa diferença explica por que um QR Code antigo pode deixar de funcionar, por que uma opção de transferência aparece em um modelo e não em outro e por que duas pessoas com celulares parecidos podem receber procedimentos diferentes. Também explica por que apagar o eSIM antigo antes da hora pode transformar uma troca simples em uma reativação que exige aplicativo, validação de identidade, novo QR Code ou atendimento.
Matriz Brasil por origem e destino
iPhone para iPhone
É hoje o cenário mais padronizado. A Apple lista Claro, TIM e Vivo entre as operadoras brasileiras compatíveis com a Transferência Rápida de eSIM no iPhone. Quando a opção está disponível, o novo iPhone mostra a alternativa de transferir a linha de um iPhone próximo, e o aparelho antigo participa da confirmação. Isso evita depender de um QR Code já usado.
Mesmo assim, cada operadora mantém requisitos próprios. A Claro documenta a transferência de linha entre iPhones e também oferece uma jornada pelo Minha Claro. A Vivo orienta manter Wi-Fi e Bluetooth ativos, os aparelhos desbloqueados e a conta Apple configurada durante a transferência. A TIM informa requisitos adicionais em seu fluxo, como iOS atualizado e uma janela de 24 horas relacionada ao uso da linha antes de determinadas transferências; também registra exceções para modelos mais antigos. Portanto, ver o botão de transferência no iPhone não elimina a necessidade de cumprir as condições da operadora.
Se o novo iPhone não oferecer a transferência do aparelho próximo, o caminho seguinte é verificar a ativação pelo app da operadora, por QR Code ou por ativação direta da própria operadora. Não é recomendável apagar a linha do iPhone antigo apenas para tentar fazer a opção aparecer.
Android para Android
No Android, o suporte é mais fragmentado porque depende do fabricante, da versão do sistema e da integração da operadora. A Vivo é o caso mais amplo entre as fontes verificadas: mantém instruções de transferência direta entre dois Samsung Galaxy e também entre aparelhos Motorola compatíveis. A própria Samsung lista a Vivo no Brasil entre as operadoras que podem permitir a transferência instantânea de eSIM entre aparelhos Galaxy ou Android compatíveis.
Na TIM, a documentação atual concentra a transferência direta entre aparelhos Android em modelos e versões específicas, com destaque para Motorola com Android 15 ou superior. A operadora também orienta que, quando o aparelho não é compatível com a transferência direta, o usuário pode precisar remover o perfil antigo e instalar o eSIM no novo aparelho, seguindo o fluxo oficial; se o QR Code não estiver mais disponível, a TIM oferece geração de novo código pelo Portal Troca Chip.
Na Claro, há uma alternativa independente da transferência nativa do Android: o Minha Claro possui uma jornada chamada troca de aparelho. Ela valida a identidade do cliente, permite escolher outro aparelho e, ao final, oferece instalação do novo eSIM por QR Code ou código de ativação. Na prática, isso é especialmente útil quando os próprios menus do Android não oferecem uma migração direta entre os dois modelos.
Android para iPhone
Essa rota mudou de forma relevante em 2026. Em 24 de julho de 2026, a Apple publicou o fluxo de transferência do SIM do Android para o iPhone com iOS 26. Para o Brasil, a operadora listada como compatível nesse recurso é a TIM. O processo exige um iPhone compatível com iOS 26, um Android compatível com Android 16 ou posterior, suporte do fabricante, Wi-Fi e Bluetooth ativos. O iPhone gera um QR Code de pareamento, o Android escolhe a linha e a transferência é concluída entre os aparelhos.
O ponto importante é não generalizar esse recurso para Claro e Vivo. Se a combinação de operadora, Android e iPhone não estiver dentro do suporte nativo, a própria Apple orienta recorrer à operadora para ativação do eSIM por outro método, como ativação pela operadora ou QR Code.
Nesse cenário, o número continua sendo o mesmo; o que muda é a forma de provisionar o eSIM no iPhone novo.
Para clientes Claro, o Minha Claro oferece a troca de aparelho com emissão do perfil para outro dispositivo. Para clientes Vivo, o App Vivo permite gerenciar, transferir e reativar eSIM, além dos fluxos específicos por fabricante. Assim, a ausência do botão nativo Android para iPhone não significa que a migração seja impossível; significa apenas que o caminho pode passar pela operadora.
iPhone para Android
Também existe transferência integrada em combinações específicas, mas ela não é uniforme no Brasil. A Apple passou a documentar, com o iOS 26.3, a transferência de eSIM do iPhone para dispositivos Android compatíveis e deixa claro que a disponibilidade varia conforme a operadora. A TIM possui instrução oficial de transferência de uma linha de iPhone para Motorola, usando pareamento entre os aparelhos e QR Code durante o processo.
Isso não deve ser entendido como garantia de iPhone para qualquer Android. A documentação da Samsung, por exemplo, mantém uma lista própria de operadoras compatíveis com a transferência instantânea de iOS para Galaxy; nas informações verificadas, não há operadora brasileira indicada nessa lista específica. Nesse caso, o caminho mais seguro é tratar a migração como uma nova ativação do eSIM no Android, usando o app, QR Code, código de ativação ou suporte da operadora.
Na Claro, o Minha Claro pode conduzir a troca para outro aparelho e gerar os dados de instalação do novo eSIM. Na Vivo, o App Vivo permite transferir a linha para outro celular e reativar o eSIM, embora a forma exata dependa do modelo. A regra prática é simples: se o Android novo mostrar uma opção explícita para transferir do iPhone e a operadora confirmar o suporte, use o fluxo nativo. Se essa opção não existir, não force a exclusão do eSIM do iPhone; faça a migração pelo canal da operadora.
O que muda entre Claro, Vivo e TIM
Claro: transferência rápida no iPhone e troca de aparelho pelo app
Para iPhone, a Claro participa da Transferência Rápida de eSIM reconhecida pela Apple e mantém tutorial próprio para mover a linha entre iPhones compatíveis. Há condições específicas de versão, modelo e plano nos guias da operadora, portanto é melhor seguir a página correspondente ao aparelho atual em vez de assumir que todos os iPhones têm o mesmo comportamento.
Fora desse cenário, o Minha Claro é o principal caminho alternativo. A jornada de troca de aparelho faz validação de segurança e permite instalar o eSIM em outro dispositivo por QR Code ou código de ativação. Durante o processo, a própria Claro avisa que a linha pode ficar temporariamente sem sinal. Isso é diferente de simplesmente apagar o eSIM antigo e tentar reutilizar um QR Code guardado.
Vivo: mais integração entre iPhone, Galaxy, Motorola e App Vivo
A Vivo combina transferência rápida entre iPhones, transferência nativa em famílias Android compatíveis e gerenciamento pelo App Vivo. Nos guias atuais, a operadora documenta transferência entre dois iPhones, entre dois Samsung Galaxy e entre aparelhos Motorola. Em Galaxy, a Samsung também reconhece a Vivo como operadora brasileira compatível com a transferência instantânea de eSIM.
O App Vivo funciona como plano de contingência importante porque permite ativar, transferir para outro celular e reativar o eSIM. Isso reduz a dependência de um QR Code antigo. Ainda assim, o aparelho novo precisa ser compatível com eSIM, e os fluxos integrados podem exigir Wi-Fi, Bluetooth, método de bloqueio configurado e versões mínimas de sistema.
TIM: maior destaque para transferências entre sistemas em 2026
A TIM aparece em mais cenários de transferência direta entre sistemas nas fontes atuais. Além de transferir eSIM entre iPhones, é a operadora brasileira listada pela Apple para a transferência nativa do Android para o iPhone no fluxo do iOS 26. A TIM também documenta transferência de iPhone para Motorola e transferência entre aparelhos Android compatíveis.
Ao mesmo tempo, há restrições específicas. No fluxo entre iPhones, a TIM informa uma janela de 24 horas relacionada ao uso da linha antes de certas transferências e nova espera de 24 horas após uma transferência. Em Android, a disponibilidade direta varia por fabricante e versão, com destaque para Motorola em Android 15 ou superior. Para aparelhos incompatíveis ou quando o QR Code foi perdido, a operadora direciona o cliente ao Portal Troca Chip para gerar uma nova forma de ativação.
Checklist antes de formatar o celular antigo
Confirme se o novo aparelho realmente aceita eSIM
Não basta o modelo existir em uma família compatível. Variantes vendidas em determinados mercados podem ter diferenças de hardware ou de suporte. Abra as configurações do aparelho novo e confirme a presença da opção de adicionar eSIM; se houver dúvida, consulte a página do fabricante e da operadora para aquele modelo específico.
Atualize os dois aparelhos antes de começar
Boa parte das transferências depende de funções que chegaram em versões recentes do iOS e do Android. Atualize os sistemas, reinicie se houver atualização pendente e mantenha Wi-Fi e Bluetooth ativos. Em fluxos de transferência por proximidade, deixe os aparelhos lado a lado, desbloqueados e com bateria suficiente para concluir a ativação.
Garanta acesso ao app e aos dados da operadora
Se a transferência nativa falhar, o plano B quase sempre passa pelo canal da operadora. Antes de apagar qualquer coisa, confirme que você consegue entrar no Minha Claro, App Vivo ou nos canais digitais da TIM e que consegue concluir uma eventual validação de identidade. Isso é especialmente importante se o celular antigo ainda recebe códigos de autenticação.
Não dependa de um QR Code guardado como única saída
Um QR Code de eSIM representa um processo de ativação e pode não ser reutilizável na forma que você espera. A TIM, por exemplo, orienta gerar um novo código pelo Portal Troca Chip quando o antigo não está disponível. Claro e Vivo também mantêm jornadas de nova instalação ou transferência. Guarde informações úteis, mas trate o QR Code antigo como uma possibilidade, não como garantia.
Teste a linha no aparelho novo antes de apagar o antigo
Depois da ativação, faça uma ligação, receba uma chamada, teste SMS quando necessário e confirme os dados móveis. Verifique também se a linha correta está definida para voz e internet quando o aparelho tiver mais de um SIM. Só então remova contas, apague o conteúdo e formate o
aparelho antigo.
O que fazer quando a transferência falha
A opção de transferir não aparece
Primeiro, verifique se os dois aparelhos estão atualizados e se a combinação de origem, destino e operadora realmente oferece transferência nativa. Em iPhone para iPhone, Claro, TIM e Vivo têm suporte à Transferência Rápida, mas existem requisitos próprios. Em Android, o suporte pode mudar de acordo com fabricante e versão. Se a opção continuar ausente, mude de estratégia: use o app da operadora ou solicite um novo perfil de eSIM.
O pareamento começa, mas a migração não termina
Não apague o eSIM antigo como primeira tentativa de correção. Confirme Wi-Fi, Bluetooth, proximidade, desbloqueio dos aparelhos e bateria. Reiniciar os dois dispositivos pode ser útil antes de uma nova tentativa. Se o processo já desativou a linha no aparelho antigo e não concluiu no novo, use o canal da operadora para reativar ou reprovisionar o eSIM.
O QR Code aparece como inválido ou já utilizado
Não conclua automaticamente que o número foi perdido. O problema costuma estar no perfil de ativação, não no número da linha. Gere ou solicite uma nova ativação pelos canais oficiais. Na TIM, há o Portal Troca Chip para esse tipo de situação. Na Claro, a troca de aparelho pelo app pode fornecer QR Code ou código de ativação. Na Vivo, o App Vivo permite criar, transferir e reativar o eSIM conforme a jornada disponível para a linha.
O celular antigo já foi apagado
Nesse ponto, a transferência por proximidade deixa de ser a melhor opção porque o aparelho de origem não pode mais confirmar a migração. A solução passa pela operadora. Entre no app ou atendimento, valide a identidade e solicite a instalação ou reativação do eSIM no aparelho novo. Dependendo da operadora e do plano, isso pode ser resolvido remotamente; em casos específicos, pode haver necessidade de atendimento presencial.
O eSIM aparece instalado, mas a linha não funciona
Aguarde alguns minutos para a ativação de rede terminar e confirme que o eSIM está habilitado nas configurações. Faça uma ligação para testar. Se a linha continuar sem serviço, não repita exclusões e instalações indefinidamente; acione a operadora com o aparelho novo em mãos para verificar o provisionamento da linha.
Quando é seguro apagar o eSIM do aparelho antigo
O momento seguro é depois que o número estiver ativo no aparelho novo e os testes básicos tiverem funcionado. Em muitas transferências nativas, o perfil do aparelho antigo é desativado automaticamente quando a linha migra. Em outros procedimentos, a operadora orientará quando remover o perfil anterior.
A exceção é quando o próprio fluxo oficial manda remover o eSIM antigo antes de instalar o novo em uma combinação incompatível com transferência direta. Nesse caso, siga a ordem definida pela operadora e tenha em mãos o novo método de ativação antes de excluir o perfil. O erro mais comum é inverter essa lógica: apagar primeiro e só depois descobrir como obter o eSIM novo.
A decisão mais segura em cada cenário
Se a troca for de iPhone para iPhone com Claro, Vivo ou TIM, tente primeiro a transferência rápida pelo próprio iOS e confirme os requisitos específicos da operadora. Se for de Android para Android, procure a transferência nativa do fabricante; Vivo tem suporte documentado em Galaxy e Motorola, enquanto a TIM mantém suporte direto em combinações Android específicas e a Claro oferece uma alternativa forte pelo Minha Claro.
Se a origem for Android e o destino for iPhone, a transferência nativa introduzida em 2026 deve ser tratada como compatibilidade específica: no Brasil, a Apple lista a TIM nesse fluxo. Para Claro e Vivo, ou para aparelhos fora dos requisitos, use o método da operadora. Se a origem for iPhone e o destino Android, confirme se o modelo e a operadora aparecem explicitamente como compatíveis; a TIM documenta iPhone para Motorola, mas não é seguro estender isso para qualquer Android.
Em todos os casos, o melhor plano B é o mesmo: manter o aparelho antigo intacto, garantir acesso à conta da operadora e só formatar depois que a linha estiver funcionando no novo telefone. Essa sequência reduz a chance de ficar sem serviço e evita transformar uma migração simples em uma recuperação de eSIM.





