Trocar de celular com eSIM não é o mesmo que copiar fotos, aplicativos e contatos. O número continua pertencendo à sua linha, mas o perfil digital que autentica o aparelho na rede precisa ser transferido, convertido ou ativado novamente. Em 2026, alguns aparelhos e operadoras já fazem isso diretamente entre dois celulares; em outras combinações, o caminho continua passando por aplicativo da operadora, QR Code, código de ativação ou atendimento.
A regra prática mais importante é simples: não apague, restaure nem entregue o aparelho antigo antes de confirmar que a linha funciona no novo. Faça pelo menos uma chamada, teste dados móveis e, se você usa SMS para autenticação, confirme que as mensagens chegam ao aparelho novo. Só depois disso trate o telefone antigo como pronto para venda, troca ou restauração.
Transferir, converter e ativar um novo eSIM são operações diferentes
Transferir significa levar a mesma linha do aparelho antigo para o novo por um fluxo reconhecido pelo sistema e pela operadora. Em uma transferência bem-sucedida, o perfil anterior costuma ser desativado quando o novo entra em funcionamento. É o cenário mais próximo da ideia de "mover" o eSIM.
Converter é outra coisa. Nesse caso, a linha ainda está em um SIM físico e o objetivo é transformá-la em eSIM. Alguns iPhones, aparelhos Motorola e Samsung oferecem essa opção no próprio menu, mas ela só aparece quando a operadora e o modelo permitem. A conversão não deve ser confundida com a troca de um celular por outro.
Ativar um novo eSIM é o caminho usado quando não existe transferência direta para aquela combinação de aparelhos ou quando a operadora prefere reprovisionar a linha. O usuário recebe um novo perfil por QR Code, link, aplicativo, código de ativação ou ativação automática da operadora. O número pode continuar o mesmo, mas o perfil instalado é novo.
Essa diferença explica por que duas pessoas com eSIM podem ter experiências opostas ao trocar de celular. Uma toca em "Transferir" e termina em minutos. Outra precisa abrir o app da operadora, validar identidade e receber um novo QR Code.
Antes de mexer no aparelho antigo, verifique três dependências
A primeira é a compatibilidade do aparelho novo com eSIM. Não basta o modelo ter uma versão vendida com eSIM em outro país: variantes regionais podem mudar. O próprio fabricante é a fonte mais segura para confirmar o modelo exato.
A segunda é o software. A Apple exige versões mínimas do iOS em seus fluxos de transferência rápida, e o Android também condiciona a transferência automática a versões do sistema, Google Play Services, bloqueio de tela e suporte do fabricante. Em aparelhos Galaxy, Motorola e Pixel, os menus e requisitos podem variar.
A terceira é a operadora. O eSIM pode ser suportado pela operadora e, ainda assim, determinada forma de transferência não ser. Suportar eSIM, suportar QR Code e suportar transferência direta entre dois aparelhos são coisas diferentes.
iPhone para iPhone: é o cenário mais previsível no Brasil
A Apple lista Claro, TIM e Vivo no Brasil como operadoras com suporte à Transferência Rápida do eSIM no iPhone. Esse recurso permite levar o número do iPhone antigo para o novo sem precisar falar com a operadora, desde que a linha, os aparelhos e o software atendam aos requisitos.
Nas instruções atuais da Apple, os dois iPhones precisam estar próximos, com Bluetooth ativado, e o aparelho antigo deve estar desbloqueado. A empresa também informa requisitos de versão do iOS e sessão iniciada na Conta Apple. A transferência pode aparecer durante a configuração do iPhone novo ou ser iniciada depois pelos Ajustes.
Quando a ativação termina no novo iPhone, o SIM anterior é desativado. Por isso, o procedimento correto é manter os dois aparelhos por perto até a conclusão e testar a linha no novo antes de apagar o antigo.
Se a opção de transferência não aparecer, isso não significa que o eSIM acabou ou que o número foi perdido. O próximo caminho é verificar o método oferecido pela operadora: ativação automática, app, QR Code, link ou atendimento. A Apple lista Algar, Claro, TIM e Vivo entre as operadoras brasileiras que oferecem outros métodos de ativação de eSIM, enquanto a Transferência Rápida aparece para Claro, TIM e Vivo.
Android para Android: a palavra-chave é compatibilidade
No Android, não existe uma resposta única que sirva para todos os fabricantes. O Google oferece um fluxo de transferência de SIM ou eSIM durante a configuração ou posteriormente nas Configurações, mas ressalta que a disponibilidade depende da operadora. Para a transferência automática, a documentação do Pixel cita Android 12 ou superior nos dois aparelhos, Google Play Services atualizado e bloqueio de tela configurado.
Na prática, o que aparece no menu do novo celular depende da combinação entre fabricante, versão do Android e operadora. Se a transferência automática não for detectada, o próprio Google orienta procurar a operadora para ativar o eSIM.
Samsung Galaxy
A Samsung oferece a opção de transferir um SIM ou eSIM de outro Galaxy ou Android para um novo Galaxy em aparelhos compatíveis. Os telefones precisam estar próximos, com Wi-Fi e Bluetooth, e o aparelho novo precisa ter método de segurança configurado.
Na lista atual de operadoras que podem permitir a transferência instantânea de eSIM em aparelhos Galaxy, a Samsung cita a Vivo para o Brasil. Isso não significa que Claro e TIM não tenham eSIM em Galaxy: a própria Samsung lista Claro, TIM e Vivo como operadoras brasileiras que suportam eSIM. A diferença é o tipo de fluxo disponível.
A Vivo também publica um passo a passo específico de transferência entre dois Samsung Galaxy, feito pelo Gerenciador de chip, com confirmação nos dois aparelhos e código de validação.
Motorola e Android compatível
A Vivo publica um fluxo de transferência direta entre aparelhos Motorola, inclusive durante a inicialização, usando QR Code para parear os telefones e confirmação nos dois dispositivos. A TIM também publica transferência de eSIM entre Androids, mas informa atualmente que esse fluxo está disponível, em seu suporte, para Motorola com Android 15 ou superior.
A consequência prática é importante: "Android para Android" ainda é uma categoria ampla demais. Antes de excluir qualquer perfil, procure no aparelho novo a opção de transferir um chip de outro dispositivo e confirme na página da sua operadora se o seu modelo faz parte do fluxo suportado.
Android para iPhone: transferência direta existe, mas não é universal
O iOS 26 ampliou a migração entre ecossistemas. A Apple passou a oferecer um fluxo para transferir o SIM ou eSIM de um Android compatível para o iPhone, usando os aparelhos próximos e um QR Code de pareamento. Quando a transferência termina, o SIM no Android é desativado.
No Brasil, a lista atual da Apple para essa modalidade cita a TIM. A documentação informa que também é necessário um smartphone Android compatível e versão recente do sistema, além de Wi-Fi e Bluetooth. Portanto, ter uma linha TIM não garante sozinho que qualquer Android conseguirá fazer a transferência: o fabricante e o modelo também precisam oferecer suporte.
A TIM publica um procedimento próprio para a migração de Android para iPhone e orienta manter os aparelhos com bateria suficiente e conectados a Wi-Fi. Como o suporte pode mudar por modelo, a confirmação no aparelho e na página atual da operadora é mais segura do que seguir um tutorial genérico encontrado na internet.
Se a opção "Transferir do Android" não aparecer ou falhar, a Apple orienta recorrer à operadora para ativar o eSIM, normalmente por ativação da operadora ou QR Code. Nesse caso, trate a operação como uma nova ativação da mesma linha, não como uma cópia manual do perfil antigo.
iPhone para Android: suporte ainda fragmentado no Brasil
A Apple também introduziu, no iOS 26.3, um processo para transferir dados e eSIM do iPhone para determinados aparelhos Android. O Android 17 trouxe uma experiência de migração atualizada em aparelhos selecionados, incluindo modelos recentes de Pixel e Galaxy, com suporte a eSIM dentro do fluxo quando a operadora é compatível.
A ressalva é decisiva para quem está no Brasil: na lista publicada pela Apple para o fluxo nativo de eSIM do iPhone para Android, não aparece atualmente uma operadora brasileira. Isso impede tratar a função como universal no país.
Ao mesmo tempo, a TIM mantém uma orientação própria para transferir eSIM de iPhone para determinados Motorola. Essa diferença entre a lista genérica da Apple e o fluxo publicado pela operadora mostra o problema central do tema: o suporte real é definido pela combinação entre operadora, fabricante, modelo e versão do sistema.
Se você estiver saindo do iPhone para um Android e a transferência não aparecer no aparelho novo, não apague o eSIM do iPhone por tentativa. Abra o canal oficial da operadora e procure a opção de troca de aparelho, transferência de eSIM ou emissão de novo eSIM.
Quando você precisa de um novo QR Code
O QR Code entra em cena principalmente quando o aparelho novo não consegue receber o perfil por transferência direta, quando a operadora reprovisiona a linha ou quando o perfil anterior foi removido e precisa ser instalado novamente.
Não existe uma regra nacional de reutilização do mesmo QR Code. A Claro informa, por exemplo, que depois de adicionar o eSIM a um aparelho, o mesmo QR Code não pode ser reutilizado em outro dispositivo. A TIM, por sua vez, orienta que o cliente pode gerar um novo QR Code pelo Portal Troca Chip quando não tem mais o anterior e traz recomendações específicas para restauração do aparelho. Na Vivo, o App Vivo permite ativar, reativar e transferir eSIM, e a operadora também usa QR Code em determinados canais e planos.
Por isso, guardar uma captura antiga do QR Code não deve ser tratado como plano de recuperação. O que importa é ter acesso à conta da operadora, aos meios de validação de identidade e, quando aplicável, ao e-mail em que um novo código será enviado.
Como fica cada operadora brasileira em 2026
Claro
No iPhone, a Apple lista a Claro para Transferência Rápida do eSIM. Além disso, a Claro oferece ativação por QR Code e um fluxo no Minha Claro para trocar o eSIM ou chip físico para outro aparelho. Esse processo inclui validação biométrica e, depois, a instalação do eSIM no aparelho de destino por QR Code ou código de instalação, conforme o dispositivo.
A Claro alerta que a linha pode ficar temporariamente sem sinal durante a troca e informa que um QR Code já usado para adicionar o eSIM a um aparelho não pode ser reutilizado em outro. Se a transferência direta do sistema não estiver disponível, o app da operadora é, portanto, um caminho oficial importante.
TIM
No iPhone, a TIM aparece na lista da Apple para Transferência Rápida. Em 2026, também é a operadora brasileira listada pela Apple para o fluxo de Android compatível para iPhone.
No Android, a TIM publica transferência entre aparelhos em cenários específicos e informa, em sua página atual, suporte de transferência Android para Motorola com Android 15 ou superior. A operadora também documenta migração entre iPhone e determinados Motorola e mantém o Portal Troca Chip para conversão, troca e geração de novo QR Code.
A TIM faz um alerta especialmente útil antes de restaurar o aparelho: se você vai trocar de celular, transfira o eSIM antes. Se não for transferir naquele momento, a operadora recomenda remover o eSIM antes da restauração para preservar o fluxo de reinstalação; caso o aparelho seja restaurado com o eSIM ainda configurado e o cliente não tenha preparado a troca, pode ser necessário obter um novo perfil por atendimento.
Vivo
No iPhone, a Vivo também está na lista da Apple para Transferência Rápida do eSIM. A operadora oferece ainda gestão pelo App Vivo, incluindo ativar, reativar e transferir o eSIM para outro celular.
Em Android, a Vivo publica fluxos próprios para Motorola e Samsung. No Galaxy, há transferência direta entre dois aparelhos compatíveis pelo Gerenciador de chip. A Samsung, em sua lista de transferência instantânea de eSIM, cita a Vivo como operadora suportada no Brasil para esse fluxo.
Para clientes de planos digitais, o canal também pode mudar. A Vivo informa que o Easy Lite pode usar eSIM e que a ativação envolve o app Vivo Easy e validação por e-mail. Por isso, quem usa uma modalidade digital deve conferir o próprio app antes de procurar uma loja.
Algar
A Apple lista a Algar no Brasil entre as operadoras que oferecem outros métodos de ativação de eSIM, mas não a inclui na Transferência Rápida do iPhone. A orientação mais segura é esperar um fluxo de ativação ou reprovisionamento pela operadora, como QR Code ou instrução específica, em vez de presumir que o perfil poderá ser movido diretamente entre aparelhos.
Uma árvore de decisão simples para não perder a linha
Se o aparelho antigo e o novo são iPhones
Primeiro, procure a transferência do número durante a configuração do novo iPhone ou em Ajustes. Se a linha for Claro, TIM ou Vivo e a opção estiver disponível, esse é o caminho mais direto. Mantenha os dois aparelhos próximos, atualizados e com Bluetooth ativo. Depois da conclusão, teste chamada, dados e SMS no novo aparelho antes de apagar o antigo.
Se os dois aparelhos são Android
Procure no aparelho novo a opção de adicionar eSIM e transferir chip de outro dispositivo. Se ela aparecer, siga o pareamento mantendo os dois telefones próximos e conectados. Se não aparecer, verifique o suporte do fabricante e da operadora. Na Vivo, há documentação específica para Samsung e Motorola; na TIM, há fluxo Android específico para Motorola em versões compatíveis; na Claro, o app Minha Claro oferece troca para outro aparelho com nova instalação do eSIM.
Se você está saindo de Android para iPhone
No Brasil, o primeiro caso a verificar é TIM com aparelho Android compatível e iPhone atualizado, porque a Apple lista essa combinação de operadora para o fluxo direto. Se o recurso não aparecer, use o método indicado pela operadora para ativar o eSIM no iPhone.
Se você está saindo de iPhone para Android
Comece pelo assistente de configuração do Android e veja se o aparelho oferece transferência de eSIM. Não presuma que o recurso funcionará com qualquer operadora brasileira. Se o fluxo não estiver disponível, use o app ou portal da operadora para trocar de aparelho ou emitir um novo eSIM. Para TIM e determinados Motorola, existe documentação específica de transferência; em outras combinações, o procedimento pode ser diferente.
O que fazer antes de restaurar, vender ou entregar o celular antigo
Confirme primeiro que o novo aparelho está conectado à rede celular com a linha correta. O ícone de sinal sozinho não basta: faça uma chamada, desligue o Wi-Fi e abra uma página usando dados móveis. Se você recebe códigos de segurança por SMS, teste também essa etapa.
Verifique se o novo telefone mostra o seu número e se as configurações de voz e dados estão apontando para o eSIM correto, especialmente se houver duas linhas. Em aparelhos dual SIM, uma linha pode estar instalada, mas não definida como principal para dados ou chamadas.
Só depois da validação trate o aparelho antigo. Em transferências diretas, o perfil anterior normalmente é desativado automaticamente. Em ativações manuais, siga a orientação da operadora antes de excluir o perfil antigo, porque a política de QR Code e reativação varia.
Se o telefone será vendido ou entregue a outra pessoa, conclua também os procedimentos normais de remoção de contas e restauração do sistema. A transferência do eSIM resolve a linha celular; ela não substitui o backup de dados nem a remoção das contas Apple ou Google.
Se a transferência falhar, preserve o perfil que ainda funciona
Quando a transferência para no meio, o melhor diagnóstico é verificar primeiro em qual aparelho a linha ainda funciona. O Google informa que o dispositivo ou eSIM atual pode continuar funcionando quando a transferência não é concluída. Isso é melhor do que apagar perfis tentando "forçar" uma nova ativação.
Se o aparelho antigo ainda recebe sinal, mantenha-o intacto enquanto repete o processo ou abre o canal da operadora. Se nenhum dos dois aparelhos conecta, use Wi-Fi e procure o app, portal ou atendimento oficial para reprovisionar a linha. Evite depender de um QR Code antigo sem confirmar se ele ainda é válido para aquela operadora.
A troca de eSIM ficou mais simples em 2026, mas ainda não existe um procedimento único. iPhone para iPhone é o cenário mais padronizado no Brasil; Android para Android depende bastante do fabricante; Android para iPhone ganhou um caminho direto com TIM em combinações compatíveis; e iPhone para Android ainda exige atenção redobrada ao suporte específico da operadora e do aparelho.
O ponto que não muda é a ordem das ações: prepare os dois celulares, tente a transferência suportada, ative a linha no novo aparelho, teste voz, dados e SMS e somente então apague o antigo. Essa sequência reduz o risco de ficar sem serviço justamente no momento em que você mais precisa da linha para confirmar identidade e concluir a troca.





