Apps e Dispositivos01/09/2026Núcleo de Segurança Digital5 min de leituraAtualizado em 16/09/2026

Pix e o prazo de 6/9: usuário não troca certificado; a adequação é das instituições

O prazo de 6 de setembro de 2026 é para participantes do Pix ajustarem certificados digitais usados na infraestrutura. Para o usuário comum, não há certificado a trocar nem ação adicional no app por causa desse prazo.

Smartphone exibindo confirmação de pagamento Pix ao lado de calendário com 06/09, menções a CERTPIC e CERTPIA e escudo com cadeado.

Se você usa Pix para pagar, transferir ou receber dinheiro, o prazo de 6 de setembro de 2026 não cria uma tarefa nova para você. O Informe SPI 007/2026, do Banco Central, trata de certificados digitais usados na infraestrutura do Pix por participantes do sistema. Ele não determina que clientes troquem certificado, chave Pix, senha, celular cadastrado ou aplicativo.

O ponto central é técnico: instituições que ainda utilizem certificados em desacordo com os novos requisitos precisam adequar suas configurações no ambiente de produção até 06/09/2026. Para o usuário comum, portanto, a regra prática é simples: não há “certificado do Pix” para instalar ou substituir por causa desse prazo.

O que muda em 6/9, de fato

Em 8 de junho de 2026, o Banco Central publicou novos requisitos de segurança para certificados digitais no ambiente Pix. A mudança aparece no Comunicado nº 45.351, na versão 6.00 do Manual de Segurança do Sistema Financeiro Nacional, e foi detalhada para os participantes no Informe SPI 007/2026.

A exigência combina duas ideias:

  • segregação por finalidade: cada certificado deve ser usado apenas para a função para a qual foi emitido;
  • uso exclusivo no Pix: os certificados do ambiente Pix não devem ser reutilizados em outros ambientes citados pelo Banco Central, como SPB e MES.

Para certificados que já estavam em uso e não atendiam ao novo padrão, o Banco Central fixou dois marcos de adequação: 08/07/2026 no ambiente de homologação e 06/09/2026 no ambiente de produção. Desde 08/06/2026, o informe também veda o envio de novos certificados que não cumpram os requisitos da seção 5.1 do manual.

Quem realmente precisa agir

O destinatário operacional da mudança são os participantes do Pix que utilizam esses certificados, especialmente as equipes responsáveis pela conexão técnica, segurança, infraestrutura e gestão de credenciais. A página do Banco Central sobre instituições participantes do Pix distingue modalidades de participação e explica o acesso ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) e ao DICT.

Na prática, a instituição precisa verificar se sua configuração respeita a separação de finalidades e a exclusividade de uso. Dependendo do cenário tecnológico, a adequação pode envolver substituição, ativação, desativação ou reorganização do uso dos certificados. O ponto seguro, porém, é não generalizar: o informe exige que configurações em desconformidade sejam ajustadas; ele não diz que todo certificado de toda instituição precisa necessariamente ser reemitido.

CERTPIC e CERTPIA: o que significam em linguagem simples

A seção 5.1 do Manual de Segurança do SFN – Volume II separa duas funções que não devem mais ser misturadas:

  • CERTPIC: certificado de autenticação de canal. Ele é usado na autenticação e na proteção da conexão com as APIs do Pix.
  • CERTPIA: certificado usado para assinatura digital de mensagens.

A nova regra determina que um CERTPIC não seja usado para assinar mensagens como se fosse um CERTPIA, e que um CERTPIA não seja usado para a função de autenticação de canal. O objetivo é reduzir o reaproveitamento de uma mesma credencial em finalidades diferentes e tornar mais clara a separação de responsabilidades dentro da infraestrutura.

Isso acontece longe da tela que o cliente vê. Quem usa Pix normalmente interage com o serviço pelo app ou internet banking da instituição em que mantém conta, como explica o próprio Banco Central em sua área de perguntas frequentes do Pix. Os certificados citados no prazo de 6/9 pertencem à camada técnica de comunicação do sistema, não ao cadastro cotidiano do cliente.

O que o usuário não precisa fazer por causa desse prazo

Dúvida Resposta
Preciso baixar ou instalar um certificado digital do Pix? Não. O informe não cria essa obrigação para clientes.
Preciso trocar minha chave Pix? Não. O prazo trata de certificados de infraestrutura, não de chaves Pix.
Preciso recadastrar CPF, celular ou dispositivo por causa de 6/9? Não por causa desse informe. Ele não estabelece esse procedimento para usuários.
Preciso atualizar o aplicativo do banco especificamente por causa do prazo? O Banco Central não determina isso no Informe SPI 007/2026. Atualizações normais do app podem continuar sendo recomendadas pela própria instituição por outros motivos.
Quem deve se adequar? Os participantes que utilizam certificados em desconformidade com os novos requisitos.

O prazo de 6/9 significa que o Pix vai parar?

Não é isso que o documento diz. O prazo de 06/09/2026 é uma data-limite de conformidade no ambiente de produção. O Informe SPI 007/2026 não anuncia desligamento geral do Pix, manutenção nacional programada nem mudança de funcionamento para o cliente nessa data.

Se uma instituição tiver problema operacional próprio por não concluir uma adequação técnica, isso é uma questão da infraestrutura dela; não é algo que o cliente resolva instalando certificado, trocando chave ou fornecendo códigos de segurança. Por isso, é importante separar o que o Banco Central efetivamente exigiu do que pode aparecer em mensagens alarmistas.

Como reconhecer uma mensagem suspeita sobre o “certificado do Pix”

O informe é dirigido à infraestrutura dos participantes. Portanto, uma mensagem que use o prazo de 6/9 para pedir ao cliente que baixe um arquivo, instale um “novo certificado Pix”, informe senha, token, código recebido por SMS ou faça uma transferência para “validar a conta” não corresponde ao procedimento descrito pelo Banco Central nesse documento.

Isso não significa que toda comunicação do seu banco sobre segurança seja falsa. A instituição pode fazer comunicações legítimas por outros motivos. A checagem mais segura é abrir o aplicativo ou site oficial por conta própria, sem usar links recebidos, e procurar avisos na área autenticada ou nos canais oficiais.

Por que essa mudança existe

Certificados digitais são credenciais críticas para provar identidade técnica, proteger conexões e assinar informações entre sistemas. Quando uma credencial é reutilizada para funções diferentes, aumenta a dificuldade de isolar responsabilidades e de limitar o impacto de um uso indevido. A regra de 2026 reforça o princípio de que cada certificado deve ter uma finalidade definida e ficar restrito ao ambiente Pix.

Para o usuário final, o efeito esperado é indireto: uma infraestrutura com controles mais claros. A ação, porém, permanece do lado das instituições e de suas equipes técnicas.

Em resumo: o que fazer até 6 de setembro

Se você é cliente do Pix, continue usando o serviço normalmente e não faça nenhuma troca de certificado por causa do prazo de 6/9. Se você trabalha na operação técnica de uma instituição participante, o ponto relevante é verificar a conformidade com a seção 5.1 do Manual de Segurança do SFN – Volume II e com os prazos do Comunicado nº 45.351 e do Informe SPI 007/2026.

A diferença é essencial: 6/9 é prazo de infraestrutura para participantes, não uma convocação para o usuário atualizar sua conta Pix.

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