Até 30 de agosto de 2026, a eleição do Santos para o triênio 2027-2029 tem um cenário político em movimento, mas ainda não uma lista final de chapas nem uma data oficial fechada. O lançamento público mais claro e amplamente registrado é o de Maurício Maruca, com Rodrigo Marino como vice. Ao mesmo tempo, outros nomes se apresentam como pré-candidatos ou seguem em articulação, e o presidente Marcelo Teixeira ainda não confirmou se buscará a reeleição. A indefinição do calendário não é apenas política. O Conselho Deliberativo aprovou, durante a reforma do Estatuto, a ideia de levar as eleições presidenciais para outubro. Só que a reforma ainda não foi concluída e a aplicação da mudança já em 2026 depende de etapas que continuam pendentes. Por isso, outubro aparece como possibilidade, enquanto dezembro continua no radar.
Qual é o quadro da eleição do Santos agora
A escolha do presidente do Santos é feita diretamente pelos associados aptos a votar. O próximo pleito definirá quem comandará o clube a partir de janeiro de 2027, substituindo ou reconduzindo a gestão eleita para o triênio 2024-2026. O ponto mais importante para acompanhar neste momento é separar três situações diferentes: uma candidatura lançada publicamente, uma pré-candidatura em construção e uma chapa oficialmente registrada no processo eleitoral. Até que o clube publique o edital da eleição e sejam cumpridos os prazos de inscrição, a movimentação pública dos grupos ainda não equivale à lista definitiva que aparecerá na cédula ou no sistema de votação.
Maurício Maruca já lançou chapa com Rodrigo Marino
Maurício Maruca lançou oficialmente sua candidatura em 11 de agosto, em São Paulo, com Rodrigo Marino como candidato a vice. A chapa foi apresentada como Aliança Santista. É o movimento mais formalizado até aqui entre os grupos que disputam espaço para a sucessão. A composição também reúne dois nomes que concorreram separadamente em 2023. Na eleição que levou Marcelo Teixeira à presidência, Maruca terminou em segundo lugar, com 1.378 votos, e Marino ficou em terceiro, com 1.073. A união dos dois grupos altera a configuração da oposição em relação ao pleito anterior e ajuda a explicar por que o lançamento teve peso político maior do que uma simples manifestação de intenção.
Quem ainda está no campo da pré-candidatura e das articulações
Ivan Luduvice vem se apresentando publicamente como pré-candidato e aparece nas discussões da oposição desde o primeiro semestre. Ele foi candidato a vice na chapa de Ricardo Agostinho em 2023 e passou a ocupar espaço próprio no debate de 2026, com críticas à gestão atual e divulgação de ideias para o futebol e a administração do clube. Wladimir Mattos, que disputou a eleição de 2023, também aparece em movimentações de oposição. Reportagens do início de agosto registraram conversas e possibilidades de composição com outros grupos, mas sem uma chapa conjunta formalizada até aquele momento. José Renato Quaresma é outro nome citado nas articulações políticas do clube e aparece como possível alternativa em diferentes arranjos. O cenário, portanto, não deve ser lido como uma disputa já fechada entre duas chapas. Há grupos ainda procurando composição, vice, apoio e definição sobre quem efetivamente encabeçará cada projeto. Do lado da situação, Marcelo Teixeira continua sendo a principal referência, mas não havia confirmado uma candidatura à reeleição até o fim de agosto. Isso deixa aberta a possibilidade de a situação lançar o próprio presidente ou construir outro nome ligado à gestão.
O que é preciso para ser candidato à presidência
A reforma estatutária gerou uma disputa importante sobre elegibilidade. A proposta inicial endurecia o acesso à presidência ao exigir experiência prévia no Conselho Deliberativo. Em 28 de maio, porém, o Conselho aprovou a manutenção da regra sem mandato prévio obrigatório no colegiado. Pelo critério mantido nas discussões, o interessado precisa ter dez anos de associação ao Santos para poder disputar a presidência. A decisão retirou uma das maiores barreiras propostas no novo texto e preservou a possibilidade de candidatura de associados que nunca tenham exercido mandato de conselheiro, desde que atendam aos demais requisitos estatutários e eleitorais.
Quem pode votar na eleição presidencial do Santos
A regra vigente e reafirmada pelo próprio Conselho em maio exige que o eleitor seja associado maior de 18 anos e tenha pelo menos três anos completos de permanência ininterrupta no quadro associativo. Além disso, precisa estar em dia com suas obrigações perante o clube e não pode estar com os direitos de associado suspensos. Isso significa que ser torcedor do Santos, frequentar jogos ou acompanhar o programa de relacionamento não basta por si só. O voto é um direito estatutário do associado que preenche os requisitos. A lista final de eleitores aptos depende da conferência cadastral e financeira do clube para o processo específico.
A regra dos três anos foi mantida na reforma
Esse ponto chegou a ser discutido no novo Estatuto, mas a Comissão acolheu ajustes e o Conselho informou oficialmente em 21 de maio que seria mantido o prazo atual de três anos de associação para o direito de voto nas eleições presidenciais. Portanto, até uma mudança definitivamente aprovada pelos associados, esse continua sendo o parâmetro a considerar.
O que aconteceu com o prazo de 11 de junho para débitos
Em 3 de junho, o Santos alertou os associados de que 11 de junho seria a data limite para regularizar débitos por meio de parcelamento e ainda participar do processo eleitoral de 2026. O motivo é uma regra estatutária que proíbe parcelamento de débitos nos seis meses anteriores à Assembleia Geral. O próprio clube esclareceu, porém, que a quitação à vista continuaria possível depois dessa data. Assim, o prazo de 11 de junho não era uma data final absoluta para todo tipo de pagamento; era o limite para usar parcelamento. Mesmo quitando valores, o associado ainda precisa cumprir idade, tempo de associação, situação cadastral e demais condições para estar na lista de votantes.
O voto será presencial ou online
O sistema de votação do Santos admite participação presencial e meios eletrônicos. Em esclarecimento sobre a reforma do Estatuto, o clube afirmou que o voto online não seria extinto. A forma concreta de votação em 2026, os procedimentos de autenticação e os eventuais prazos para escolha de domicílio eleitoral ou modalidade dependem do edital específico do pleito. Para o associado que pretende votar, a recomendação prática é não esperar a reta final para revisar cadastro, CPF, e-mail, telefone e situação financeira. Em eleições anteriores, esses dados foram relevantes para o acesso ao voto digital e para a formação da relação de eleitores aptos.
Por que outubro foi aprovado e mesmo assim a data não está fechada
Em 2 de junho, o Conselho Deliberativo aprovou uma mudança para transferir as eleições presidenciais de dezembro para outubro. A ideia é dar mais tempo para a transição e o planejamento do novo governo antes do início do mandato seguinte. O problema é que a aprovação desse ponto dentro do Conselho não encerrou a reforma. Uma regra de transição ainda precisava definir se a antecipação valeria já para a eleição de 2026 ou apenas para o ciclo seguinte, em 2029. Além disso, o conjunto do novo Estatuto precisa concluir sua tramitação e ser submetido à Assembleia Geral dos associados. A votação do novo texto foi suspensa em 8 de junho depois de mudanças na legislação federal das Sociedades Anônimas do Futebol. Como artigos sobre SAF e governança precisavam ser revistos, o Conselho interrompeu os trabalhos sem data imediata para retomada. Em julho, ainda se aguardava parecer jurídico, e em 8 de agosto o cenário continuava dependente da conclusão da reforma antes da votação pelos sócios. Por isso, a frase "a eleição foi mudada para outubro" precisa de contexto. O Conselho aprovou a mudança de mês dentro do texto em construção, mas isso não significa que exista uma eleição de 2026 já convocada para outubro. Se a regra de transição preservar o calendário atual para este ano, o pleito pode continuar em dezembro e a antecipação valer apenas a partir de 2029.
A reunião de 31 de agosto não define, por si só, a data da eleição
O Conselho Deliberativo foi convocado para uma sessão extraordinária em 31 de agosto com a finalidade de receber a apresentação da SDC Sports, empresa envolvida nas discussões sobre uma possível SAF do Santos. A pauta oficial dessa reunião é a apresentação da empresa, não a definição do calendário eleitoral. O encontro é politicamente relevante porque SAF, reforma estatutária e eleição passaram a se cruzar no debate do clube. Ainda assim, são processos diferentes. Uma reunião sobre a proposta societária não substitui o ato formal que deve convocar a eleição, fixar a data, definir prazos e organizar a inscrição das chapas.
O que falta para a eleição de 2026 ficar realmente definida
A data só deixa de ser uma hipótese quando o clube concluir a questão estatutária aplicável ao pleito e publicar a convocação oficial da Assembleia Geral eleitoral. Esse documento deverá transformar as discussões políticas em um calendário objetivo: dia da votação, horário, modalidades de voto, prazos de registro de chapa e procedimentos para os associados. Também será nesse momento que a disputa poderá ser tratada como lista oficial de candidatos. Até lá, convém diferenciar quem lançou campanha, quem se declarou pré-candidato, quem apenas é citado em articulações e quem efetivamente protocolou uma chapa aceita pela Comissão Eleitoral.
O que já dá para concluir
A eleição do Santos em 2026 será decisiva para o triênio 2027-2029 e será definida pelo voto dos associados aptos. Maurício Maruca já deu o passo público mais formal ao lançar chapa com Rodrigo Marino. Ivan Luduvice, Wladimir Mattos, José Renato Quaresma e grupos ligados à atual gestão seguem compondo um cenário que ainda pode mudar, enquanto Marcelo Teixeira não confirmou reeleição. Para votar, o associado deve observar a regra de maioridade, três anos de vínculo ininterrupto, adimplência e direitos associativos regulares. E, sobre a data, o resumo é simples: outubro foi aprovado como direção da reforma, mas a aplicação em 2026 ainda depende da transição e da conclusão do novo Estatuto. Até a convocação oficial, outubro e dezembro continuam sendo referências de um calendário que ainda não foi fechado.





