O nível 2 de matemática do PISA não significa dominar uma lista fechada de conteúdos. Ele indica que o estudante já consegue reconhecer, em situações simples do cotidiano, qual representação matemática usar e como chegar a uma resposta que faça sentido no contexto. Nos resultados do PISA 2025 divulgados em 8 de setembro de 2026, a OCDE informou que 28% dos estudantes do Brasil atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, ante 65% na média da OCDE. A nota do país cita como exemplos desse patamar comparar a distância total de duas rotas alternativas e converter preços para outra moeda.
Os três problemas abaixo são exemplos didáticos originais, criados para praticar habilidades compatíveis com essa descrição. Eles não são itens oficiais do PISA e não receberam calibração psicométrica da OCDE; portanto, resolver os três não permite concluir, por si só, que alguém estaria oficialmente no nível 2.
O que o nível 2 exige na prática
Em vez de procurar uma fórmula escondida, o estudante precisa transformar uma situação simples em matemática. Isso normalmente envolve quatro movimentos:
- Selecionar os dados relevantes: distinguir o que será usado do que é apenas contexto.
- Escolher uma operação ou representação: soma, diferença, multiplicação, divisão, taxa por unidade ou outra relação simples.
- Executar o cálculo: trabalhar com os números de forma correta.
- Interpretar o resultado: responder à pergunta na unidade e no sentido pedidos.
A descrição publicada pela OCDE para o Brasil enfatiza justamente a capacidade de reconhecer, sem instrução direta sobre o procedimento, como representar matematicamente uma situação simples. O PISA organiza os resultados em níveis de proficiência para dar significado ao tipo de tarefa que estudantes em diferentes faixas tendem a conseguir resolver.
Problema 1 — comparar duas rotas
Exemplo didático original, não item oficial.
Uma pessoa pode ir de casa à biblioteca por duas rotas. A rota A tem três trechos de 1,6 km, 2,3 km e 1,1 km. A rota B tem três trechos de 2,4 km, 1,5 km e 0,8 km. Qual rota é mais curta e qual é a diferença entre elas?
Passo 1: identificar o que deve ser comparado
Não basta comparar um único trecho. A pergunta pede a distância total de cada rota, então é preciso somar os trechos de A e de B.
Passo 2: calcular a rota A
1,6 + 2,3 + 1,1 = 5,0 km.
Passo 3: calcular a rota B
2,4 + 1,5 + 0,8 = 4,7 km.
Passo 4: comparar e interpretar
5,0 − 4,7 = 0,3 km. Logo, a rota B é 0,3 km mais curta.
O que está sendo praticado: transformar um mapa ou descrição de percurso em somas comparáveis e voltar ao contexto para dizer qual alternativa é menor. Essa é muito próxima de uma das situações que a própria OCDE usa para exemplificar o nível 2.
Problema 2 — converter um preço para outra moeda
Exemplo didático original, não item oficial.
Um livro custa €18 em uma loja estrangeira, com frete de €4. Para o exercício, considere a taxa hipotética de €1 = R$ 6,20 e ignore impostos ou tarifas adicionais. Em uma loja brasileira, o mesmo livro custa R$ 139,90. Qual opção tem menor preço total?
Passo 1: somar preço e frete na moeda original
€18 + €4 = €22.
Passo 2: converter o total para reais
€22 × R$ 6,20 = R$ 136,40.
Passo 3: comparar com o preço brasileiro
R$ 139,90 − R$ 136,40 = R$ 3,50.
Passo 4: responder no contexto
Nas condições dadas, a compra estrangeira é R$ 3,50 mais barata. O ponto central não é decorar câmbio, e sim perceber que o total em euros precisa ser multiplicado pela taxa fornecida antes da comparação.
O que está sendo praticado: identificar uma taxa de conversão, aplicá-la à grandeza correta e interpretar o resultado. Converter preços para outra moeda é outro exemplo citado pela OCDE ao descrever o que estudantes no nível 2 podem fazer.
Problema 3 — comparar preço por unidade
Exemplo didático original, não item oficial.
Dois pacotes de arroz têm tamanhos e preços diferentes. O pacote A tem 5 kg e custa R$ 27,90. O pacote B tem 2 kg e custa R$ 11,90. Qual tem o menor preço por quilograma?
Passo 1: perceber que os preços totais não são diretamente comparáveis
O pacote B custa menos no caixa, mas também contém menos arroz. Para uma comparação justa, é preciso calcular o preço por 1 kg.
Passo 2: calcular o preço por quilo do pacote A
R$ 27,90 ÷ 5 = R$ 5,58 por kg.
Passo 3: calcular o preço por quilo do pacote B
R$ 11,90 ÷ 2 = R$ 5,95 por kg.
Passo 4: interpretar a comparação
Como R$ 5,58 é menor que R$ 5,95, o pacote A tem o menor preço por quilograma, embora seu preço total seja maior.
O que está sendo praticado: escolher uma representação simples — o preço unitário — para comparar duas opções que não podem ser avaliadas apenas pelo valor total.
O padrão comum aos três problemas
| Situação | Decisão matemática | Cálculo principal | Interpretação |
|---|---|---|---|
| Rotas | Somar os trechos antes de comparar | Somas e diferença | Qual percurso é menor |
| Moeda | Converter tudo para a mesma unidade monetária | Soma e multiplicação | Qual preço total é menor |
| Pacotes | Transformar preços em preço por unidade | Divisão e comparação | Qual opção custa menos por kg |
Em todos os casos, a dificuldade principal está em decidir o que fazer com os dados antes de calcular. Essa passagem do contexto para uma representação matemática simples é o núcleo do tipo de raciocínio destacado pela OCDE para o nível 2.
Como estudar para esse tipo de tarefa
- Antes de calcular, escreva em uma frase o que precisa ser descoberto.
- Marque as unidades: km, reais, euros, quilogramas, minutos ou porcentagem.
- Se houver duas alternativas, coloque ambas na mesma unidade antes de comparar.
- Depois da conta, releia a pergunta e responda com uma frase completa.
- Teste se o resultado é plausível: uma rota com trechos menores deveria ter total menor; um preço por kg não pode ser confundido com o preço do pacote inteiro.
O que os 28% do Brasil significam — e o que não significam
O dado de 28% indica a parcela de estudantes brasileiros avaliados que atingiu pelo menos o nível 2 em matemática no PISA 2025. Não significa que 28% acertaram uma questão específica, nem que o nível 2 corresponda a uma série escolar ou a uma nota de prova comum. O PISA usa uma escala de proficiência construída a partir do conjunto de respostas e da dificuldade dos itens.
Por isso, estes exercícios servem para prática guiada, não para diagnóstico oficial. O ganho esperado é aprender a reconhecer padrões de raciocínio: comparar totais, padronizar unidades, aplicar uma taxa e interpretar o que o número obtido significa na situação.





